Tendência à sobreapreciação da taxa de câmbio e desenvolvimento sustentado no Brasil
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2008
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Resumo
O crescimento do PIB de 5,4% em 2007 foi acompanhado no Brasil por um clima de euforia econômica como há muito não se via no país. De repente, não era mais apenas o governo, mas uma parte considerável dos analistas econômicos que passavam a afirmar que o país afinal retomara o crescimento econômico sustentado depois de 27 anos de crises e de baixas taxas de crescimento. Embora o quadro econômico tenha melhorado, esta tese é a meu ver equivocada. A economia brasileira encontra-se em uma situação muito melhor do que estava no tempo da crise da dívida externa e da alta inflação inercial (1980-1994), e melhor do que nos dez anos que se seguiram ao Plano Real, mas este avanço não nos autoriza afirmar que a economia brasileira deu a volta por cima. Como se trata de uma economia capitalista e as economias capitalistas são intrinsecamente dinâmicas, haverá crescimento, mas não estamos ainda em condições de afirmar que esse crescimento nos próximos anos será satisfatório – compatível com as possibilidades reais da economia brasileira. O crescimento a que estamos assistindo nos dois últimos anos é fruto de dois fatores que não são sustentáveis: de um lado, o extraordinário aumento dos preços das commodities exportadas pelo Brasil, de outro, o aumento do mercado interno causado pela política distributiva do governo através do aumento do salário mínimo, da Bolsa Família, e do crédito consignado. É verdade que deriva também de uma variável crucial para o desenvolvimento econômico – a taxa de investimento – que subiu cerca de 2 pontos percentuais, passando de 17 para 19% do PIB, mas esse aumento é apenas uma resposta às duas causas conjunturais que acabei de mencionar; no momento em que essas causas deixarem de agir, a tendência ao aumento da taxa a acumulação de capital também se interromperá. A questão central que se coloca hoje para a economia brasileira é saber, primeiro, se taxas de crescimento em torno de 5% como as que vêm ocorrendo nos três últimos anos são sustentáveis no longo prazo, e, segundo, se essa taxa já bateu no teto – corresponde ao PIB potencial – ou pode se é possível esperar taxas mais elevadas. Minha resposta preliminar às duas questões é negativa: primeiro, a política econômica praticada no Brasil não assegura a manutenção das taxas atuais na medida em que a taxa de juros continua excessivamente alta e a taxa de câmbio, sobreapreciada; segundo, essas taxas são menores do que as taxas que o Brasil poderia potencialmente crescer se utilizasse mais intensamente seus recursos naturais e sua mão-de-obra barata para competir internacionalmente.
