O Sertão de Canudos em ebulição: ciência, política e memória na construção do Açude Cocorobó

Data
2022-12-21
Orientador(res)
Gonçalves, Martina Spohr
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Resumo

A presente dissertação busca analisar a construção do Açude Cocorobó, construído entre os anos 1951 e 1969 no sertão de Canudos, responsável por submergir as ruínas da histórica cidade de Belo Monte e o vilarejo de Canudos. Com o intuito de realizar uma análise de abrangência temporal longa, a pesquisa se debruça sobre a construção do conceito de sertão ao longo do século XX e como esse conceito foi consolidado na ideia de sertão semiárido nordestino a partir da contribuição de agentes e agências estatais, forjando a imagem de sertão que se aproxima a utilizada no tempo presente. Buscando construir uma análise que dialoga com a produção sobre Estado e dinâmicas estatais, mobilizo o conceito de Estado debatido pelo sociólogo Pierre Bourdieu e pelos antropólogos Antonio Carlos de Souza Lima e Adriana Facina. Um dos fios condutores da análise traçada ao longo da dissertação foi compreender a apreensão do poeta cearense Patativa do Assaré de como a sociedade e o espaço sertanejo estava em processo de transformação. A mobilização de contextos anteriores as décadas de 1950 e 1960 teve como objetivo montar o panorama em que se estruturassem as modificações levadas a cabo pelo DNOCS e os agentes estatais no processo de construção do Cocorobó. Essa obra é aqui entendida dentro do contexto da “solução hidráulica” para as recorrentes secas. Confrontados documentos do departamento e a produção de periódicos estaduais e de circulação nacional, essa pesquisa objetivou debater e questionar as premissas até o presente mais comuns sobre a construção do referido açude, colocando em perspectiva critica o impacto dessa obra e as percepções e oposições da população local e de interlocutores externos.


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