Why do we fly Brazilian planes, but do not drive Brazilian cars? A brief review of macroeconomic imbalances, industrial policy, and power asymmetries

Carregando...
Imagem de Miniatura
Data
2025-09-29

Orientador(res)

Marconi, Nelson

Métricas

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Resumo
Esta tese, organizada em três artigos interdependentes, explora os fatores subjacentes à estagnação econômica do Brasil desde a década de 1980. O argumento central do trabalho é que a desaceleração do Brasil não é produto de deficiências institucionais, ou consequência de falhas de mercado decorrentes dessas ineficiências. Em vez disso, a tese apresenta uma análise estruturalista e histórica, argumentando que a estagnação econômica do Brasil decorre diretamente de uma mudança fundamental em sua política macroeconômica e industrial. Esse paradigma pós-década de 1980 priorizou erroneamente a atração de capital estrangeiro como um fim em si mesmo, negligenciando a inovação local, o que, em última análise, falhou em gerar o crescimento sustentado e de longo prazo necessário para realizar o catching-up econômico. O argumento é construído ao longo dos artigos e em diferentes níveis, do macroeconômico (artigo 1) ao setorial e das empresas (artigo 3), destacando por que a visão do crescimento econômico como uma competição por poupança externa é uma estratégia inerentemente falha para um país de renda média. O primeiro artigo, fundamentado no Novo Desenvolvimentismo, apresenta uma perspectiva macroeconômica sobre a estagnação. Argumenta que o novo regime macroeconômico, caracterizado por uma taxa de câmbio cronicamente supervalorizada e altas taxas de juros reais, criou um ambiente hostil à indústria manufatureira e ao investimento produtivo nacional. Ao demonstrar que o período de alto crescimento do Brasil, de 1932 a 1980, ocorreu apesar das mesmas fragilidades institucionais, o artigo conclui que a estagnação do país é consequência dessas escolhas específicas de política macroeconômica, sendo a precariedade institucional uma consequência do subdesenvolvimento, e não sua causa. Com base nisso, o segundo e terceiro artigos passam a uma análise microeconômica e setorial para revelar as limitações de uma estratégia de crescimento centrada na atração de investimento externo direto. O segundo artigo utiliza um levantamento geoespacial de exportadores de alta tecnologia para demonstrar que as subsidiárias estrangeiras no Brasil são frequentemente operações esvaziadas, com P&D mínimo, cadeias de suprimentos locais fracas e pouca conexão com os mercados globais. Como argumentado no capítulo, isso constitui o ‘pecado original da política industrial’, em que os formuladores de políticas equipararam erroneamente o capital estrangeiro e o nacional como se tivessem igual potencial de desenvolvimento a longo prazo. O Artigo 3, então, apresenta um estudo comparativo de sistemas setoriais de inovação, buscando responder de maneira concisa à pergunta levantada pelo título da tese. A conclusão aborda o fato de que o sucesso da Embraer foi produto de uma política industrial deliberada e liderada pelo Estado, com o objetivo de nutrir um campeão nacional, um compromisso visivelmente ausente na política do setor automotivo que se concentrou apenas na atração de capital estrangeiro. Em síntese, esta tese visa fornecer uma explicação unificada para a estagnação econômica do Brasil e oferecer um caminho político claro a seguir. Argumenta que um Estado desenvolvimentista, equipado com um conjunto abrangente de ferramentas de política macroeconômica e industrial — incluindo investimento público em inovação local, subsídios direcionados e coordenação de mercado — é um pré-requisito inegociável para uma economia que busca superar sua posição subordinada na economia global. A pesquisa destaca que a verdadeira soberania econômica exige comprometimento com a inovação local, visto que não há alternativa quando se trata de alcançar o catching up econômico. Por fim, a conclusão discute como o cerne da argumentação apresentada nos três artigos, que colocam o capital nacional e a inovação nacional como pré-condições para o catching up, não deve ser entendida como nacionalista – pelo menos não na acepção comum da palavra. Em vez disso, trata-se de um argumento universalista, baseado na compreensão do verdadeiro universalismo, que rejeita a falsa proposição universalista dos países centrais que o percebem como uniformidade de gostos e desejos. Ao contrário, a tese favorece o verdadeiro universalismo, pelo qual gostos e desejos são tão únicos em todo o mundo que se tornam universais em sua singularidade.

Descrição

Área do Conhecimento

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por