O editor como intérprete: geração jornalística e a curadoria editorial no Brasil contemporâneo

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Freire, Américo

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Resumo
Esta tese investiga a atuação de uma geração de editores brasileiros com origem no jornalismo cultural, que conquistaram protagonismo no mercado editorial entre 1985 e 2020, no período posterior ao regime militar. A pesquisa parte da concepção de que o campo editorial configura-se como um espaço de disputas simbólicas, onde se confrontam diferentes formas de capital — cultural, econômico e social. A partir da teoria dos campos de Pierre Bourdieu e incorporando o conceito de editor-intérprete, busca-se compreender como esses agentes, oriundos das redações, operam como mediadores entre autores, leitores e o mercado, articulando projetos culturais, estratégias editoriais e interesses mercantis. O editor-intérprete é aqui concebido como um agente dotado de forte capital cultural e competência tradutora, capaz de conferir inteligibilidade social ao texto e de construir pontes entre distintas esferas do campo intelectual. O estudo adota metodologia qualitativa, com ênfase em entrevistas gravadas segundo os princípios da História Oral, que constituem o núcleo de uma abordagem prosopográfica. Essa perspectiva permite identificar padrões e singularidades nas trajetórias desses editores, analisando suas formas de inserção, consagração simbólica e tensionamentos entre vocação cultural e racionalidade econômica.

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