A política das políticas de mobilidade conflituosas: o caso das ciclovias e faixas de ônibus em São Paulo (2005-2024)
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Data
2024-12-16
Autores
Orientador(res)
Biderman, Ciro
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Resumo
Nas últimas décadas, o paradigma da mobilidade sustentável vem sendo a principal vertente dos estudos de transporte urbano, se preocupando em lidar com as questões sociais, ambientais e econômicas da mobilidade urbana, em geral por meio da defesa a meios de transporte mais sustentáveis e pela redução da dependência do automóvel particular. Dentro desse paradigma, uma parte da literatura buscou compreender a complexidade para aceitação pública desse tipo de política que tende a restringir o uso do automóvel; porém, poucos autores lidaram com o aspecto realmente político da questão, reconhecendo que essas medidas podem gerar oposição por de fato trazerem conflitos distributivos pelo espaço público e pelos benefícios gerados pelo transporte. O caso de São Paulo, nesse contexto, pode ser emblemático para o caso do sul global, onde medidas pouco restritivas ao uso do automóvel como a implementação de ciclofaixas e faixas de ônibus encontraram alta resistência. Com objetivo de preencher o gap das análises políticas referentes às políticas de mobilidade conflituosas, a presente pesquisa busca trazer a lente dos conflitos distributivos para explicar as disputas políticas colocadas, tentando identificar a avaliação dos eleitores sobre essas políticas considerando as disputas por produtos e efeitos gerados por elas. A partir de modelos descritivos e econométricos, foi possível demonstrar que a redistribuição do espaço viário causada pela implementação das ciclofaixas e faixas de ônibus trouxe impactos negativos relevantes na busca de reeleição de Fernando Haddad (PT) na eleição de 2016. Ainda, demonstra-se que o petista não foi recompensado eleitoralmente por usuários de ônibus, provavelmente por estes não terem identificado uma melhoria significativa em sua qualidade de vida. O presente trabalho mostra, assim, o potencial de abordagens políticas territoriais para a explicação de parte dos problemas enfrentados pelas políticas da mobilidade sustentável nas grandes cidades.
