1 200500177 1/ """""1" 1111" FUNDAÇÃO GETULIO V ARGAS ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO /liI"'"1"" 11111 STEPHANIE LEA BLUE ANÁLISE DE RISCO DE CRÉDITO: Fatores que dificultam o processo para os bancos no sistema financeiro tradicional brasileiro. SÃO PAULO 2004 STEPHANIE LEA BLUE ANÁLISE DE RISCO DE CRÉDITO: Fatores que dificultam o processo para os bancos no sistema financeiro tradicional brasileiro Dissertação apresentada à Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, como requisito para obtenção do título de Mestre em Administração de Empresas Campo de conhecimento: Administração de Empresas Orientador: Prof. Dr. Fábio Gallo Garcia FGV-SP / BIBLIOTECA sAo PAULO 2 004 Im",mlll~ 1 200500177 11 BLUE, Stephanie Lea. Análise de risco de crédito: fatores que dificultam o processo para os bancos no sistema financeiro tradicional brasileiro / Stephanie Lea Blue. - 2004. 122 f. Orientador: Fábio Gallo Garcia Dissertação (mestrado) - Escola de Administração de Empresas de São Paulo. 1. Crédito bancário - Brasil. 2. Avaliação de riscos. 3. Devedores e credores. 4. Administração de risco. 5. Créditos - Avaliação de riscos. 111 STEPHANIE LEA BLUE ANÁLISE DE RISCO DE CRÉDITO: Fatores que dificultam o processo para os bancos no sistema financeiro tradicional brasileiro Dissertação apresentada à Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, como requisito para obtenção do título d e Mestre em Administração de Empresas Campo de conhecimento: Administração de Empresas Data de aprovação: _ ---:/ /_---- Profo Dro Fábio Gallo Garcia (Orientador) FGV-EAESP Profo Dro João Carlos Douat FGV-EAESP Profo Oro Luiz Alberto Bertucci UFMG IV RESUMO A concessão de crédito bancário não apresenta uma longa história no Brasil. Tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas a demanda por crédito ainda é baixa. Porém, ao longo dos últimos dez anos percebe-se a evolução da atividade creditícia no país. Hoje, a evolução da economia brasileira, a mudança de perfil da atuação das instituições financeiras e a demanda maior por crédito permitem a todos os agentes da economia uma maior familiaridade com a atividade. Como mostras dessa nova situação, vejamos que as bases de dados são mais consistentes e a tecnologia e os modelos são mais avançados. Mesmo assim, existem vários elementos no Brasil que complicam este processo e impedem uma análise mais precisa. Este estudo pretendeu identificar, no sistema brasileiro, quais os principais fatores que dificultam a análise de risco de crédito para o sistema financeiro. Palavras-chave: Crédito bancário - Brasil, Avaliação de riscos, Devedores e credores, Administração de risco, Créditos - Avaliação de riscos v A BSTRACT Gredit concession does not have a long history in Brazil. The demand for both personal and corporate credit is still low. Nevertheless, during the last ten years, there has been a notable evolution in credit activity in the country. The current development of the Brazilian economy, change in focus of financiai institutions, and stronger demand for credit allow ali economic participants greater familiarity with credit. More consistent data bases as well as more advanced models and technology are examples of this change. Even SO, there are various aspects of the Brazilian system that complicate this process and prevent a more precise analysis. The goal of this study is to identify the main factors within the Brazilian system that complicate credit risk analysis. Key Words: Bank Gredit - Brazil, Risk Evaluation, Debtors and Greditors, Risk Administration, Gredit - Risk Evaluation vi S UMÁRIO 1 I NTRODUÇÃO Objetivo Principal Objetivos Secundários Importância do problema proposto 1 1.1 1.2 1.3 2 1 2 2 7 R EVISÃO BIBLIOGRÁFICA Fontes Usadas Utilização das fontes 2.1 2.2 3 7 7 16 METODOLOGIA Estrutura O s Bancos Questionamentos Nota Final Sobre Metodologia 3.1 3.2 3.3 3.4 4 16 16 17 18 19 RESULTADOS Dificuldades de Analisar Risco no Sistema Brasileiro 4.1 19 19 22 24 26 28 4.1.1 Disponibilidade de Informação 4.1.2 Garantias 4.1.3 A ssuntos Externos 4.2 5 S umário d e R esultados CONCLUSÕES O que pode ser feito no futuro próximo? 5.1 28 vii 5.1.1 Disponibilidade de Informações 5.1.2 Garantias 5.1.3 Assuntos Externos 5.2 6 Observações Finais 28 29 30 31 32 35 REFERÊNCIAS ANEXOS 7 V111 1 INTRODUÇÃO A concessão de crédito bancário não apresenta uma longa história no Brasil. Até a implementação do Plano Real em 1994, o desempenho econômico apresentado, com inflação alta e recessão, fez com que as empresas e mesmo as pessoas físicas demandassem pouco crédito. Basta a observação do nível de endividamento médio das 500 maiores empresas brasileiras e verificaremos um nível de concessão de crédito muito baixo. Tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas a demanda por crédito ainda é baixa. Porém, ao longo dos últimos dez anos percebe-se a evolução da atividade creditícia no país. Hoje, a evolução da economia brasileira, a mudança de perfil da atuação das instituições financeiras e a demanda maior por crédito permitem a todos os agentes da economia uma maior familiaridade com a atividade. Como mostras dessa nova situação, vejamos que as bases de dados são mais consistentes e estão mais disponíveis porque os segmentos de corporate, middle e varejo têm históricos mais longos de pedir empréstimos. A tecnologia e os modelos também são mais avançados e permitem O sistema brasileiro maior poder de especialização e previsão a cerca dos clientes. ganhou mais experiência e os profissionais nele atingiram outro nível na sua análise de risco de crédito. Mesmo assim, existem vários elementos no Brasil que complicam este processo e impedem uma análise mais precisa. Este estudo pretende identificar, no sistema brasileiro, quais os principais fatores que dificultam a análise de risco de crédito para o sistema financeiro. 1.1 Objetivo Principal O principal aspecto de análise neste estudo é a disponibilidade de informações relacionadas à análise de risco de crédito e utilizadas por bancos no sistema financeiro tradicional brasileiro. 1 Os conceitos explorados aqui são os relativos às bases de dados, a Central de Risco de Crédito (CRC), os birôs (negativos e positivos) e a informalidade, principalmente nas empresas de médio porte. 1.2 Objetivos Secundários Além disso, pretende-se explorar duas áreas: garantias e assuntos externos. Quanto às garantias, discutem-se brevemente duplicatas, warrants, garantias reais e cheques. Há a intenção de serem verificadas por meio de entrevistas com executivos da área d e crédito bancário as dificuldades que surgiram a partir de eventos econômicos e políticos recentes, assim como a consolidação no setor bancário e a concessão crédito para multinacionais. 1.3 Importância do problema proposto Ao longo dos últimos três anos e meio, a concessão de crédito para pessoas jurídicas e físicas experimentou um aumento significativo. Por exemplo, o gráfico no. 1 apresenta os dados de evolução de concessão de crédito bancário referente a operações livres no qual percebemos o crescimento de mais de 150%. Gráfico 1 - Operações com crédito livre (R$ bilhões) 250 200 i an 00 m ai s ei j an m ai s et j an ~ m ai ~ s et ~ j an m ai s ei j an ~ m ai ~ 00 00 M M M ro ro ro • P essoa F ísica Fonte: Banco Central d o Brasil 2 Verifica-se, também, apesar de uma queda recente na inadimplência, o risco de não cumprir a promessa de pagamento ainda é muito alto. A tabela no. 1 nos evidencia este aspecto. T abela 1.1 Inadimplência nas operações d e crédito maio d e 2 004 % ._ . Modialid~de ' . . _. ~. _ A cima d e 1 5 d ias 9 0 d ias P essoa j urídica 3.,6 1 9.7 4 ,2 4 ,6 2 ,5 4 .1 2,1 1 8,9 3 ,0 H otmoney Desconto d e d uplicatas Capital d e g iro C onta garan1i1ia A quisição d e b ens V endar 2.8 1,5 t ,5 0 ,9 1.5 1 ,7 '1.:8 13,1 8 ,3 A diantamen:o d e c on:rato d e c âmbio R epasses externos P essoa F ísica C heque especial Crédito p essoa! Aquisição d e b ens - Vet<:U[os Aquisição d e o utros b ens G,7 1,6 6 ,6 6,6 6,5 3 .0 1 2,2 1 0.2 1 8.9 1 0.2 Fonte: Banco Central do Brasil o gráfico no. 2 apresenta os dados de evolução da inadimplência nas operações de crédito ao longo dos últimos três anos e meio. Mesmo que o nível para uma pessoa jurídica diminuísse, a porcentagem de créditos com atraso acima de noventa dias para pessoas físicas subiu e hoje está igual à taxa de setembro 2000. Gráfico 1.2 Inadimplência nas operações d e crédito (% d e créditos com atraso acima d e noventa dias) 9 8 7 6 5 4 3 2 ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ 00 M M M - Total Geral - Pessoa J urídica - Pessoa F ísica Fonte: Banco Central d o Brasil 3 Esta inadimplência traz uma contribuição significativa ao s pread bancário. O gráfico no. 3 exibe a decomposição do spread das operações prefixadas nos cinco componentes principais, com dados semestrais para o período entre agosto de 1999 e agosto de 2003. 16,1%. Em agosto de 2003, as despesas administrativas representavam Gráfico 1.3 Decomposição do spread bancário (% a o ano) 60 50 40~ 20 q r. .4 30 ' , ,.' .. ~ j __ ~L- 10 o ~ __ ~~ __ ~ _ ___ ~ _ ___ ~L- __ ~L- __ ~L- __ ~ ~" ~oo ~oo ~~ ~~ ~~ ~~ ~oo ~oo . Despesas com Inadimplência • Despesas Administrativas '1lmpostos Diretos Elt,'argem Líquida d o Banco • I mpostos Indiretos + FGC Fonte: Banco Central do Brasil O gráfico no. 4 apresenta a evolução do spread médio das operações de crédito a taxas prefixadas. Percebemos que houve uma queda notável até maio 2004 na taxa para pessoas físicas. Gráfico 1.4 Spead médio das operações de crédito a taxas prefixadas (% ao ano) 75 65 55 45 35 25 15 i , i , I , i , i , i , i , I , i , i , I , I , I , I jan 00 mai 00 s et 00 i an 01 mai 01 s et 01 j an 02 mai 02 s et 02 i an 03 m ai 03 s et 03 i an 04 mai 04 - -rotal Geral - Pessoas J urÍdicas ~essoas F ísicas Fonte: Banco Central d o Brasil 4 A tabela no. 2 provê quebras dos spreads nas operações de crédito prefixadas. Tabela 1.2 Spreads nas operações de crédito prefixadas (% ao ano) P essoa j urídica Desconto d e cl1JpflCatas Capital d e giro Conta garantida Aquisição de bens HC'imoney Vendar P essoa F ísica Cheque especial Crédito 'pessoal Aquisição de bens - Verwlos Aquisicâ:J de outros bens T otal Geral 20,1 2 9.0 13.1 3 9.0 8 .7 2 7.5 3.6 45,1 129.3 5 0.8 14,7 2 4,9 3 2.3 18.1 4 7.7 ~O.g 2 8,3 3 0.0 2 0.5 S e.6 2 5,2 25.1 1 8.5 52,6 1 0.0 3 3.0 5 .6 4 5,2 125.4 55,6 17~2 16.2 35~ t 3 1.2 5.1 50,1 141,1 6 32 :7.1 4 3.9 4 0,3 7,0 60,0 153.3 7 4,0 4 5,5 3 4,5 24.5 5 2.7 4 3.3 47,8 38,0 Fonte: Banco do Brasil Os dados apresentados particularmente em relação ao crescimento do nível de concessão de crédito, o alto nível de inadimplência e s pread bancário são indicativos da importância da análise de risco de crédito e dos objetivos deste estudo. No Brasil existem poucas referências bibliográficas a cerca dos fatores que dificultam a análise de crédito. Por outro lado, existem muitos textos sobre tópicos como os chamados 6 Cs do Crédito (Caráter, Capacidade, Condições, Capital, Conglomerado e Colateral) os quais são importantes porque formam a base de uma análise de risco intrínseco (risco do cliente). Os 6 Cs são conceitos importantes para a análise de risco, mas não se pode levar em conta somente os passos tomados e fatos relacionados. Tem que considerar se o Por exemplo, é sistema deixa o profissional fazer uma análise efetiva e eficiente. importante conhecer bem o caráter do devedor para entender melhor seu histórico de crédito e a possibilidade de cumprir a promessa de pagamento. Mas, a informação sobre sua experiência com crédito é disponível, transparente, e correta? O devedor está sendo penalizado quando deveria beneficiar? pagador quando ele tem um histórico positivo? Está pagando as taxas de um mau 5 Outros recursos existem para estudar este tema como dissertações, mas têm focos diferentes. Estas fontes provêem informações sobre a análise de risco de crédito, mas na área de ratings e a alocação de capital (regulamentação e o Acordo Basiléia). Não discutem os objetivos expostos nesta monografia. Em geral, há uma insuficiência na abordagem das dificuldades de analisar risco de crédito dentro do sistema bancário tradicional brasileiro e mais ausência ainda de estudos usando fontes originais como uma série de entrevistas com profissionais que atuam na área para captar o seu dia-adia e entender melhor a sua realidade. Por que é assim? Estas dificuldades existem devido a vários fatores culturais, legais, fiscais, econômicos, etc. As bases de dados, como exemplo, hoje são maiores do que antes mas ainda falta profundidade estrutural e a flexibilidade em sua utilização de maneira a permitir uma análise mais precisa. Este desafio do sistema mostra raízes culturais e econômicas, como percebido pelo fato da inexistência de longa história na concessão de crédito no Brasil. Estudar este tipo de problema é importante tanto para o povo brasileiro como a pesquisadora. Qualquer pessoa que trabalha com crédito (banqueiro, analista na Serasa, ou devedor) deve entender como funciona o sistema e por que existem os impedimentos. Assim, se pode evitar risco e até tomar passos para melhorar o sistema. A pesquisadora decidiu expor este problema específico com o fim de entender melhor o sistema financeiro brasileiro. Depois de trabalhar na área de investimento e fazer um estágio em uma financeira no Brasil, quis compreender as necessidades creditórias dos agentes econômicos (tanto pessoa física como jurídica) e as dificuldades de realizá-Ias. 6 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Fontes Usadas Vários livros e artigos foram consultados. Os livros trataram a gestão e análise d e risco de crédito. Quanto ao tema desta monografia, estas fontes ajudaram a entender melhor os 6 Cs e sua importância assim como as garantias nas operações de crédito. Os artigos tem origem em jornais e revistas consultados através de bases eletrônicas, que permitiram informações suplementares sobre o sistema bancário tradicional brasileiro (ie. a quantidade de crédito concedido e sua historia ao longo dos últimos 10 anos). Além disto, foram usados sites na Internet do BACEN e Serasa para conseguir mais informações detalhadas sobre áreas como o spread bancário e o nível de inadimplência no sistema bancário tradicional. 2.2 Utilização das fontes Com estes recursos, pode tratar os conceitos mais básicos deste estudo. Por exemplo, é importante descrever o que é a análise de risco de crédito. Segundo Schrickel, A análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão de crédito, dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações incompletas. Esta habilidade depende da capacidade de analisar logicamente situações, não raro, complexas, e chegar a uma conclusão clara, prática e factível de ser implementada. (SCHRICKEL, 1995, p.27) Segundo Pereira da Silva (PEREIRA da SILVA, 2003), o risco de crédito é a probabilidade de que a promessa de pagamento de um montante de dinheiro numa futura data não seja cumprida. Pereira aponta, também, o papel econômico e social do crédito: 1) Possibilita às empresas aumentarem seu nível de atividade 2) Estimula o consumo influenciando na demanda 3) Ajuda as pessoas a obterem moradia, bens e alimentos. 7 4) Facilita a execução de projetos para os quais as empresas não disponham de recursos próprios suficientes. José Roberto Securato descreve o crédito em várias maneiras. Uma o caracteriza como "o sacrifício de alguém em não consumir no presente, para que outros o façam". (SECURATO, p. 17, 2003) crédito. Aponta, ainda, uma definição mais ampla a respeito do "Em sua essência o crédito, ou mais propriamente a operação de crédito, é uma operação de empréstimo que sempre pode ser considerada dinheiro, ou caso comercial equivalente a dinheiro, sobre o qual incide uma remuneração que denominamos juros". Na classificação de crédito, Securato apresenta uma gama de situações: • • • • • Empréstimos pessoais Empréstimo para as empresas Operações de middle market Operações de corporate Operações a vista com pagamento em cheque Considerando subdivisões, uma classificação mais ampla inclui linhas de crédito específicas para as necessidades dos vários perfis de tomadores: a) crédito bancário b) crédito imobiliário c) crédito agrícola d) crédito ao consumidor e) crédito educativo f) crédito para pequenas e médias empresas. (SECURATO,2003) Os parâmetros básicos do crédito são os denominados 6 Cs, a saber: 1. Caráter, 8 2. Capacidade, 3. Condições, 4. Capital, 5. Conglomerado 6. Colateral. Os primeiros cinco tratam as variáveis relacionadas ao risco do cliente, e a quinta variável, Conglomerado, é nos ensinada por Pereira da Silva. Essas varáveis são usadas para classificar o risco de crédito, conhecido internacionalmente como rating. O rating, por sua vez, contribui para a precificação do crédito e a seleção de garantias (colateral) adequadas. Então, o sexto C (Colateral) fica como a conseqüência do risco mensurado do cliente. (PEREIRA da SILVA, 2003). Vejamos em detalhes os 6 Cs: A) Caráter O c aráter refere-se à intenção do devedor de cumprir a promessa de pagamento. O histórico e pontualidade do cliente no cumprimento de suas obrigações são muito importantes na análise de risco de crédito. Quando o banco mantém o histórico do relacionamento com o cliente, possibilita um melhor conhecimento do comportamento de crédito do cliente junto aos demais credores. Porém, existem casos quando novos clientes pagam em dia para até a obtenção de maiores limites de crédito, mas depois de atingir um volume de débitos importante, desaparecem e não pagam ao credor. Além disso, uma empresa em dificuldade financeira pode manter-se pontual para seus fomecedores mais importantes enquanto atrase em relação aos outros. Por isso, é importante investigar não somente as fontes mencionadas pelo devedor. (PEREIRA da SILVA, 2003) Estas informações vêm também de outros bancos e fornecedores. Empresas formam convênios para trocar experiências e opiniões sobre clientes. Caso não tenha uma estrutura ampla e organizada para formar convênios, os profissionais na área mantêm suas próprias redes informais de contatos. Outras fontes mais estruturadas incluem os Serviços de Proteção ao Crédito (SPC) e a Central de Risco de Crédito (CRC) do 9 BACEN (Banco Central do Brasil). O SPC registra as pessoas físicas que não pagam ou estão em atraso. Empresas comerciais e instituições financeiras filiadas aos SPCs recebem todas as informações creditícias dos potenciais tomadores de crédito. (PEREIRA da SILVA, 2003) A CRC foi criada em 1997 e é muito importante para os bancos. Todo banco é obrigado a fornecer ao BACEN a relação das operações acima de R$ 5.000 de seus clientes pessoas físicas ou jurídicas. Depois de agrupar essas informações pelo CPF e CNPJ, o BACEN faz um somatório do conjunto de compromissos (diretos e indiretos) de cada tomador e garantidor perante o sistema financeiro brasileiro. O encaminhamento da relação de operações é obrigatório e deve ser feito entre os dias 20 e 30 de cada mês. Os intermediários financeiros têm direto a consulta de informações, mas para realizá-Ia deve conseguir uma autorização escrita do cliente a ser pesquisado o crédito. (PEREIRA da SILVA, 2003 e ENTREVISTA com Banco 9) B) Capacidade A capacidade administrativa envolve o gerenciamento da empresa em sua plenitude, especialmente quanto à visão de futuro. Inclui a visão estratégica, o potencial de Quanto a sua capacidade administração, produção e comercialização da empresa. física, usualmente é prevista uma visita para conhecer as instalações, os métodos de trabalho e o grau de tecnologia utilizado. O estudo dos currículos e conduzir entrevista com os sócios é uma maneira de entender melhor a habilidade administrativa ou técnica do pessoal assim como as decisões estratégicas e a estrutura organizacional da empresa. (PEREIRA da SILVA, 2003) C) Condições Externas "As condições externas referem-se aos fatores não controláveis pela empresa, como a concorrência, as flutuações econômicas e os eventos naturais [... ]."(PEREIRA da SILVA, p. 79, 2003) Esses fatores extemos e macroeconômicos incluem o governo, a conjuntura nacional e internacional, os concorrentes e a globalização assim como a natureza e a ecologia. Podem ser forças que trazem oportunidades bem como dificuldades para as empresas. Por exemplo, uma mudança no clima como uma geada ou seca pode resultar em um aumento (ou queda) na demanda pelos produtos agrícolas. 10 Um evento assim afetaria uma análise de risco de crédito para essa empresa. (PEREIRA da SILVA, 2003) No seu discurso sobre os fatores determinantes da estrutura de capital das maiores empresas do Brasil, William Eid indica algumas das peculiaridades do mercado brasileiro que impactam as decisões de financiamento tomadas pelas empresas. Com certeza, esses fatores influenciam também como as empresas são analisadas. Destacam-se a inflação, as elevadas taxas de juros e que ''[. .. ] as linhas de crédito de longo prazo são restritas e normalmente direcionadas ao financiamento de investimentos específicos, mediante vinculação dos bens financiados como garantia das dívidas." (EID, p. 17, 2002) Há outros fatores para levar em conta. Entre eles se destaca a sensibilidade dos ramos de atividade. Existem alguns ramos de atividade que tem uma alta sensibilidade aos problemas de liquidez. Além disso, é importante considerar a influência do ramo de atividade para saber quais estão diretamente relacionados com outros por que tendem a sofrem suas influências. importantes. A sazonal idade do produto e a moda também são fatores Alguns mercados (ie. sorvete, madeira, etc) que dependem de épocas específicas. Fora da época, uma empresa que atua nesse mercado pode ficar inativa. Existem ramos de atividade cujos produtos variam de acordo com a moda. Isto significa que uma empresa que opera em um ramo assim tem que manter estoque atualizado e estar sempre preocupado por vender sua produção antes da próxima mudança de moda. (PEREIRA da SILVA, 2003) D) Capital "O capital abrange a análise financeira e patrimonial do tomador de recursos [... ]"(PEREIRA da SILVA, p. 79, 2003) O estudo deste C do crédito se faz através de uma análise dos índices financeiros. Na análise de crédito clássica, a metodologia básica inclui a utilização de índices financeiras nas áreas do desempenho operacional, cobertura de juros, alavancagem, liquidez, e recebíveis. A análise de capacidade de pagamento não só inclui um estudo do balanço e da demonstração de resultado, mas também pode ser feito com base em outras informações, sobretudo para autônomos e outros negócios que não podem apresentar demonstrações financeiras, mas requerem uma análise de risco de crédito. (PEREIRA da SILVA, 2003 e ALTMAN, 1998) 11 E) Conglomerado "A análise do conglomerado abrange a apreciação dos fatores de risco relativos às coligações, controles e vínculos." (PEREIRA da SILVA, p. 79, 2003) Este estudo do conjunto inclui o conglomerado de empresas no qual a pleiteante de crédito esteja contida. Torna-se importante entender quem são os donos do grupo. Trata-se de uma família ou várias pessoas sem ligação familiar? Eid indica que, no mercado brasileiro, existe a elevada concentração do controle acionário das empresas. Como é exercido o controle e quando há empresas múltiplas, quais as transações existentes entre as que integram o grupo? Existe o contexto onde uma empresa tem aparência para crédito, mas faz parte de um conjunto de empresas em fase de deterioração financeira. Uma matriz com problemas pode extrair recursos das filiais, deixando as filiais sem a capacidade de repagar suas obrigações financeiras. (PEREIRA da SILVA, 2003 e ElO, 2002) F) Colateral "O colateral refere-se à capacidade do cliente em oferecer garantias complementares".(PEREIRA da SILVA, p. 98, 2003). Esta segurança adicional é necessária mesmo para empresas com excelente classificação de risco. Dada a incerteza em relação ao futuro, o intermediário financeiro normalmente pede garantias para o financiamento de um projeto de longo prazo. A garantia pode se classificada como real (hipoteca, penhor, etc) ou pessoal (aval ou fiança). Na primeira, o devedor confere ao credor um direito sobre um ativo real para garantir o cumprimento da obrigação. Na definição da garantia, os fatores relevantes são os seguintes: a) o risco da empresa e operação b) a praticidade em sua constituição c) os custos incorridos para sua constituição d) o valor da garantia em relação ao valor da dívida (é suficiente para cobrir encargos e despesas) e) a depreciabilidade 12 f) o controle do credor sobre a própria garantia g) a liquidez. 1 (PEREIRA da SILVA, 2003) Alem do risco intrínseco, Pereira da Silva destaca outros tipos de risco relacionados à análise de risco de crédito. De maneira breve, no risco da operação, cada um dos componentes de uma transação (produto, montante, prazo, forma de pagamento, garantia e preço) tem sua potencialidade de risco. o risco de concentração ocorre quando a carteira de crédito do banco está concentrada num produto específico, numa região geográfica ou num segmento de atividade econômico. Assim, podem existir altas correlações positivas entre os ativos de crédito no portfolio. Neste caso, se precisa de uma política adequada de diversificação para reduzir risco. (PEREIRA da SILVA, 2003) Nem todas as fontes tratam os 6Cs e outros aspectos da análise de risco de crédito da mesma maneira. Por exemplo, para Edward Altman há somente três Cs do crédito: caráter, capacidade, e capital. Porém, ele indica a necessidade de considerar a indústria da empresa (condições), evitar uma concentração de ativos de crédito do mesmo segmento de atividade econômica (risco de concentração) e a importância do fluxo de caixa (tipo de colateral). Ele não menciona a importância da análise do conglomerado. (ALTMAN, 1998) Altman acredita que a análise de crédito clássica tem valor, mas é cara e míope. Ele indica a necessidade para flexibilidade no processo creditório. Por exemplo, o processo de analisar a Kellogg's vai ser diferente da análise de uma empresa de pequeno porte. Um devedor de rating AAA não compensa o custo deste estudo, mas é imperativo para uma empresa menor. (ALTMAN,1998) Senão, o credor pode ficar muito desapontado ao final. 2 1 " No Direito brasileiro, entretanto, não é habitual o uso da palavra colateral para caracterizar garantia e m operação de crédito; colateral indica apenas algo que está ao lado, e m paralelo. Entretanto, a garantia é sempre uma obrigação acessória de uma obrigação principal, que pode ser uma operação de crédito." (PEREIRA da SILVA, p. 98, 2003) 2 Este exemplo vem de um Vice-presidente sênior do Banco de Montreal. 13 Segundo Altman, as fraquezas da análise de crédito clássica incluem o alto custo de realizá-Ia. Os intermediários financeiros devem manter profissionais já treinados e sempre buscar investir em treinamento. Esta manutenção de capacidade intelectual é custosa e cria uma sensação de segurança falsa enquanto muitos bancos têm problemas sérios de crédito. 3 Além disso, existem muitas redundâncias que aumentam o custo da análise. Por exemplo, dentro a mesma organização, alguns dos mesmos passos da análise são tomados em departamentos diferentes ou em níveis hierárquicos diferentes. A repetição acaba sendo custosa. Com mais competição na indústria bancária, os profissionais da área ganham muita mobilidade, trocando constantemente entre as instituições do setor. É difícil também manter e crescer a participação de Os melhores clientes podem achar dinheiro mais mercado sem assumir mais risco. barato em outro lugar. (ALTMAN, 1998) Para Altman, esta análise de crédito clássica está associada com altos níveis de burocracia. Como os bancos apresentam uma estrutura hierárquica que não permite a flexibilidade, eles estão preparados apenas para uma estratégia de guerra convencional . (ALTMAN, p. 90, 1998) Hoje, por outro lado, existe uma estrutura de guerrilha no mercado e os bancos deveriam atuar com mais agilidade, sofisticação e flexibilidade para estar preparados. Como resultado, há um vão entre as práticas tradicionais dos bancos e a realidade financeira. (ALTMAN, 1998) No lado quantitativo, José Roberto Securato oferece um estudo muito focado na modelagem e nas formas estatísticas de analisar e avaliar o risco de crédito. ações, buscar adaptar o conceito de VAR ao ativo de crédito (CreditMetrics). 4 Além de discutir os passos para calcular o Value at Risk (VAR) de uma ação ou uma carteira de O CreditMetrics busca responder a pergunta: "Se o próximo ano é um ano ruim, quanto eu perderei em meus empréstimos e portfolio de empréstimos?" 3 4 " [ . •• ] Altman fala mais sobre o mercado nos EUA. modelos de VAR procuram medir a máxima perda de um ativo ou passivo, num dado período de tempo, a um certo nível de confiança (por exemplo, 95%, 99%, etc.)." (ROBERTO SECURA TO. p.276, 2002) 14 Securato provê também um modelo para ajudar a identificar quais as empresas que têm a maior probabilidade de falir. O Modelo Escore-Z de Altman, diferentemente de estudos anteriores, é uma combinação de indicadores que discernem entre empresas saudáveis e falidas em vez de uma forma de considerá-los separadamente, não levando em conta as correlações entre eles. O produto do modelo é um escore que os credores usam para aprovar ou rejeitar crédito para a empresa. Segue o modelo e as variáveis. Tabela 2.1 Modelo Escore-Z de Altman Xl =medida de ativos líquidos de uma empresa por sua capitalização total X2 =medida de lucros e/ou prejuízos reinvestidos de uma empresa por sua capitalização total X3 =medida de produtividade dos ativos da empresa sem levar e m conta fatores tributários e alavancagem (LAJIRlAtivo Total) x. =medida da quanto os ativos podem cair de valor antes que o passivo supere o ativo, a empresa torne-se insolvente Xs =medida de capacidade de geração de faturamento dos ativos de uma empresa Xl =capital de giro X2 =lucros retidos ativo total ativo total X. =valor de mercado do patrimônio líquido valor escritual do passivo X 3=EBIT ativo total Xs vendas ativo total Fonte: SECURATO, pp.274-75, 2 002 Securato também apresenta uma variação deste modelo d e Altman para empresas d e capital fechado. escriturai em ~. Somente muda os pesos e substitui o valor de mercado pelo valor 15 3 M ETODOLOGIA 3.1 Estrutura Uma série de entrevistas pessoais foi realizada com profissionais que atuavam de alguma forma com risco de crédito bancário no Brasil. O tempo médio das entrevistas foi uma hora e 28 minutos e foram entrevistadas 21 pessoas. A faixa de experiência atuando na área de crédito era de cinco a mais de 30 anos. Foram consultados também profissionais que trabalham em financeiras, outros na implementação do Acordo Basiléia ou em outras áreas relacionadas ao crédito. As entrevistas mais relevantes e completas estão transcritas em anexo. A metodologia desenvolvida com utilização de entrevistas pessoais como base de pesquisa tem tanto desvantagens como vantagens. Extrair informação de pessoas é difícil, particularmente deve ser criada uma estrutura flexível que permita ao entrevistado não se sentir constrangido com suas respostas e ao mesmo tempo a manutenção dos controles sobre a conversa para evitar afastamento do objetivo proposto. Durante o desenvolvimento so processo, não sempre foi fácil atingir um maior grau de profundidade nos comentários e explicações porque o entrevistado não sabia a resposta, ou não quis responder, provavelmente por razões de confidencialidade. Por outro lado, foi muito valoroso obter informações diretas dos profissionais entrevistados, pois revelaram aspectos muito importantes com respeito ao tema aqui pesquisado. Esses aspectos se revelam muito importantes na medida que esse tipo de informação não é disponível nos textos acadêmicos. A teoria que suporta as análises e os conceitos gerais são bem conhecidas. Mas para entender os desafios que essas pessoas encontram no seu dia-a-dia e como esses são resolvidos, sobretudo quanto às peculiaridades no sistema brasileiro, as fontes originais são de inestimável valor. 3.2 Os Bancos Os bancos foram escolhidos para permitir capturar os segmentos: corporate, middle e varejo. Para isso, foi necessário entrevistar instituições de tamanhos e focos diferentes porque mesmo que um banco grande tenha uma carteira de middle, este segmento 16 envolve mais risco e requer uma dedicação de recursos, no qual a maioria dos bancos grandes não deseja assumir na análise das empresas. Assim, temos como importante consultar bancos que se concentram neste segmento. Outro fator importante para análise é que as empresas que são, costumeiramente, auditadas buscam crédito onde ele é mais barato, isto ocorre principalmente nas instituições financeiras de maior porte. Levando isso em conta, fatores gerais que dificultam o processo de análise de----risco como fontes de informações relevantes (ie. dados contábeis), as garantias aceitas e requeridas, assim como os efeitos de assuntos externos na análise dos clientes seriam diferentes entre os bancos. Algumas das instituições trabalham com outros produtos (ie. investimentos) ou mesmo são estrangeiros, mas todos oferecem crédito e tem seus próprios desafios na análise d e risco. 3.3 Questionamentos As três principais perguntas direcionadas aos entrevistados foram as seguintes: a) Como o banco identifica risco de crédito? b) Como o banco mensura risco de crédito? c) Como o banco administra risco de crédito? Uma lista de perguntas mais detalhadas foi utilizada quando do início da pesquisa, mas logo ficou claro que não havia como realizar muitas perguntas. Foi necessário limitá-Ias, mas ao mesmo tempo torná-Ias bastante abrangentes para extrair o máximo de informações possível e também permitir uma estrutura para que o entrevistado não ficasse perdido. Dessa maneira, as respostas destas três perguntas revelam uma riqueza de informações não somente sobre os passos que os profissionais tomam, mas também os problemas que eles enfrentam no processo de analisar o risco do cliente e da operação proposta. Havia questões secundárias, mas sempre relacionadas ao tópico fundamental para extrair detalhes e clarificações ou para simplesmente obter um melhor entendimento da instituição e do entrevistado. Este método de conseguir informação é um passo natural 17 e esperado. "A coleta de dados segue um plano formal, mas as informações específicas que podem se tornar relevantes a um estudo de caso não são previsíveis imediatamente." (YIN, 2001, p. 82)5 3.4 Nota Final Sobre Metodologia Finalmente, é preciso explicar sobre a forma de apresentar as entrevistas que seguem em anexo. A enumeração dos bancos (ie. Banco 1, Banco 9, Banco 11, etc.) refere-se à ordem das entrevistas. Seus números originais permanecem os mesmos para mostrar não só quais realmente foram os mais úteis, mas também a aprendizagem da entrevistadora ao longo do processo. Ao passo que o conhecimento do tema cresce, a profundidade e precisão das perguntas tornam-se melhores. 6 Além disso, o leitor vai encontrar o termo "o Banco" nas transcrições. Não foram colocados os nomes reais por razões de privacidade e se usa o "B" maiúsculo para indicar quando o entrevistado fala do seu próprio banco em vez de um banco qualquer. Se o leitor observar com detalhes as entrevistas anexas na ordem apresentada e antes da seção de Resultados, será mais fácil entender a terminologia, lógica e importância trazida nos resultados e conclusões. É importante também se familiarizar com as conversas para perceber melhor a evolução da aprendizagem da entrevistadora e como foi mentalmente testada ao longo do processo intero. Algumas informações se apresentam em esquemas, gráficos e quadros ao longo das conversas. É importante checar a data das entrevistas porque às vezes, várias foram feitas com pessoas diferentes do mesmo banco. Por exemplo, há 14 bancos nas Referências, mas a entrevista transcrita para o Banco 8 foi uma das últimas feitas. Outras entrevistas foram feitas com o mesmo banco antes, mas não foram tão relevantes. 5 6 18 4 RESULTADOS 4.1 Dificuldades de Analisar Risco no Sistema Brasileiro Segue uma análise dos fatores principais extraídos das entrevistas que, hoje, dificultam o processo de análise d o risco de crédito. Os riscos podem ser divididos em três categorias: 1) disponibilidade de informação 2) garantias 3) assuntos externos. Com certeza, o leitor pode achar outros que merecem atenção ou até sugerir outra classificação de categorias. As entrevistas revelam importante riqueza de informação, tanto na perspectiva factual como quando manifestaram a sua própria opinião.. Essas três categorias foram escolhidas por sua relevância e presença ao longo das entrevistas. 4.1.1 Disponibilidade de Informação Todo entrevistado revela que um dos fatores que mais dificultam a análise de risco de crédito é a disponibilidade limitada de informação. Tanto no varejo como nos segmentos de middle e corporate, existe a necessidade de melhoraria da quantidade e confiabilidade dos dados. O entrevistado do Banco 1 se refere a esta situação quando falou do pouco tempo que o crédito tem no Brasil e como este trabalho vai exigir no futuro a inclusão de análises mais apuradas. 7 O Banco 11 também comenta sobre a importância de crescer as bases de dados para analisar o cliente e oferecer uma variedade maior de produtos com uma margem menor de erro. s Outra área onde há uma falta de informação é na Central de Risco de Crédito (CRC). 9 A CRC forneça aos bancos informações importantes como o valor total que 8 Veja entrevista com Banco 1 Veja entrevista com Banco 11 9 Veja p. 17 p ara uma explicação breve da CRC 7 19 um cliente tem perante o mercado e os vencimentos dos empréstimos. 10 Porém, não revela a origem (em quais bancos ou factorings) do crédito, além de não incluir valores embaixo de R$ 5.000. 11 Como muitas financeiras têm um tíquete médio por volta de R$ 1.500, todos estes empréstimos para pessoas físicas não constam na base da CRC .. 12 Além disso, esta base de dados não é atualizada diariamente. Como os bancos alimentam os dados entre o dia 20 e 30 é nem todos enviam seus dados ao mesmo tempo, é criada uma defasagem na atualização da base. Assim, pode existir um período em que os bancos e financeiras não sabem de todas as obrigações de um cliente e correm o risco de emprestar recursos para alguém ou empresa que já pediu e/ou recebeu crédito e ultra passou seu limite. 13 Os entrevistados também ressaltam que no sistema atual de crédito, falta um birô (bureau) positivo. 14 Há anos, a SERASA (Centralização de Serviços dos Bancos S/A), com a participação de bancos e financeiras, começou a construir uma base de dados positivos e fornecer esta informação. Só que por questões legais, teve que parar de disponibilizar a informação. (CARVALHO 2004) Os obstáculos legais não são o único problema; por falta de confiança, os bancos maiores não querem dar os nomes dos seus clientes, embora esta atribuição devesse ser da SERASA e não de um banco. 15 A SERASA oferece outras informações úteis na análise de risco de crédito, tais como, restrições (principalmente com bancos) e a quantidade de passagens ao longo dos últimos cinco ou seis meses. 16 Estas passagens indicam que alguém, quer seja banco, fornecedor ou factoring, consultou o SERASA. 17 Embora, esta fonte apresente certos 10 problema~~nformacionais. \ Por exemplo, não revela o valor A CRC vai fornecer tipos modalidades (fianç~s, capital de giro, BNDES etc.) Veja entrevista com os Bancos 4, 9, e 11 \ 12 Informação fornecida pelo Banco 3, em uma entrevista, 15/7/04 13 Veja entrevista com Banco 9 14 Veja entrevista com Banco 1 15 Veja entrevista com Banco 11 e informação fornecida pela Serasa, e m uma entrevista, 4 /8/04 16 "Passagens" são indicadores referente a um pedido de crédito (quer seja num b anco,factoring, ou outro credor ~ualquer) junto à SERASA. 1 Veja entrevista com Banco 9 Il 20 (R$) que foi objeto de consulta, a sua origem (em qual banco, factoring ou fornecedor), e se a empresa (que pediu o crédito) o recebeu ou não. O mesmo problema existe no segmento de varejo e em outros birôs como SPC e Equifax. O último aspecto considerado pelos entrevistados como falho é referente a informalidade constante dos demonstrativos econômico-financeiros particularmente nas empresas de médio porte. Todos revelam que ao analisarem as empresas d o middle, há dificuldades de serem obtidos dados confiáveis devido ao problema d o caixa dois. O entrevistado do Banco 9 indica que como muitas empresas vendem sem nota fiscal devido à concorrência e impostos, o Banco solicita os resultados gerenciais em vez de somente os dados contábeis. Acrescenta, ainda, que hoje em dia, conseguir estes dados extras é mais difícil pela falta de confiança e medo de entregar algo que poderia ser usado contra si em instâncias legais. Na entrevista com Banco 9, se nota que não é sempre o porte da empresa que indica a existência de um caixa dois, mas também a área de atuação. 18 O entrevistado do Banco 10 menciona também que outro problema com a informalidade é a mistura dos bens da empresa com os dos sócios da empresa. Ele menciona que enxergar a distinção entre a pessoa física e a jurídica para fazer a análise adequada é algo muito complicado. Um dos resultados negativos de toda esta informalidade é que as taxas, para compensar pelo risco adicional, tornam-se mais altas. Além disso, exige mais trabalho por parte do banco uma análise mais criteriosa com a menor margem de erro possível. Tudo isto significa mais tempo, energia e dinheiro. Vários entrevistados ressaltaram que mesmo que você consiga os dados reais do cliente, persiste a desconfiança sobre aquele crédito. 1 9 É importante adicionar que o problema de confiabilidade dos números não só existe na análise de empresas de médio porte, mas também nas empresas de grande porte. O entrevistado do Banco 8 mencionou que no segmento corporate, também existe 18 19 V eja entrevista com Banco 9 Veja entrevista com Banco 11 e B anco 9 21 preocupação com os números no sentido que nem sempre é conhecido possíveis erros de auditoria. 2o Além disso, o entrevistado do Banco 12 falou que este tipo de informalidade existe em todas empresas, inclusive nas grandes porque há o costume de serem prepararados mais de uma versão de demonstrações financeiras, por exemplo, uma versão para o banco na solicitação de crédito, a segunda versão para o governo como sua declaração de imposto de renda e a terceira versão, a versão real, que fica interna a empresa. 21 4.1.2 Garantias Todos os entrevistados admitem considerar vários tipos de garantias. Em muito depende do banco, de sua política e o tipo de risco do cliente. Algumas criam mais problemas do que outras na análise de risco de crédito. Por exemplo, uma garantia de duplicatas (normalmente usadas por empresas de médio porte) pode ser ''fria'', por serem emitidas em duplicidade ou podem ser falsas. Essa situação não é fácil de ser verificada pelo credor, principalmente porque ocorre do sacador querer entrar na negociação. Além disso, nem sempre a mercadoria está entrega quando a empresa quer "vender" a duplicata, criando risco de execução. 22 O entrevistado do Banco 9 adicionou que o credor pode ser obrigado a comprar as duplicatas ruins só para atingir outros negócios com duplicatas boas do mesmo cliente. 23 Outra garantia que traz dificuldades na análise é uma warrant. Como agronegócios têm atingido um papel importante no Brasil, este tipo de segurança e outras baseadas em produtos agrícolas são comuns hoje em dia. Mesmo que sejam consideradas garantias fortes, levam vários riscos como a possibilidade d e que o preço do produto despenque antes de ser vendido. Então o valor do título também cai. 20 Como o produto fica estocado antes de ser vendido, são incorridos custos Veja entrevista com Banco 8 Informação fornecida pelo Banco 12, e m uma entrevista. 03/8/04 22 Informação fornecida pelo Banco 13, e m uma entrevista, 05/8/04. T ambém veja entrevista com Banco 9. 23 Veja entrevista com Banco 9 21 22 adicionais como o custo de ter garantidor responsável pela guarda desse produto. O risco e a dificuldade de analisar a operação sobe quando se usa um penhor mercantil pela falta de um terceiro cuidando do produto antes de vendê-lo. O entrevistado do Banco 9 indica que "O warrant é mais firme porque tem um terceiro cuidando. O penhor não. 24 Quem cuida é o próprio cara que pegou o dinheiro emprestado." O entrevistado do Banco 11 incluiu recebíveis (de contratos) na sua lista de garantias. Este tipo seria difícil de analisar adequadamente devido ao risco de inadimplência por parte da empresa pagando ao cliente para prover o serviço no contrato. Há o risco de que após uns meses pagando normalmente pelo serviço, a empresa contratante deixe de pagar. Como conseqüência, o banco fica sem fonte e o cliente não consegue zerar sua conta com o banco. 25 o mesmo entrevistado do Banco 11 também mencionou garantias reais. Normalmente para pessoas jurídicas, seria financiamento de uma construção. Mesmo que o banco obtenha uma avaliação por uma empresa especializada da construção assim como seu valor no mercado se for vendido às pressas, isto não protege o banco da possibilidade que o prédio usado como garantia seja algo com liquidez. Pode perder muito dinheiro não só no valor do prédio, mas também no tempo e trabalho necessário para resolver o problema. 26 No segmento de varejo, no crédito imobiliário, podem surgir problemas no processo de retomar o bem devido a assuntos legais. Por exemplo, a entrevista com Banco 1 revela que se for a primeira casa de uma pessoa física, o processo de retomar o bem pode demorar anos, se conseguir. O entrevistado adiciona que os bancos são obrigados por leis a ter uma carteira de crédito imobiliário em função da poupança dele. Resulta que os bancos só emprestem o que é obrigado por lei e o crédito fica mais caro. 27 Veja entrevista com Banco 9 Informação fornecida pelo Banco 14, em uma entrevista, 13/8/04. Também veja entrevista com Banco I !. 26 Informação fornecida pelo Banco 14, em uma entrevista, l3/8/04. Também veja entrevista com Banco 11. 2? Veja entrevista com Banco 1 24 25 23 No segmento de varejo, no caso de automóveis, também é difícil retomar o bem quando o cliente deixa de pagar. Na entrevista com Banco 2, se revela que é muito difícil e custoso pegar o carro em menos de três ou quatro meses. Em cima dos quatro meses necessários para revender em leilão, há o custo adicional de recuperação do bem. Então este fator dificulta todo o processo de analise do risco de crédito para um indivíduo. 28 A garantia de cheques também leva um risco para os bancos. Como o entrevistado do Banco 9 indicou, no sistema hoje em dia, existe o risco de receber cheques sem fundos, quer seja da clientela da empresa ou dos parentes ou amigos que cedeu o cheque para o tomador do empréstimo. roubados ou falsos. Além disso, os cheques podem ser O resultado deste risco e falta de confiança nessa forma de pagamento. Torna-se necessário haver tecnologia e experiência adequada para a operação nesse segmento. uma perícia em todas áreas. 29 Todo banco nem pode nem quer tentar desenvolver 4.1 .3 Assuntos Externos Como vários entrevistados indicaram, fatores externos ao banco podem criar problemas na análise de risco de crédito. Por exemplo, o entrevistado do Banco 11 se refere a assuntos econômicos e políticos que têm que ser levados em conta na análise. Ele menciona as mudanças de políticos as quais podem ser interpretadas pelos investidores estrangeiros como um aumento de incerteza. A preocupação do Banco 11 é a diminuição da confiança no sistema financeiro brasileiro e a volatilidade no valor da moeda a que pode afetar negativamente o poder dos clientes com crédito em dólar (quer seja através do mesmo banco ou não) em pagar suas dívidas. É um fator difícil de incorporar com exatidão em uma análise. Como agrega o entrevistado, devido aos eventos econômicos e políticos, é difícil qualquer projeção no Brasil. 3 0 Acrescentando a perspectiva do Banco 11, o entrevistado do Banco 8 acrescenta que devido ao descasamento de moedas e o Veja entrevista com Banco 2 Veja entrevista com Banco 9. 30 Veja entrevista com Banco 11 28 29 24 risco de movimento de valor contra o real, o seu banco não gosta de conceder crédito em dólar no Brasil. 31 o Banco 9 também leva em conta fatores econômicos como o risco associado aos preços de produtos agrícolas. Aponta a dificuldade de trabalhar com warranties e outras garantias baseadas em produtos agrícolas, o entrevistado menciona que é muito difícil quantificar o risco. Esta dificuldade de enxergar o futuro valor da garantia devido a um evento externo, como a queda no preço do produto que serve como base da garantia, causa complicações na análise de crédito. Outro fator que o Banco 9 aponta, na atualidade, trata-se da confusão causada pela concentração no setor bancário. Como os maiores bancos estão comprando as carteiras de bancos menores, um cliente que tem uma linha de crédito com dois bancos pode ficar em dificuldades pelo fato de propensão ao corte de uma das linhas que ele já opera. Este é outro fator de complicação na análise de risco de crédito. 32 Finalmente, um assunto externo importante que pode dificultar a análise de risco de crédito é a relação entre a matriz e a filial de uma multinacional. Na entrevista com o Banco 8, foram discutidos alguns casos de multi nacionais cuja saúde financeira, na filial ou na matriz fora do Brasil, pode estar deteriorada dificulta a análise d o risco de conceder crédito. Primeiro, tem a situação onde a filial no Brasil parece ruim na análise, mas há uma matriz forte fora do país que pode ajudar a filial caso tenha dificuldades. Embora não tenha garantia disso, o banco espera que a matriz a apóie. O outro cenário acontece quando a filial no Brasil parece boa, mas a matriz apresenta problemas, a preocupação é que ela tire recursos da filial para salvar-se fora do Brasil. Assim, a filial não seria tão boa e pode ser um problema para o banco que lhe concedeu crédito. 33 31 32 33 Veja entrevista com Banco 8 Veja entrevista com Banco 9 Veja entrevista com Banco 8 25 4 .2 Sumário de Resultados Na tabela no. 1, os temas dominantes são a informalidade e a Central de Risco d e Crédito. São mencionados por várias razões. O Banco 9 foi o primeiro a discutir o papel das empresas informais. Mesmo o Banco 4 operando no segmento de middle, nunca mencionou este fator. Depois de entrevistar o Banco 9, a informalidade foi um tema indicado pela entrevistadora nas entrevistas seguintes. tópico importante para os entrevistados também. Este sempre foi um A CRC foi um conceito que normalmente acompanhava as discussões da Serasa e SPC. Aparentemente todos os entrevistados aproveitam-se desse recurso. A maioria deles mencionou as vantagens da CRC, mas não indicou as fraquezas d o sistema, somente quando essas desvantagens foram solicitadas. Tabela 4.1 - Disponibilidade de Informação: t ema identificado nas entrevistas ,-----, B~::::e--i- -I CRC , _ u".' Bir~ PO~iti:~-I,nformalida~e X I Banco 1 ! I B anc02-i I Banco 4 , I Banco 9 i I Banco 1 0 ,,i I Banco 11 I! i I Banco 8 I I ; X r =-- I I I rI I I I I I I X X X X I I I I , , I I I I X I I i -x---r r I I X X X X - I Fonte: Entrevista com Banco 1, 2, 4, 9, 10, 11, e 8 Na tabela no. 2 , o mais interessante é o fato que o Banco 8 hoje em dia aceita todo tipo de garantia. Com certeza, como é um banco grande tem mais recursos e experiência para a análise e gestão de uma variedade assim. Destaca-se também a presença das duplicatas nos bancos que trabalham com o middle. Só o Banco 11 não as aceita devido à sua política mais conservadora. 26 Tabela 4.2 - Garantias: o que se aceita na área de atuação dos entrevistados I I I Duplicatas I Warrant rsanco1--'.--.·---1 Banco 2 \ Banco 4 I Banco 9 I Banco 8 I Banco 10 rBanco 11 I I I I I XI X ,·---·-'--·)(-1I r-I- --I I I Aplicações I Reais X fAv8ll Outro -X-I X I X I I _J ... _..In IXI e8 I í I I I ,r---'-.--'--.-'.. x r --r--I I I I'-X---'-.-,: IL~IX_=, _ X I r-- X X I. r x-I ~.. u_ Fonte: Entrevista com Banco 1, 2, 4, 9, 10, 11, 27 5 CONCLUSÕES 5.1 O que pode ser feito no futuro próximo? Seguem-se algumas sugestões para melhorar a análise e minimizar o risco para os bancos tradicionais no futuro próximo. Além dessas idéias, existem várias outras para aperfeiçoar o sistema (como alterar leis e erradicar a informalidade), mas exigiriam mais tempo, recursos e poderão ser objeto de estudos posteriores. 5.1.1 Disponibilidade de Informações Como foi mencionado na entrevista com Banco 1, será importante seguir investindo na tecnologia e nos modelos para facilitar e avançar a análise e customização da informação do cliente com fim de melhorar a criação do rating, e a estimativa de retorno do cliente, que seja pessoa física ou pessoa jurídica. Quanto à pessoa física, embora seja mais fácil hoje em dia conseguir uma base histórica de dois ou três anos, é importante seguir agregando esta base de dados porque com mais cinco ou dez anos, a base vai ficar mais abrangente e a análise poderá ser muito mais apurada. Crescer as bases internas de dados não é a única coisa que pode ser feita para melhorar a disponibilidade de informações que se usam no processo de análise de risco de crédito. O CRC também precisa oferecer mais informações sobre clientes, sobretudo pessoas físicas com empréstimos abaixo de R$ 5.000. Tornar-se-ia mais completa se oferecesse informação sobre, pelo menos, os empréstimos acima de R$ 1.000 e se essas informações fossem atualizadas no tempo real ou pelo menos dentro de 24 horas. Assim, haveria menos risco de pessoas físicas tentarem ludibriar os bancos e financeiras através de tirar empréstimos múltiplos os quais, em total, são acima do seu limite. Por outro lado, deveria ser obrigatório que as factorings enviassem, também, suas informações. Outra maneira de prover mais informações úteis seria reconstruir o birô positivo. Com esta fonte mais a participação dos bancos maiores, os bons pagadores teriam acesso às taxas mais baixas em vez de todos serem obrigados a pagar taxas iguais 28 e mais altas. Ajudaria também na análise dos tomadores de crédito abaixo de R$ 5.000 que não apareçam no CRC e na análise dos devedores futuros para oferecer outros produtos com mais exatidão no preço. Quanto a dados marginais que são tratados na informalidade, se os tributos e o "caixa dois" seguirem no mesmo caminho atual, deverá ser desenvolvido um processo de mais confiança entre o banco e a empresa para atingir as informações corretas. Assim poder-se-ia chegar a uma decisão mais correta quando dá aprovação do crédito. 5.1 .2 Garantias Para minimizar risco e facilitar a análise de garantias, os bancos devem concentrarse nas áreas de perícia. Assim, podem ser evitados erros e perdas as quais resultam em taxas mais altas para todos clientes. Atualmente, algumas instituições executam este tipo de procedimento, como indicou o entrevistado do Banco 9, e como foi revelado pelo Banco 11. Por outro lado, há outros que mudam as garantias aceitas com as demandas do mercado. Não é que eles não devem trabalhar com vários tipos de cobertura, mas quando se coloca muita importância em um único tipo e ao mesmo tempo potencialmente aceitando-se tipos de garantia com a qual não se tem muito conhecimento, o grau de risco torna-se maior. Outro passo que ajudaria na análise de risco é a utilização de suas próprias redes de contatos. Como indicaram vários entrevistados, ajuda muito conversar com Ás vezes, esses contatos conhecem melhor não profissionais de outros bancos. somente a empresa que solicita empréstimo, mas também os sacadores de duplicatas para analisar melhor sua Iiquidez. 34 Um terceiro aspecto que pode ser implementado para facilitar a análise é a criação do departamento ou equipe dedicada à checagem e administração das garantias. Como indicou o entrevistado do Banco 10, que possui esse departamento em operação, isto ajuda muito no controle de risco. Com pessoas dedicadas ao controle, 34 V eja entrevista c om B anco 10 29 o banco teria mais conhecimento na sua área e ficaria mais cômodo concedendo e administrando o crédito. 5.1.3 Assuntos Externos Uma das coisas que os bancos poderiam buscar é evitar risco demais nos casos de operação de moedas. Basicamente, uma posição mais conservadora quanto ao crédito seria apropriado em um caso de risco de moeda, até não operar com o cliente. No caso a dívida não for com o próprio banco, pode solicitar acréscimos de garantias, oferecer um valor menor ou impor outros controles ou limites sobre a linha de crédito. Para facilitar e melhorar a análise de risco de crédito, hoje em dia os bancos devem desenvolver uma pol ítica ou método mais estruturado para levar em conta a concentração bancária quando há clientes que perdem uma linha de crédito devido à aquisição do próprio banco (o que está fazendo a análise) ou à aquisição de outro banco com o que seu cliente mantém operações. Assim, a análise vai ser mais precisa e o crédito concedido mais justo para a empresa a qual não se sentiria obrigada a recorrer à informalidade ou alterar suas demonstrações financeiras para adquirir mais recursos dos bancos. No caso de risco da matriz de uma empresa situada no Brasil, os bancos devem exigir mais recursos do cliente ou outra garantia para evitar que a companhia fique na inadimplência caso a matriz absorva ativos da filial. O banco não tem como evitar que a matriz tire riqueza da filial, mas pode incluir garantias reais como propriedade ou uma penalidade bastante maior para que a matriz fique desencorajada em agir d a maneira descrita. Se for o caso de alta probabilidade que a matriz absorva os bens da filial, apesar de qualquer contrato com o banco é melhor não operar com essa filial. Como o Banco 8 mencionou, é aceitável operar com uma filial nessa situação somente no caso de ser mais importante preservar ou estabelecer o relacionamento com a referida empresa e o banco possuir operações suficientes para absorver as perdas. 30 5.2 Observações Finais O presente estudo somente pretendeu ser um início de análise dos fatores que dificultam o risco de crédito, tanto para pessoas físicas como pessoas jurídicas. Há muitas outras elementos que se encaixam nesta discussão. Seguem algumas idéias para futuras pesquisas sobre este tema e melhorar o trabalho aqui realizado. • Estudar os efeitos contábeis da informalidade quando não se levam em conta em uma análise de crédito ou em uma análise errada • Focar num segmento (ie. varejo, middle ou corporate) só possibilitar uma análise mais detalhada • • • • Expandir as áreas de varejo e corporate através de mais entrevistas Expandir o estudo para incluir as Sociedades de Crédito Fazer uma comparação internacional. Concentrar o trabalho em uma área só como informalidade, garantias, ou assuntos externos que são obstáculos na análise d e risco de crédito. Com certeza existe uma variedade de maneiras de tratar a informação já colhida e agregar outras idéias. Espera-se que este estudo sirva como uma inspiração e um começo para outros estudos sobre este importante tema. Desta maneira, seriam gerados mais conhecimento sobre os desafios no processo de analise do risco de crédito nos bancos no Brasil e seria mais fácil iniciar e continuar a tomar passos na direção certa. 31 REFERÊNCIAS B ANCO C ENTRAL DO BRASIL. Julho 2004. < http://www.bcb.gov.br> BARALDI, Maria Regina et alo Manual de política e p rocesso decisório de crédito. S ão Paulo: IBCB, 1990. 77p. BIRÔ positivo de crédito ganha apoio. Valor Econômico. 7 d e abril 2003. Disponível em . A cesso em 19 j ulho 2004. C ARVALHO, Maria Christina. Crédito terá taxas mais compatíveis com o risco. Valor Econômico. 2 9 d e junho 2 004. 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ENTREVISTA com Banco 13, 05 d e agosto, 2004. ENTREVISTA com Banco 8 ,10 d e agosto, 2004. ENTREVISTA com Banco 1 4,13 d e agosto, 2004. ENTREVISTA com Banco Central, 16 de agosto, 2004. EQUIFAX. Julho 2004. FEBRABAN. Julho 2004. MODENA, Carla; MIYA, Fideo. Clientes concentram crédito num único banco. Invest news. 27 setembro 2000. Disponível em . Acesso em 19 julho 2004. OPINIÃO O Brasil e o Acordo de Basiléia. O Estado de São Paulo. 21 d e outubro 2003. Disponível em . Acesso em 19 julho 2004. PEREIRA da SILVA, José. Gestão e análise de risco de crédito. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2003. SCHRICKEL, Wolfgang Kurt. Análise de crédito: concessão e gerência de empréstimos. São Paulo: Atlas, 1994. SECURATO, José Roberto et aI. Crédito: análise e avaliação do risco: pessoas físicas e jurídicas. São Paulo: Saint Paul Institute of Finance, 2002. 350 p. SERASA. Julho 2004. VILELA, Eduardo. Entrevista. 07 de julho, 2004. ,. 33 YIN, Robert K. Estudo de caso: Planejamento e métodos. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. 34 ANEXOS 35 ANEXO A - BANCO 1 Sumário Banco: Nacional, Privado, Múltiplo Função do Entrevistado: Superintendente de Crédito - Área de Varejo Experiência do Entrevistado: Doutorado em Matemáticas; Tempo com Banco 1: 5 anos Matemáticas; Professor de 36 O rganograma C EO R isk Officer !. . .......... _ .......................... . I · . Risco Corporate Risco Oper/Mer/Crédito Risco Middle M arket Risco Oper/Mer/Crédito Risco Varejo Risco OperiMer/Crédito • Área Comercial Corporate • • • • • Á rea Comercial Middle M arket • • • Á rea Comercial Varejo Esquema 2.1 - A Organograma Atual Banco 1 Fonte: Entrevista com Banco 1, junho 2004 E ntrevista35 Qual a e strutura d a g estão d e r isco d e c rédito n o b anco? O s eja q ual a e strutura n o d epartamento? Está dividido em segmentos. Tem a parte de varejo (Risco Varejo), tem a parte que a gente se chama middle market (Risco Middle Marke~ e tem a parte de grandes corporações (Risco Corporate). Cada segmento tem o seu gestor de segmento de risco de crédito. Na área de varejo, temos vários caminhos. Por exemplo, a gente tem uma parte que cuida da mensuração de risco, todo tipo de mensuração, métodos quantitativos. [Há] pouco espaço para uma coisa manual. Tudo tem que ser bastante automatizado. A medida que a gente vai subindo na escala dos portes das empresas, quando a gente chega as grandes corporações, esta análise é feita muito mais caso a caso. [É] uma análise muito mais detalhada. Uma análise de uma proposta de um negócio de uma grande 35 Informação fornecida pelo Banco 1, e m u ma entrevista, e m j unho de 2004. 37 empresa pode demorar uma semana ou um mês, dependendo do volume. Porquê? Porque é feita uma análise econômica financeira. Quando a gente vem ao varejo, não. A análise tem que ser instantânea. Do meu ponto de vista, talvez as áreas de crédito do vários segmentos devam ser mais juntos. Na verdade, eles não reportam ao Risk Officer. Têm uma ligação direta com o CEO. Existe uma interação com o Risk Officer e ele está respondendo para eles. (O R isk O fficer)É uma pessoa só? Na verdade, é uma mistura. É uma diretoria inteira. Causa muita confusão? Sim. Hoje, estas áreas são relativamente autônomas. São businesses distintos. O varejo vê o business varejo. O middle market vê o business middle market e o corporate, o business corporate. E quem vê a consolidação destes três é o Risk Officer. Prestam satisfação ao Risk Officer, mas respondam diretamente para o CEO. Eu daqui não [o] vejo conglomerado. Eu vejo só as operações do varejo. [Seria] uma estrutura mais limpa para evitar confusão. Seria mais centralizada a figura do Risk Officer. A figura do Risk Officer seria mais em evidência, fortalecida. [Veja Esquema 1.2 - B abaixo] Há três anos fizeram esta separação entre as três áreas de risco. Cada tem sua própria diretória. Antes era tudo embaixo de uma única pessoa quem não era o Risk Officer, que não existia essa figura. Existia outra pessoa que cuidava de risco de mercado e operacional. CEO R isk Officer Risco Corporate Risco OperlMer/Crédito , .. Área ComerciaVCorporate - Risco Middle M arket Risco Oper/Mer/Crédito . ' .. . """ ~ .. ,. .' Área ComerciaVMiddle M arket , . - . Risco Varejo Risco OperlMer/Crédito -- . Área Com~rciallVarejo . -. .- . -- . Esquema ANEXO A.1 - B Organograma Preferido do Entrevistado Fonte: Entrevista com Banco 1, junho 2004 38 C omo se i dentifica o r isco? O Risk Officer cuida do risco de mercado e o risco operacional também. Ele é o diretor das três áreas. A identificação está por conta de cada um destas áreas. Aqui na área de varejo tenho que identificar fatores que fazem com que o pagamento não seja devidamente repago por banco. (13:14) C omo v ocê faz i sso? Através de análise economia social, análise demográfica, análise do comportamento do cliente dentro da instituição. São fatores fortes para montar este b ehavour scoring e credit scoring. É curioso sempre quando a gente conversa com [pessoas], que sejam consultores norte-americanos que sejam pessoas de bancos norte-americanos, que estão acostumados a ter um ciclo econômico o ter um banco de dados bastante longo com histórias bastante longas que é o que todo mundo devia ter. Eles ficam surpresos saber mesmo a gente não tendo um histórico muito longo e aí a gente consegue fazer uma boa presisão nestes modelos de behaviour. 36 É bastante robusto. É bastante forte. Estamos falando das pessoas físicas. As pequenas pessoas jurídicas se comportam basicamente como varejo. É relativamente fácil de ser modelado. Quando a gente começa subir o nível das empresas, ai os signos econômicos são um pouco mais relevantes, e aí o fosso (15:33) dos dados é um período curto e enche um pouco quando a gente pega as análises de empresas como Moody's e Standard & Poor's que têm um histórico muito longo; realmente a gente perde um pouco no foco da análise. Mas por outro lado, quando a gente passa por uma grande empresa, a análise é muito econômica financeira. Então, a gente tem uma analista especializada em vários setores. Isto acaba mais ou menos por compensar. Mas isto é uma característica aqui no Brasil, que a gente não tem este histórico de dados tão longo. A minha percepção falando com pessoas da Européia, fora da América do Norte talvez na Holanda ou Inglaterra [é que] este histórico não é muito bem organizado, não é muito longo da mesma forma que é na América do Norte (incluindo Canadá). Esta é a sensação que tenho trocando informações com colegas de bancos. Porque é a ssim? O mercado do Norte é naturalmente mais sofisticado desde há muito tempo atrás. Por exemplo, aqui no Brasil basicamente não existe um mercado secundário de crédito. Derivativos de crédito basicamente não existem e eles foram regulamentados. Esta cultura de crédito na América do Norte é muito forte. (17:36) Na Europa, a cultura de crédito não é tão comparável como em América do Norte. E uma coisa de eficiência. Eu acho que é eficiente se ter um mercado de crédito, e o único lugar em que isto realmente aflorou com todas as características positivas é América do Norte. Acho que grande parte de todo o desenvolvimento da América d o Norte é devido a isso, pessoas que tem capital e querem financiar obras. Como se faz isso é com crédito. O que nos EUA não foi construído com crédito? Muitas poucas coisas. Isso faz parte da cultura. Na Europa, a cultura, não sei se é porque passou por períodos de guerra muitos intensos, não sei porque, mas não buscam crédito. No Japão, também a cultura é de savings. Aqui no Brasil, as taxas de juros são muitos altas. Você busca crédito é um sinal de problemas. Mesmo para uma empresa. Uma empresa que não precisa de capital externo está passando uma situação melhor do que uma que 3 6" [. .. ] p or um histórico longo aqui no Brasil a gente tem d e desde 1994 para c á q ue começou com o Plano Real e quando a economia mais ou menos se estabeleceu em um formato que caminha até hoje [ ... ]" (Informação da mesma entrevista) 39 constantemente precisa. O custo é muito alto. [Tem duas] forma[s] de obter dinheiro, ou abre capital ou busca crédito. Aqui, poucas empresas abrem capital. É mais barato abrir capital do que pedir crédito. Nos EUA, emitir bonds de uma empresa qualquer, isso é uma coisa muito natural, mesmo para empresas pequenas. Aqui quando a gente fala de abrir capital, está falando de grandes empresas. Nos EUA, não é necessário abrir capital para ter acesso ao dinheiro. Pela emissão de bonds, se faz isso uma prática saudável com um mercado secundário muito forte. Aqui não existe um mercado de derivativos. (20:37) Na verdade o Banco Central regulamentou o mercado de derivativos de crédito. Do meu ponto de vista, a falha, o porque não vem sucesso dos derivativos de crédito aqui no Brasil pelo menos até agora, é porque foram restritos exclusivamente ao mercado financeiro. S omente o m ercado f inanceiro o s u tiliza? Exato. Do meu ponto de vista, a maior finalidade dos derivativos de crédito seria espalhar o risco para fora do sistema financeiro. Por exemplo, eu sou uma pessoa física, eu gostaria de ter acesso aos prêmios que o crédito paga. A única forma de poder fazer isso é comprar um derivativo de crédito. Eu, como pessoa física, não posso fazer isso porque eu não sou um agente no mercado financeiro individualmente. Um banco pode trocar derivativos de crédito com outro, mas o risco vai (21 :38) ficar dentro do sistema, ele não sai para fora do sistema. Isso, do meu ponto de vista, é o que limitou muito no mercado de derivativos. Acho que a idéia era boa do Banco Central. Foi começar com os derivativos entre os bancos dentro do sistema financeiro, ver como funciona, para ver se poder expandir um pouco mais. Para ver se u ma p essoa física p ode c omprar? Qualquer um. (22:10) D iminuir o r isco? Exato. Espalhar. Existe uma preocupação do Banco Central, que acho muito correto, que para entrar em um contrato de derivativos tem que ser muito consciente do que está fazendo porque[ ... ] é diferente de um fundo ordinário. O derivativo tem um downside. O dinheiro pode tudo sumir. Isso é a preocupação. Por isso, o Banco Central não quis abrir isso para o mercado todo. Está no p lano d o B anco C entral ( de a brir)? Esta questão de derivativos foi muito discutida há dois anos atrás quando finalmente o Banco Central...e isso foi uma coisa muito interessante do Banco Central de vir o mercado discutir e não simplesmente fica fechado? para fazer a norma dos derivativos de crédito.(23:15) Houve muito debate, muita conversa, e chegou a uma conclusão do que deveria fazer. Então talvez é uma coisa que, um pouco mais para frente, volte. Desse período para cá basicamente a gente parou passar para a inestabilidade do troco do governo. Existem outras preocupações na frente. C omo se a dministra o r isco? O mercado de crédito aqui no Brasil é basicamente hold-to-maturity. O seja, se te faço um empréstimo eu vou com você até o fim dele. (24:42) Eu não tenho instrumentos para trocar. 40 o b anco n ão t roca c om o utros b ancos? O mercado brasileiro não faz isso em geral. É hold-to-maturity. Você tem que administrar muito bem esta política de entrada de clientes na sua carteira. A concessão de crédito ganha uma importância muito grande. Um produto que é muito comum aqui no Brasil é o cheque especial. Você é cliente do banco. Eu te conheço muito bem, então falo "Stephanie tem uma linha de crédito comigo de R$ 5.000. Por qualquer motivo você saca com plástico, com cartão ou você passa um cheque. Na hora de que o cheque seja compensado você não tem dinheiro na sua conta até R$ 5.000 a mais de que você tem eu te cobro. O nosso módulo é muito parecido com risco de crédito de um cartão de crédito. (26:26) A diferença é que a taxa de juros do cheque especial é diária. Então você tem R$ 5.000 de limite, você está zerada na sua conta (não tem mais dinheiro seu), você passa um cheque de R$ 1000 reais. O dia em que esse cheque for descontado da sua conta, a partir daí, você está pagando taxa. Então dia-a-dia você vai pagar uma taxa do cheque até o dia que você deposite de volta o dinheiro. É um limite rotativo. Há uma diferença grande entre América do Norte e Brasil. O cartão de crédito não é tão popular quanto é no América do Norte. A q uanto e stá a taxa de cartão d e c rédito a qui? Ela é mais baixa do que o cheque especial. Chega a 10% ou 9% por mês. O cheque especial da ordem de 10% ou 11 %. Depende do cliente. É um dinheiro caro. Realmente, é um dinheiro muito caro. Vocês n ão u sam n enhum i nstrumento n o m ercado para a dministrar r isco? Não. Basicamente não. C olateral? G arantias? Sim. Isso sim. (28:53) (1 :15:22) O r ating s empre f oi a p rincipal m aneira d e a dministrar o r isco? Sim Q uais o s i nstrumentos e p olíticas u sados? Vamos supor crédito mobiliário. Existe um colateral muito claro. É o imóvel. Vamos supor você está comprando seu primeiro imóvel. Você não tem imóvel nenhum no seu nome. Você vem aqui ao banco. Você quer financiar. Eu passo a análise e falo "Muito bem Stephanie. Eu vou te financiar o imóvel." Fazemos todo o p aperwork e a gente começa a dar dinheiro. Você vai comprar o imóvel. Depois de um tempo você entra em default. Vai ser muito difícil para mim no banco executar a garantia ou pegar o colateral.(29:56) Existe uma série de leis que protege, especialmente o único imóvel que a pessoa tem no seu nome. P or e xemplo, eu n ão pago. Quanto t empo v ocê p recisa para p egar a m inha c asa c omo c olateral. Muito. Um a no? M enos? Não. Muito mais. Se conseguir. Isso é o custo legal que o Brasil paga. Quando a gente fala o risco Brasil, o que está envolvido nesse risco Brasil? Entre outras, coisas deste tipo. Então os bancos por leis são obrigados a ter uma carteira de crédito imobiliário em função da poupança que o banco tem. O seja,um 41 certo porcentual que entra nas cadernetas da poupança, (31 :00) os bancos são obrigados a ter esse porcentual em financiamento de crédito imobiliário. É uma lei. A boa parte dos bancos faz só o que é obrigado por lei. Se fosse seu segundo imóvel, eu conseguiria pegá-lo de volta com uma certa facilidade. [... ] A intenção da lei é boa, mas na prática, tem um efeito perverso. O crédito está ficando mais caro. As questões jurídicas nos casos de default são bastante complexas aqui no Brasil. [ ... ] (34:13) Os birôs de informações positivas aqui no Brasil são problemas. De forma geral, a acessibilidade de disso é muito mais como uma intrusão dos bancos na privacidade de cada indivíduo do que como um instrumento que pode eventualmente baixar os juros do sistema. Voltando de novo para América do Norte, os birôs existem, são efetivamente usados e isso faz com que a taxa (o spread bancário) baixa. (34:37) Porquê? Porque a mensuração de risco é muito mais poderosa, é muito melhor. É muito mais preditiva. Hoje as informações que são públicas são as negativas. Se você quiser abrir uma conta para você, até que você me prove o contrário, eu vou desconfiar de você. Se tivesse um birô, poderia consultar sua história de crédito. Por exemplo, Stephanie tem cartão de crédito há dez anos e nunca deu problema num lugar nenhum no mercado. Teria uma visão muito mais positiva. Como não tenho essa visão, você entra o banco, você tem que provar para mim que você é boa. (35:22) Seria uma diminuição grande (de risco) criar esses birôs positivos e os bancos estão todos discutindo isso mas é uma questão complicada porque vários aspetos legais que travam o processo. No caso de pessoas jurídicas, com uma empresa pequena, ela tem que deixar um forno ou uma geladeira ou uma coisa como colateral. (37:33) Existe outra coisa aqui no Brasil, falando de pessoas jurídicas que é o cheque prédatado. O cheque escrito é bastante fluente aqui no Brasil. Você entra uma loja e em vez de pagar tudo à vista, você dá três cheques. Um terço do valor, você paga no ato. O próximo cheque vai ser descontado daqui a 30 dias e o próximo daqui a 60 dias. Legalmente, não existe o cheque pré-datado aqui no Brasil. Mas é uma prática absolutamente comum. (38:32) Outro exemplo, hoje é dia 11 d e junho. Você deixa três cheques para 11/6, 11/7 e 11/8, cada um por R$ 300. Hoje o dono da loja vai no banco. Vai colocar este cheque na conta dele e vai ser compensado em dois dias. O segundo cheque, ele vai colocar teoricamente só daqui a um mês. Se ele colocar o segundo cheque hoje, o cheque não vai ser compensado porque do ponto de vista legal, não existe. Mas o fato é que é uma prática tão comum, este adiantamento não acontece. ?(39:51) Mas o que acontece? [... ] Este dinheiro (primeiro cheque) é líquido para ele [o lojista]. Em dois dias, ele vai ter seu dinheiro. Os outros cheques, ele vai tem que esperar 30 dias e 60 dias. O que ele faz? Ele pega os outros dois cheques, vai no banco, entrega os cheque pelo banco. Então na verdade tem R$ 600. Ele não deposita, mas o banco pega o cheque como garantia e faz um desconto. Então em vez de te dar R$ 600, o banco te da R$ 500 reais e fica com os cheques. Isso é o que se chama desconto de cheque. Isso é o que a gente tem mais próximo do mercado secundário. O cheque na verdade é um título. É como se fosse um b ond ou pessoal ou de uma outra empresa. (40:43) [ ... ] (42:22) O cheque na verdade é uma forma de crédito. 42 Às vezes, não vale a pena por banco negar o cheque. O valor é muito pequeno e este é uma prática muito comum. Os bancos pagam o cheque. Esse trânsito de cheque acaba funcionando mais ou menos como um mercado secundário, e explicitamente quando se faz esta operação de desconto, que é uma operação com garantia como se fosse um bond. Eu tenho promessa que alguém vá pagar o dinheiro. Você tem um cheque de R$ 1000 por daqui a um mês, te dou R$ 900 hoje você de dá o cheque. Eu comprei o cheque de você. Então i sto é o utro t ipo d e g arantia? Sim. Então v ocê u tiliza colateral, v ários t ipos d e g arantia, e o c heque e special? Sim mas o cheque especial não tem garantia. Então c olateral e g arantia s ão a s maneiras m ais c omuns d e a dministrar r isco? Sim. Vocês u sam o utro t ipo d e i nstrumento o u s ó p rincipalmente c olateral e g arantias? E análise de risco propriamente dita. (44:34) Um sistema de rating de um cliente. Qual s e u sa m ais? C olateral? T ipos d e g arantias? Falando do mercado de varejo, colateral e garantia ... muito pouco ... basicamente não tem. O que a gente chama de operações de aval não têm a garantia. O cartão de crédito não tem garantia. A gente não exige um limite depositado. Por exemplo, me lembro o primeiro cartão de crédito que tive nos EUA, meu limite era igual ao volume de dinheiro que depositasse em uma conta. Com um limite de $2000, eu tive que deixar $2000 depositados em uma conta. Isso não é aceito aqui. Eu não posso ter um limite de R$10.000 então deposito R$ 10.000 por banco. Isso não existe. Então é uma operação que não tem garantia, uma operação de aval. O cheque especial é da mesma forma. Ele não tem essa garantia. É uma operação de aval. Então na verdade, a gente tem nossos portfo/ios de clientes, o conjunto de todos os clientes que tenho. Eu tenho que segmentar. Em um conjunto opero, em outro pouco, e em outro não opero [ ... ] A gestão do risco está aqui. Dado que o mercado secundário basicamente não é existente, então, hoje resolvo te dar um cartão de crédito. Então eu tive que te dar um rating. Eu tive que fazer uma análise sua. Eu vou te dar um cartão de crédito e periodicamente, tipicamente mensalmente, eu tenho que estar pensando ... "eu vou cortar seu limite ou não? Eu vou aumentar seu limite ou não?" Com alguns indicadores diários. (47:09) Se você estourar muito seu limite, eu vou pedir que você ligue para mim. Coisas básicas que são bastante globalizadas. O cheque especial é a mesma coisa. Mensalmente eu vou pensar se quero continuar de fornecer esta linha de crédito. Eventualmente, vou ter que congelar ele, pegar todo seu saldo e te obrigar que você me pague primeiro para depois eu oferecer mais crédito. E com alguns indicadores diários também, se alguma coisa muito excepcional (47:48) aconteceu, eu tenho uma estrutura tecnológica que consegue bloquear seu limite de um dia por outro. 43 o seja, a maneira m ais c omum aqui de a dministrar r isco é c ontrolar o l imite d e d inheiro q ue o c liente t em? Sim. E ntão colateral e g arantias seriam 5%? Não tenho esses números na cabeça, mas realmente no varejo é muito baixo. Quando você passa por empresas por pessoas jurídicas, aí sim isso cresce. Sinceramente não tenho o número na cabeça, mas é consideravelmente. Até quando a gente fala das grandes corporações, o peso da garantia é muito forte. Quais o s r equisitos m ínimos d e c apital? 11 % por capital econômico. O Acordo Basiléia especifica 8%, um (ta t-ra te. O Banco Central levantou-o por 11 %. Q uando? No ano 2000 acho. Porquê? A c rise na A rgentina? Não. É um nível de segurança a mais que o Banco Central por algum motivo interno [colocou] o que acho que é razoável.(49:45) T em pára-choque? Não (1 :15:50) C omo se q uantifica a r edução n o í ndice de c apital n ecessário pela u tilização d os i nstrumentos? O seja, através d o u so d e u m i nstrumento p ara a dministrar o r isco, c omo p ode j ustificar a r eserva d e m enos d inheiro e a d isponibilidade m aior d e d inheiro para emprestar? Esse sistema de flat-rate, ele é perverso. Teoricamente, eu trabalhasse com clientes com menos risco que me dão um retorno menor. Em uma forma ruim, chegar a este 11 %. Eu caminho mais pelo caminho de mais risco para rentabilizar mais. Isto se chame de arbitragem regulatória. Aqui, no Brasil, o spread é muito alto, então a gente está em uma ... en qualquer faixa a gente tem uma rentabilidade muito grande. Então este 11 % acaba não sendo um i ssue importante para a gente. Mas eventualmente quando o mercado estiver mais enxuto, mais competitivo, isso vai ser um problema (51 :50) porque a base da remuneração minha é igual com clientes de muito risco e com clientes de pouco risco. Com o advento do Basiléia 11, isto deve ser aminorado. Vai deixar você ter buckets. Vocês têm ativos p onderados? Sim. O Banco Central define quais são os ativos. Essencialmente, no regulamento do Banco Central, na maioria das operações de crédito o peso é 11%. Internamente a gente desenvolveu uma metodologia para dar um peso justo. Então este modelo distribui este 11 % de forma diferenciada ao longo da carteira. Hoje a gente faz isso. A gente tem uma metodologia interna própria. Mas ao final das contas, eu tenho que alocar 11 %. [... ] E v ocês u sam este s istema d e rating para d eterminar se a pessoa tem a lta p robabilidade de d efault? Sim. É uma metodologia de avaliação de risco de crédito em portfolio que leva em conta o rating. É um processo baseado no G redit Risk Ptus (55:09) É uma metodologia pública que a gente internalizou e adaptou às necessidades internas do banco. E temos de fato usado ela. (55: 19) Não sei se seria o único banco no Brasil usá-lo, mas é um dos poucos que de fato usa. 44 Q uando v ocês c omeçaram a fazer i sto? Há mais de dois anos. A metodologia estava pronta e começou a ser utilizada em 2002. Houve algumas evoluções, mas basicamente é a mesma forma.(56:08) , (1:13:56) Você acha q ue ao l ongo d os ú ltimos s eis a nos, o BACEN tem c onseguido l iberar m ais c apital? Sim. Tem conseguido liberar de forma mais consciente, saber exatamente quanto custa a operação, qual potencial de risco e por tanto, quanto capital tem que alocar e por tanto, quanto tem que ser remunerado nesta operação. Devido à m etodologia o u m udança d ela, t êm a contecido m udanças t ecnológicas? (57:35) Hoje o Brasil tem 170 milhões de habitantes. Quarenta milhões são bancarizados. São pessoas que têm algum relacionamento com bancos, conta corrente ou cartão de saque ou uma coisa assim. Tem outras 130 milhões de pessoas que não têm acesso ao sistema financeiro. Então, se começa a falar muito em crédito para populações de baixa renda que hoje não são atendidas. E é exatamente a população de maior risco. Todos os bancos estão correndo atrás a população. Quando o risco de crédito é bem gerido, é uma população extremamente rentável. O ticket médio é muito baixo, mas um risco alto. São pessoas muito mais suscetíveis às crises econômicas. Quando começou i sto? (1 :00:00) Existem grupos trabalhando com isto há um bom tempo. Ganhou realmente um grande volume de dois anos para cá. E curiosamente com muitos grupos de estrangeiros. A Losango, que era do L1oyd's, o HSBC comprou. A CitiFinancial abriu já várias lojas aqui em São Paulo. O Unibanco comprou Fininvest. E agora Itaú está começando com sua própria financeira. É um mercado bastante sofisticado. É uma coisa bem para classes C e D. É um business extremamente rentável quando bem feito. A C&A é uma cadeira de lojas holandesas. Ela tem um branch nos EUA (tem outro nome). É uma loja de vestuário que atende ... era, no passado aqui no Brasil, de perfil bastante popular, mas de um dois ano para cá mudou um pouco o perfil, trazendo a imagem de uma top model para fazer uma propaganda. Então e!es metem na parte de roupas, eles deram um shift para cima. Tentaram atender uma classe um pouco melhor. E junto a C&A, exclusivamente aqui no Brasil, se abriu um ramal financeiro da empresa. Seu objetivo primeiro foi criar private labe/, o que é um cartão de crédito usado na loja e depois um cartão de crédito mesmo. É este private label basicamente começou nas classes C e D. E daí se foi subindo e deu corpo em uma instituição financeira que, o conglomerado todo, só tem esta função financeira aqui no Brasil. Aqui no Brasil especificamente, floresceu o business de financiamento. É um mercado bastante competitivo, bastante rentável e de altíssimo risco. (1 :03:21) Quais a s m udanças p ropostas p ara o b anco n o f uturo? (1 :03:21 )Nestes últimos seis anos se investiu muito em um bom sistema de rating, dado que a gente não tem os birôs de informação. A gente buscou um know-how muito forte. Isso hoje é nosso driver de mitigação de risco, saber em que mercado quer entrar e saber de que mercado quer sair. Do ponto de vista tecnológico, os bancos brasileiros sempre foram bastante avançados. Pela instabilidade da economia, e mudanças de moeda, os bancos tiveram que correr muito. A gente pode dizer que toda esta metodologia, que todo este sistema de rating, basicamente funciona online no banco. Eu te deixo 45 sacar dinheiro só se você realmente naquele momento tiver dinheiro. Esta estrutura tecnológica, basicamente em todos os bancos brasileiros sempre foi bastante desenvolvida neste sentido. (1 :06:45) O grande desenvolvimento durante este seis anos foi em este k now-how de criação de rating? (1 :07:18) e no armazenamento de informação. Isso realmente mudou muito. Hoje conseguir uma base histórica de dois ou três é uma coisa mais ou menos rotineira pra gente. Há três anos atrás não era. Era dolorido conseguir uma base de dados. Hoje não. Hoje, a gente realmente tem uma facilidade muito grande de conseguir informação interna. Isso realmente foi uma evolução muito grande. E n o f uturo? Eu acho que todo este k now-how deve mudar muito, este k now-how de rating. Hoje em dia a gente trabalha com informações "óbvias" para criar um rating. Acho que cada vez mais vai se (1 :08:20) descobrir as relações não óbvias de informações que o cliente tem dentro do conglomerado em um mercado para você estimar o risco de crédito de uma pessoa. A gente tem que ter tecnologias para facilitar muito mais acesso ao dado (1 :08:41) a informação em si. Mas também a busca por qual informação vou querer saber de qual cliente. A custominzação de informação por um tipo de cliente. Quero saber como é seu comportamento de crédito, de comportamento de relacionamento com banco. Em certa forma o risco de crédito vai se integrar muito mais às informações de relacionamento em geral do banco. Eu vou estar pensando também no valor do cliente, se seu risco de crédito paga o valor do cliente ou não. O risco de crédito é fundamental porque o risco de crédito pode quebrar o banco. Mas tenho que pensar em tudo o que está pagando o risco de crédito, o lifetime value do cliente, o que é que o cliente traz para esta instituição, de bom ou de ruim. Outra coisa importante, hoje em dia a gente integra os riscos. A gente tem risco operacional, risco de mercado, a integração destes riscos. C omo p or e xemplo? T er m ais c ontato c om a s p essoas em cada área? Sim. Eu tenho que pensar em quê risco operacional existe hoje quando a pessoa vai na A TM. Como é que este risco está sendo jogado pra dentro do preço do crédito? Então, esta integração de riscos é do ponto de vista de risco é a próxima fronteira, como o risco de mercado influencia o risco de crédito e como o risco de crédito influencia o risco de mercado. Existe um risco de crédito nas operações de câmbio, existe um risco de crédito nas operações de swap. Esta integração de riscos é um próximo passo bastante importante. É v ocês t êm r euniões para d iscutir i sto? T êm u ma p olítica? Em pontos específicos, a gente discute mensuração de risco de crédito em ambientes de operações de mercado. Como é que eu meço? Como é que eu quantifico (1 :12:35) Isto cada vez mais começa a aparecer. 46 ANEXO B - BANCO 2 Sumário Banco: Estrangeiro, Banco Múltiplo Função do entrevistado: Gerente Titular - Auto Finance & C onsumer Credito Experiência do entrevistado: Formado em engenharia; começou seu trabalho profissional no banco Safra como trainee em 1989 37 ; Foi gerente de produtos e depois foi responsável por uma mesa de crédito que englobava a análise e concessão de crédito de veículos leves (de passeio), assim como o fornecimento de taxas e tabelas para o país inteiro. Ficou nove anos no Banco Safra. Depois foi para Banco 2 em 1998 para montar a área de auto finance, o financiamento de veículos para pessoas físicas não correntistas. 37 0 Safra é o banco maior de Leasing no Brasil. (Informação verbal da mesma entrevista) 47 Organograma Diretor Geral I Gerente Regional Vendas Gerente MISlFinanças Gerente Planejamento Produtos Gerente S r. Crédito @ntrevistado) I Gerente I Mesa de Apoio Crédito Supervisor rédito c: Supervisor " Crédito Supervisor Crédito 3 Analistas Jr.lPlenolSr. I- 3 Analistas JrJPlenolSr. " I- 3 Analistas JrJPlenolSr. ~ Esquema ANEXO B.1 - Organograma Banco 2 Fonte: Entrevista com Banco 2, junho 2004 Entrevista38 (7:55) Sou responsável pela área de análise e concessão de crédito, também a atualização de políticas de crédito para consumer finance. A confirmação de informações e concessão de crédito é o foco principal. [... ] consegúir o volume maior com o menor write-oft possível. Todas as áreas dão apoio. Uma proposta entra nossa área, um cadastro. Aí é feita uma checagem e uma decisão de crédito dentro da minha alçada. (12:35) Uma vez [a proposta está] aprovada, você tem uma liberação, um pagamento da operação. Neste ponto, existe outra área, a área de operações de crédito. Não é minha gestão. Tem equipe para fazer este processo de pagamento. Depois, existe outra área que faz o controle dos documentos daquele financiamento, pendências, irregularidades, etc. Depois, você tem o processo de cobrança. É outra área. A manutenção do contrato (trocar carro, mas manter o crédito ou passar o financiamento ao nome de outra pessoa, etc). Temos uma área de crédito M/S. 38 Informação fornecida pelo Banco 2, em uma entrevista, e mjunho de 2004. 48 Temos uma área de Gredit Score em Curitiba. Em 1997, HSBC adquiriu Bamerindus em Paraná. (15:30). Como se identifica o r isco n a s ua á rea? Os pontos principais que a gente avalia: (25:25) A primeira questão é analisar em forma macro. Tenho evolução da carteira em milhões de reais, volume em outstanding e o número de contratos. Vou verificar inadimplência acima de 30 dias, 60 dias e acima de 90 dias. Para nosso produto, é o que vale mais. O primeiro ponto obviamente é se eu toco uma tendência de aumento, diminuição ou estabilidade, é a primeira coisa que vou ver. Se minha carteira crescer rápida e inadimplência crescer junto, temos problemas. Se a carteira crescer rápida e a inadimplência não, estamos no processo, no caminho correto. Isso é a análise inicial. L eva em c onta sazonal i dade? Não tem dúvida. Em dezembro tem queda e é o mês [quando] você recebe o 13° salário. Março tem um subido [porque] as pessoas têm férias e têm taxa de carro, IPTU e matrícula de escola de crianças, etc. A taxa de atraso para acima de 30 dias é muito importante para este produto. Por exemplo, em uma operação de financiamento de R$ 10.000 (valor presente), 24 parcelas, de R$ 600 em parcelas fixas, a taxa interna de retorno TIR = 2.5 - 3% amo Se eu atraso essa parcela, tem que pagar 12% am, o que é mais alta do que um cheque especial. (32:20) Como temos unidades de negoclos como Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, etc, tenho controle da inadimplência para verificar se há uma tendência de subir acima de 30 dias. [... ] acima de 90 [... ] isso é meu maior preocupação. Meu patamar em veículos mundial é de 2%. Dois por cento de inadimplência acima de 90 dias é o patamar legal. [... ] aceitável. Em forma geral, o mercado em veículos trabalha com isso. (34:05) A importância da inadimplência, é a estabilidade. Só tem estabilidade se fosse 12% am de inadimplência e a mantenho constante [ ... ] [Se] tenho o spread para suportar e o produto me dá lucro, não tem problema nenhum. (1 :33:55) Se 2% da inadimplência me gera lucro e 4% gera lucro com um spread maior, estou indo bem. Para comparar um banco com outro ... Qual meu patrimônio líquido (capital próprio) e qual o lucro meu? Se eu tenho um lucro em relação ao patrimônio líquido extremamente constante no decorrer do tempo e também a inadimplência da minha carteira [fica] constante, eu tenho um banco de baixo risco comparativamente a outros. (38:45) Temos um Risk Reward Programo É um guia para você montar um produto. Você tem variáveis para analisar a viabilidade do produto. Tem uma série de conceitos como receivables at year-end, average receivabJes, average Joan size, net charge, net profit, cost o f capital economic profit, net interest margin, gross new provision, orçamento, profit model [ ... ] [para] 2004, 2003 e 2005. Isto é extremamente importante para o controle de uma carteira. Tudo está planejado aqui. (44:40) Vou usar mais dados, saber inadimplência por faixa de idade do veículo. Um veículo novo tem uma inadimplência mais baixa do que um usado. Também, vou 49 usar analises de inadimplência acima de 30, 60 e 90 dias, prazo da operação, % financiado (do LTV), e valor financiado. 39 Tem relatórios de roll rates. Tem estes números por unidade e por marca. É você analiza isto todo mês? Todo mês. (46:30) Você faz um estudo por gênero, por homem e por mulher? gente já fez essa pesquisa. Não há diferença. Não. A Dando um exemplo de problema de inadimplência por unidade, se Belo Horizonte tivesse um problema de operações de um certo prazo [ ... ] tomaria ações de crédito para restringir um crédito de uma operação de um prazo mais longo ou aumentaria o spread. (48:00) Depois de ver as unidades, você vê os negócios de cada um e o concessionano. Nós cadastramos cada c oncessionário. Você cadastra concessionário X . Se a unidade de Belo Horizonte está ruim em inadimplência [ ... ], a gente vai adotar políticas e tem controles de inadimplência por concessionário [... ] o nosso produto, ele não tem volume de operações grandes ... ticket médio de R$ 10.000 é alto. 4o Na minha carteira hoje, não dá pra fazer um credit score que descrimine tão bem como (51 :14) se fizer uma operação com um milhão de clientes. Nós temos 100 e pouco mil clientes. Temos 5 mil dealers. A comunicação com o concessionário não tem problemas? Ele recebe informação da qualidade da carteira. [Por exemplo], você é dona de um concessionário. Você recebe o relatório e sua inadimplência é assim. Existe um concessionário da mesma marca, da mesma fabricante do você que tem uma carteira equivalente a sua e a inadimplência é muita mais baixa que a sua. Como é que você explica isso? [É o] processo de crédito mesmo. (53:00) Você é concessionário no Brasil. Você pode escolher o banco para financiar seus veículos. Existem Bancos A, B e C. Você tem opções. Por tanto, você faz uma seleção. O que mais lhe interesse, manda as propostas de melhor qualidade. Há uma certa tática neste sentido. O concessionário sabe que está nos enviando propostas ruins. Por exemplo, você é concessionário e tem um gerente que cuida dos negócios de financiamento. Este gerente seu fala para os vendedores "Olha, me manda as propostas e eu as distribuo para os bancos". Ele olha as propostas mesmo sem checar e fala "Bom, aqui este é autônomo. Ganha R$ 1.000". [É] uma proposta, um cadastro, que sem checar você sabe que é uma porcaria. (54:12) Essa passa por Banco A, outra passa por B, e outra por outro banco. Isso também depende das taxas e comissões para o financiamento. Tudo é um processo de negociar. Então, existem sim propostas de crédito que nós recebemos constantemente [e] acabamos por recusar ou propostas de crédito que passaram pelo banco dele de preferência, o banco recusou, e aí ele [as] manda pra gente. [É] outro dado. Existe uma série de questões que faz em que você tenha uma carteira de repente ruim comigo e muito boa com outro banco porque o processo de seleção 39 Loan-to-Value (LTV) é o índice do empréstimo ao valor da propriedade (R$ empréstimo/valor do auto). Quando se deixa uma entrada maior, o valor financiado vai ser menor e o LTV também. 4 0 (4:00) Ticket médio financiado das operações é R$ 5 -10M 50 não é justo, não é equilibrado. Às vezes propostas de má qualidade ele manda só para nós. Uma pessoa assim pode alterar a renda na proposta. Sim. Mas mesmo que altere neste processo, na hora que vem para mim ... [Por exemplo,] você é gerente de vendas de um concessionário que também é responsável por distribuir os cadastros. Um importante dado é de cada 100 carros vendidos, 60 deles são financiados. É considerável. Você altera um dado, você é responsável pelo que põe. Na hora que vem para mim em branco, eu vou checar essa renda ou ligar no trabalho ou ver no birô em fim. (56:06) Identifico que você não tem aquela renda. Ou se não consigo ter sucesso em ligar no departamento de Recursos Humanos porque às vezes eles não dão a renda, mas eu aprovo crédito mediante a apresentação de um holerite, no nosso processo, na hora que aprovo crédito condicionado neste documento, aquela área de pagamentos avalia no sistema a resposta que eu dei, recebe aqueles documentos e fala "não, o documento (teoricamente tem que mandar um holerite do valor) não bate, não veio um documento de comprovação de renda de R$ 1.500". E aí a operação não é paga e o crédito é recusado. Nós temos um processo que vincula uma coisa a outra. Quanto tempo precisa para preencher um cadastro e para cumprir todo o processo? Se for pela Internet [... ] depende do papo, da conversa, mas se ele for bem frio e só preencher, não há necessário no nosso caso, mas em 10 minutos você acaba preenchendo o cadastro. (58:25) O vendedor o manda pra gente e quer uma A resposta rápida. No caso de B2B, no nosso sistema demora 20 minutos. proposta está no sistema, nosso analista de crédito confirma residência, emprego, identidade da pessoa, [se tem] não restrições. Analisa os critérios de crédito e dá resposta em 20 minutos. Isso é nossa média. Existe o processo tradicional ou arcaico, o que é fax. Mas tem que ser utilizado. O tempo nosso médio de resposta é de 36 minutos. Neste produto há cerca de 10% de aprovação automática. O restante para análise julgamental. Qual proporção é B 2B e qual de f ax? (1 :00:00) Hoje 20% das propostas são da Internet e 80% do fax infelizmente. O B 2B é muito mais rápido, mais seguro para ele, pra gente, [e] muito mais limpo processo. (1 :01 :25) [... ] B ad Rate por Prazo conceito: Por exemplo, eu tenho 80 contratos em Fortaleza que fiz em agosto, 80 financiamentos. Qual porcentagem deles está em atraso acima de 60 dias seis meses depois? Então 6% dos 80 contratos estão em atraso pelo menos uma vez acima de 60 dias. Esse é o conceito de B ad Rate que a gente usa. [... ] B ad Rate p or Tempo de Emprego conceito: Teoricamente, quanto maior o tempo de emprego, menor a possibilidade de atrasar. (1 :03:42) (1 :04:12) [... ] Vintage over 30 conceito: Tenho cada mês o valor de produção em reais e Second Month on Book. Ou seja, por exemplo, em janeiro 2003 nós realizamos 4.900 contratos. Dois meses depois, desses 4.900 contratos qual porcentagem deles está em atraso acima de 30 dias? Eu olho em março qual os 51 contratos que não pagaram a primeira parcela em fevereiro? Tenho 4% deles [que] não pagaram. E três meses depois (3rd Month on Book), 5% e quatro meses [depois] 6%. Isto é importante para analisar o que é a safra. Por exemplo, esta safra de janeiro é pior do a safra de outubro. (1 :05:45) Aqui você tem auto financing em total e você analise também por unidade. É importante pra gente ver se tem alguma ação que se pode ser feita em alguma unidade apesar de ter a lógica de você fazer por concessionário, mas não temos safra por concessionário. Seria ideal. A gente toma ações específicas em cima da safra. Um exemplo prático. Em Manaus, a gente tem uma inadimplência maior do que a média do banco. Existem coisas raras em Manaus. Então vamos tomar uma série de ações para virar na Manaus. Vamos ser bastante restritivos para veículos acima de 8 anos de uso. [Para] toda proposta de crédito, (estamos em 2004 [então] todo veículo do 1996) vamos ser extremamente rigorosos no crédito. Tomamos essa decisão em fim em função dessa análise dos números aqui. [... ] (1 :06:58) Por exemplo, tomei uma ação no mês de agosto. (1 :08:15) A partir do mês de agosto, a inadimplência ficou menor. Eu consigo ver o resultado da minha política, ação, naquela unidade. Esse é caso real. A gente fez esta análise d e veículos acima de 6 anos de uso. Nitidamente, houve uma mudança de inadimplência. As safras são muito melhor. Quais as outras ações que vocês tomam? (1:09:13) Você tem ações de idade de veículo (2), de LTV, o seja entrada (1), de prazo da operação (3), valor financiado (4), marca do veículo como GM, Ford (5). Em uma ordem de prioridade, na prática de nosso negócio, o LTV é o mais importante. Uma pessoa que dá uma entrada grande, ela não vai atrasar porque vai perder dinheiro. Então este LTV obviamente explica esta lógica. Inclusive você nos EUA, nos sites de pesquisa, [quando] você faz um financiamento você tem lá [uma] entrada mínima de gira de 20%. Você vai comprar um carro. Você não dá entrada. Sai com carro do concessionário, teoricamente poderia andar com o carro por dois meses e depois devolver para mim em banco e falar "Olha não gostei do carro e não vou pagar também". (1:11:10) Ótimo! Você não gastou nada. Gasolina talvez. Para um auto, quanto tempo precisa para vocês pegar o bem? O tempo médio do que você recuperar esse bem é 120 dias. De 90 a 120 dias, eu retomo o bem. Nós temos um problema, nós e todo o mercado, que é a liberação para a venda desse veículo. Poder-se ser vendido em leilão demora mais quatro meses. Dentro de oito meses está fechado? Sim. O que pode ajudar é que se você devolver o bem amigavelmente. O que deve de juros se perdoa. Posso vendê-lo mais rápido. Aí poderia em quatro meses. (1 :13:30) Outros dados que se usam para analisar são números de MIS, de spread de rentabilidade, de produção de cada unidade, não preocupado com crédito ou inadimplência, mas com o aspecto de vendas. (1 :14:05)Quantos concessionários vocês têm? 3.000 52 Na minha área no tempo de resposta, tem controle de tempo de resposta. Por exemplo, [... ] nas faixas do LTV: até 59%, 60 - 79%, e acima de 80%. Porquê? [Porque] no LTV quanto menor, menor o risco. E eu preciso saber nas propostas como está distribuído o tempo de resposta. Por exemplo, o cliente deu 40% de entrada no veículo. Qual o tempo de resposta? De mês a mês, 54 minutos, 48, 39, [ ... ] O que quero mostrar é que [a] proposta com uma entrada maior tem tempo de resposta bem menor [do que uma proposta com entrada menor].(1 :15:46) (1 :27:50) Sou uma pessoa muito prática. O meu objetivo aqui é fazer um negócio de qualidade. 53 ANEXO C - BANCO 4 Sumário Banco: Nacional, Privado, Empresas de Médio e Grande Porte, Varejo Função do entrevistado: Chefe do Departamento: Controle de Crédito Experiência do entrevistado: (49:45) Eu iniciei aqui em 1966. Estou quase 38 anos com o mesmo patrão. Graças a Deus consegui um crescimento dentro da empresa. Quando O Banco 7 comprou só o banco comercial e a empresa de crédito mobiliário, ficou o banco de investimento, a financeira e o Leasing. Então eles criaram um conglomerado e me chamaram para trabalhar com eles. Eu tenho um passado com as pessoas aqui. Eles sabem da minha progressão dentro da empresa. Depois de ser escriturário, eu fui contador de agência, inspetor e trabalhei em várias cidades no Brasil. Quando me estabeleci em São Paulo, foi em 1980 quando foi contador geral do banco por oito anos. E depois na área de crédito já estou há praticamente 6 - 7 anos na área de controle de crédito. (52: 15) 54 O rganograma Presidente I Comitê d e Crédito 5 membros . .. I . ". Opto. d e Análise d e Crédito Opto. d e Control~ d e Aplicação . Gerencia Permanente d e Deferimento de C rédito .. S uperintendentes R egionais· Esquema ANEXO C.1 - Organograma Banco 4 Fonte: Entrevista com Banco 4, julho 2004 E ntrevista41 C omo s e i dentifica o r isco? Para identificar riscos, você tem que está fazendo analises de empresas, analisando balanços. Tem que estar acompanhado de diário o setor de atividades para identificar qual a situação de cada empresa perante o universo de outras empresas em relação à atividade dela. Os balanços dessas empresas são analisados, nós temos a Serasa que nos dá suporte de consultas de fichas de cadastral, de análises de balanços, índices de faturamento, índices de lucratividade [etc.] Em cima, disso tenho pessoal que trabalha na área de análises nossa que faz a coleta desses dados para está dando suporte ao nosso comitê de crédito que está sempre no dia a dia está aprovando o limite essas empresas. 41 I nformação fornecida pelo Banco 4, e m u ma entrevista, e m j ulho de 2004. 55 Qual porcentagem desse processo é automatizada e qual é julgamental? O processo é praticamente 90% automatizado desde que começa lá na agência, a elaboração de um pedido de limite de crédito. Este pedido é feito por um gerente que já fez uma visita à empresa e conhece o dia a dia da empresa. Em cima disso ele verifica quais são as necessidades da empresa e operações de crédito. Ele elabora a proposta no sistema. E aí começa a rodar essa proposta. Sobe para níveis superiores à agência que é o superintendente regional. Também faz uma análise sempre com dados e balanço da Serasa. Quando ele faz um limite de crédito, o sistema automaticamente vem aqui e pega as informações. Quando chega aqui, o que é a terceira fase é a análise de crédito, a pessoal aqui tem uma planilha de crédito. (2:37) Ela também é automática. Em cima dos balanços que tem na ficha da Serasa, ele extrai e joga nessa planilha, o faturamento, despesas, patrimônio líquido, uma série de índices preestabelecidas que ele faz nesta análise e já joga na planilha esses índices. A parte manual basicamente aqui é a colocação na planilha de crédito, o que o comitê vai analisar. Se o cliente já opera com a gente um tempo, o que é que ele tem hoje, qual é o limite atual, (3:16) e o que está sendo a nova proposição. No comitê, há cinco diretores que fazem as análises desses índices aqui e fazem a aprovação ou não do crédito para o cliente. É levado tudo em conta, setor de atividade, o que esta empresa tem desses índices em relação ao que tem esse setor. Tem uma média o setor. A Serasa nos dá os índices. [ ... ] (4:26) A minha área, depois de que é aprovado o crédito, dá decisão de que o comitê definiu, transcreve a proposição e fecha a proposta. Daqui, está pronta para operar com o cliente. [ ... ] Na liberação de crédito, o processo é todo automático também. A agência faz o cadastro da operação e a partir daí, os sistemas conversam entre si. O sistema de limite de crédito [onde é cadastrado tudo o que foi aprovado pelo comitê] e o sistema de empréstimo [onde se registram todas as operações] são sistemas independentes. (5:59) (8:57) E depois de ser um cliente por um ano digamos, como sabem se o risco tem subido ou baixado? Cada seis meses, o limite tem que ser reavaliado, no mesmo processo (para ver se mudou alguma coisa na ficha da Serasa). O risco nunca pode ser superior ao limite. Normalmente as operações de longo prazo (acima de 6 meses) são para operações de reparte de BNDES, financiamento de veículos, etc. (10: 15) No dia-a-dia de operações de capital de giro, sempre são de um prazo máximo de 6 meses, o que é o prazo do limite também. (11 :00) Quanto tempo demora o processo inteiro, desde que o cliente pede o empréstimo até a liberação de crédito? Depende das necessidades do cliente. Pode ser em um dia. De repente a agência de manhã inicia o processo, faz a proposta, isso é pelo sistema. Se for uma proposta simples, meia hora. Se for complexa pode colocar uma proposta no sistema em uma hora. Ela sobe para uma alçada superior. Aqui se preparam as análises da proposta que o comitê normalmente entre 10:00 e 11 :00 da manhã está vendo essa possibilidade e vai no próprio dia. Se for uma coisa de urgência mesmo, na parte da tarde o responsável pela área de análise pega essa proposta e individualmente começa a conversar com os membros do comitê. 56 M encionou que às vezes p ode a provar u m l imite e m meia hora. I sso s eria p ara c lientes d o m iddle e d o c orporate t ambém? Para qualquer caso. Todavia está necessidade da aprovação com urgência, sempre fica limitada a clientes com histórico de relacionamento já existente com o Banco. m áximo para o p rocesso? (12:18) Quando é somente uma prospecção de cliente, pode demorar 10 dias porque a gente tem muitas prioridades. [ ... ] Depois o limite é aprovado, às vezes nem é utilizado. Tem muita aprovação de limites para você puder chegar ao cliente. Então chega com um limite aprovado. Para você fazer o primeiro contato com o cliente, aprovou um limite. Nem sempre que foi aprovado é a necessidade do cliente. É apenas uma forma de chegar a esse cliente. J á tem um limite pré-analisado, pré-discutido com minha diretoria, gostaria de falar com a financeira da empresa. Às vezes nem utiliza esse limite dele. Isso para casos que não são clientes no nosso dia-a-dia. Para clientes que estão no nosso dia-a-dia, no máximo três dias a que o limite está aprovado. Em termos de (13:38) Qual o t amanho d a c arteira agora, u ma e stimativa? valores, colocamos as quatro empresas que nós temos, R$ 3 bilhões: o banco comercial, o banco de investimentos, a financeira e a leasing. São empresas independentes. O Banco não é um banco múltiplo. Era múltiplo. No Bradesco e Itaú, o banco comercial, de investimentos e a financeira estão dentro de um banco. (14:45) Mencionou Serasa. V ocês usam SPC t ambém? Utilizamos Serasa para cadastro e para restrições financeiras, protestas, concordatas e falências. Para operações de varejo, financiamento de veículos ou leasing de veículos, usamos SPC também. Para operações de corporate, só Serasa. Qual a d ivisão e ntre v arejo e c orporate p ara v ocês? O varejo está em operações da financeira, o CDC e leasing para pessoa física. Em t ermos d e ativos, é c omo 30% d e v arejo e 70% d e m iddle e c orporate? Sim mais ou menos. (16:19) o t empo 57 Carteira das 4 Empresas (R$ bilhões) Varejo R $0.90, 30% I!l Corporate/Middle • Varejo Corporate Middle R$ 2.10, 70% Gráfico ANEXO C.1 - Carteira Banco 4 Fonte: Entrevista com Banco 4, junho 2 004 Sempre foi assim neste banco? Nunca passou de 35 ou 40%. Qual o tamanho da carteira do segmento corporate e do middle? A composição da carteira gira em torno de 80% para segmento c orporate e 20% para middle. 58 Carteira - Corporate vs. Middle Middle, R$ 0.42, 20% 13 Corporate • Middle Corporate, R$1.68,80% Gráfico ANEXO C.2 - Carteira Banco 4 Fonte: Entrevista com Banco 4, junho 2004 o p rocesso d e a nalisar u m c liente d e m iddle é i gual ao d o corporate? Sim o processo é o mesmo. Acaba d e e xplicar c omo i dentifica r isco: t oda e sta a nálise, liberam d inheiro e c ontrolam o l imite. Tem uma maneira d e m ensurar o r isco? (17:40) Existe. Agora nós temos a ferramenta de Central de Risco do Banco Central. [... ] Eu vou lá para buscar os riscos que essa empresa tem no mercado financeiro, para verificar qual a situação nossa perante o mercado, e qual a avaliação que tem. Hoje tem obrigatoriamente a classificação da empresa por rating. A classificação por rating vai de AA, o que é o maior, até o pior que é o H. Então, nessa faixa, temos que classificar todas nossas operações de crédito e mandar para o Central de Crédito. Na mesma forma que a gente informa, todos os bancos também informam. A gente acaba sempre tendo a autorização do cliente para fazer essa consulta. Para fazer consulta, é necessário que o cliente autoriza. E aí a gente vai verificar qual é o endividamento perante o mercado financeiro. Em que atividades está endividado? Operações de curto prazo, longo prazo? A faixa de vencimento? É de 60, 90, 180 dias? A gente abre o leque da divida desse cliente no mercado financeiro por vencimentos. (19:38) Isto dá também para você checar o balanço dele (a dívida). A classificação é feita de provisão para perdas. O menor nível começa com 0,5% até o maior nível que vai a 100%. Se eu detectar alguma operação que vai dar problema de liquidez, eu pioro a classificação dela e vou aplicar as porcentuais de provisão que acho necessário para ela. De acordo com a probabilidade de risco que a gente dá para ela, a gente a classifica. [Por exemplo,] se eu vejo uma probabilidade de perda de 30%. Faço uma provisão. Isso é pra carteira toda. (21 :13) 59 E ntão v ocês d eterminam a c lassificação? De acordo a análise que foi feita do cliente, eu coloco um rating para ele. E c omo s e faz exatamente esta análise para a c lassificação d o r ating? Eu tenho a classificação do cliente na Serasa. A Serasa me dá um rating na qual a probabilidade de risco desse cliente é X . (22:06) Em cima do rating dela, eu vou verificar qual é a garantia que a operação está oferecendo. Daqui eu posso melhorar esse rating que Serasa me passou. Essa garantia vem com duplicatas. As operações nossas aqui, muito pouco operações são feitas sem garantia clean. A maioria com duplicatas, com aval. Também consideramos o tempo que a empresa tem de relacionamento com o banco. Alguns têm 20 ou 30 anos com o banco. Você sabe como é o cliente. (23:03) (24:20) O r ating v ocê faz também ao c omeço? É p arte d a p rimeira a nálise? O cliente quer capital de giro, e por isso te dá duplicatas como garantia. Aí, vou verificar o rating que Serasa me deu. Na Serase é por número ie. 5. Qual o relacionamento que esta empresa tem? Muitos anos? Tem mais um peso aqui. Tem garantia? Cada tipo de garantia me dá um peso. Em cima de tudo isso, a gente tem uma tabela que você define X pontos, 30 pontos e o rating pode ser A. A pontuação para chegar a um A tem que ser 30 para acima. Depende muito se o controlador dela é nacional ou estrangeiro. Tudo isso leva uma pontuação. (25:33) Quando tem uma operação que você acha que o risco dela vai ser O, ou pior não opera mais. Tem o utras g arantias? Duplicatas, aval, às vezes aplicações dele que tem com a gente como um CDB. Se for um cliente que opera com a gente muito tempo, é um grupo financeiro de representatividade perante o seu setor de atividade, nem garantia a gente pede para ele. Opera sem garantia mesmo. (26:47) Este p rocesso é q uase t udo a utomatizado? É praticamente tudo automatizado. Depende d oinput das pessoas. [ ... ] (27:53) Para pessoa física, nós E para u ma p essoa física, v ocês fazem u m s core? temos um critério de limite que é em cima de score. Ele leva em consideração renda, idade da pessoa, endividamento do Banco Central, os bens que ele tem, uma série de coisas que vai se colocando no sistema. Pode operar em R$ 15.000 ou R$ 20.000 para financiamento de veículo. (28:30) Todas as instituições financeiras são obrigadas a fornecer mensalmente ao Banco Central quanto que cada cliente tem de divida com ele que seja pessoa física ou jurídica ... dívidas iguais ou superior a R$ 5.000. A gente fornece o nome, CPF e a montante da dívida que ele tem escalonada por faixas de vencimento. Você tem 60, 90, 120, 180,260 etc. (29:34) (33:02) Então v ocês n ão têm c omo s aber q ue eu t enho o utra d ívida c om f inanceira X além d o B anco Central? Não. Desde que o cliente autorize o outro banco [além do BACEN] a fazer consulta, por Banco Central não tem problema. Se 60 .. fizermos consultas no Central de Risco sem autorização, o Banco Central pode imputar penalidade. (34:32) o seja amanhã eu p osso i r para u ma financeira e pegar u m e mpréstimo. Dois d ias d epois, eu p osso fazer o m esmo p orque i sso (a reportagem ao C entral d e R isco) é s omente u ma vez p or m ês? Pode. Acontece. Quando a gente faz consulta a Serasa, a gente tem um indicador lá que mostra para nós as últimas consultas que foram feitas com teu CPF lá na Serasa. Passagens? Passagens. (35:20) A gente pega um CPF que foi consultado lá por vários bancos nos últimos 10-15 dias, já acende uma luz. Este cliente ou fez ou tentou fazer e não conseguiu. Então é um cliente que você deve analisar com mais cuidado. (35:42) (35:55) A diferença entre Serasa e SPC é ? A diferença basicamente é só para pessoas jurídicas. Para pessoa física, são basicamente a mesma coisa. O SPC tem muito mais pendências de comércio. Na Serasa, são poucas as empresas que mandam restrições, somente bancos. Serasa trabalha muito com os bancos. Serasa também tem pendências de contas de telefones. Você fez uma compra em uma loja de comércio em quatro pagamentos e deixa de pagar, anda para SPC ... Para fazer convênio com Serasa ou SPC, tem que pagar... para consultar também tem custo.(37:36) (38: 12) Então para mensuração, usam as n otas d e c lassificação. Cada letra, o Banco Central coloca um nível de provisão necessário para sua carteira. o m esmo para pessoa física? Para pessoa física, a gente basicamente mantém de rating de B. Tem pessoas que têm aplicações com a gente também. Tem fundos de renda fixa. Às vezes não quer mexer no fundo dele, quer fazer um crédito pessoal parcelada por 6 meses e dá de garantia seu cofre de fundo de renda fixa ... não tem risco nenhum. Se ele não pagar, eu liquido o fundo dele. (40:00) E ntão o rating, t empo c om o b anco, a garantia... setor de atividade também é muito importante. (40:10) C omo s e a dministra r isco? (40:40) Tem área de gestão de risco. Tem monitoramento das operações de crédito. Engloba tanto as operações de crédito como a Tesouraria ... que compra títulos de outros bancos, compra debêntures de outras empresas ... se aprova o limite e a Tesouraria administra esses debêntures .. é uma operação de crédito com o cliente ... às vezes tem empresas que preferem lançar debêntures do que tomar crédito no mercado porque é custo menor para ela. Então eu compro essas debêntures ... (42:35) A s t axas d o b anco, c omo s ão? Depende muito do tipo de empréstimo ... cheque especial tem banco que está dando 10 -11% amo O maior índice de perda está com cheque especial. .. Nós temos oito agências e nosso índice de perdas com cheque especial é baixo. A nossa taxa é a mais baixa do mercado. Estamos cobrando 4% no cheque especial. (46:20) Eu tenho mais facilidade do que os outros bancos, 61 porque não somos um banco de varejo. Então os clientes meus são selecionados. Trabalho com poucos clientes. Administro bem a carteira. Então posso dar essa taxa baixa. (46:48) Há q uanto t empo v ocês a tuam n o COC? Teve início em 1967. E d esconto e m f olha? Há 10 anos. (47:50) C omo t em m udado a t ecnologia n o b anco a o l ongo d os ú ltimos 1 0 a nos? Mudou bastante. Hoje, praticamente tudo é em cima dos sistemas .... Você não tem praticamente nada manual, só os dados que você tem que entrar ... Coloco o seu CPF e o sistema vai buscar tudo que o cliente tem no banco. Desde dívidas, investimentos, limites ... (55:53) ... b anco t em d emitido m uitas p essoas? Com certeza. No Banco Real, p or exemplo, 20 anos atrás, ele tinha 40.000 - 50.000 empregados. Hoje, não tem mais de 15.000. Aumentou o número de agências. Há 20 anos atrás tinha 500 agências. Hoje, tem 1000 agências. Está tudo dentro o controle de sistemas. [No passado,] quando se tinha que fazer um processo manual, se tinha três pessoas para balançar uma conta corrente durante o dia. (55:05) Este banco não chega a 1.000 empregados. Dez por cento são estagiários. C omo o b anco s e d iferencia d os o utros b ancos? (57:53) Como cliente, você vai fazer basicamente tudo por Internet. E c omo p essoa f ísica p edindo e mpréstimo? Pode fazer por Internet. A Internet tenta simular o empréstimo. Para fechar o contrato, vai lá na agência. Pode e xplicar s ua e strutura d e a lçadas? Nossa estrutura está baseada em Diretorias e Departamentos. Os riscos de crédito são analisados de acordo com uma estrutura de alçadas pré definida por valores. [Veja Esquema 3.1] A estrutura se compõe de um Comitê de Crédito, que é composto por 5 membros, sendo 1 presidente que é designado pela Presidência do Banco mais 4 membros que serão sempre obrigatoriamente Diretores Comerciais. O comitê de crédito responde diretamente a Presidência do Banco. Tem um Departamento de Analise de crédito, onde são elaboradas as analises das propostas a serem submetidas ao comitê de crédito. [Além disso,] tem o Departamento d e Controle da Aplicação que é responsável pelo registro de todos os riscos aprovados na alçada do comitê d e crédito e acompanhamento nas liberações de operações de crédito. [Também] tem a Gerencia Permanente de Deferimento de Crédito, onde são analisadas as propostas com valores abaixo do limite do comitê de crédito.(Créditos com valores abaixo de R$ 400,0 mil) [Finalmente] tem Superintendentes Regionais onde estão subordinadas as Agencias, que é onde se inicia o processo d o risco de crédito, com elaboração dos pedidos dos limites para os clientes. o 62 ANEXO O - BANCO 9 Sumário Banco: Nacional, Privado, Empresas de Médio e Grande Porte, Varejo - COC Função do entrevistado: Gerente de Crédito Experiência do entrevistado: (1 :50:25) Estou há mais de 25 em crédito. Comecei no BCN (Banco de Crédito Nacional) em 1982. Já foi incorporado pelo Bradesco. Lá fiquei quatro anos. Depois sai para o Banco Itaú. Fiquei um ano. Depois sai para o Safra onde fiquei oito anos. Fui para o Banco Fibra. Trabalhei por 2 Y2 anos lá. Sai e fui para o Banco Rural onde fiquei 4 Y2 anos. Sai e fui para o Banco Mercantil no Brasil e fiquei 1 Y2 anos lá. Depois fui para o Banco 9 onde estou agora há 1 Y2 anos. (1 :51 :50) O rganograma Presidente I V.P. I D iretor Comercial Diretor Administração Diretor Captação G erente Crédito .. I Pessoa J urídicà Pessoa Física Esquema ANEXO D.1 - Organograma Banco 9 Fonte: Entrevista com Banco 9, julho 2004 63 Entrevista42 Como se identifica o risco? (2:26) Hoje no Brasil [ ... ] quando trabalham com empresas, os bancos sempre querem uma garantia [ ... ] o único material que tem para analisar [empresas de pequeno e médio porte] não é confiável. (3:03) (5:51) Eu vou te falar um pouco sobre o banco. Eu tenho um cliente que vem pelo banco. Vou fazer uma análise da capacidade dessa empresa em tomar crédito. Normalmente quando a empresa vem, tenho informações básicas que são pedidas para avaliar crédito dessa empresa. Normalmente são pedidos os dados cadastrais da empresa, onde você tem uma proporção acionária, tem a data de fundação, tem a atividade da empresa, quais são os principais clientes, quais são os principais fornecedores, e os principais bancos que a empresa opera. Estas são as informações que me mandam em cadastro para que eu tenha mais ou menos uma fotografia de quem é a empresa. (6:35) (6:35) Junto com isso, o que é uma informação cadastrada, eu vou pedir também os últimos três balanços da empresa para fazer uma avaliação econômica e financeira da empresa. Faço uma avaliação cadastral e em cima do cadastro da empresa, faço uma avaliação do cadastro da empresa: se é uma empresa antiga, se os sócios estão na empresa há muito tempo, se o setor em que atua é um setor de risco ou não. De repente, uma pequena empresa está em um segmento dominado por grandes empresas. Então a dificuldade para ela operar é muito maior do que um concorrente de grande porte. (7:17) Além disso, avaliando o setor de atuação, eu vou ver a parte dos fornecedores. Quem são os fornecedores dela? Se é uma empresa pequena que só compra de grandes fornecedores, o poder dela de barganha é muito menor. [ ... ] Se compra de diversos fornecedores e ela não tem dependência de um único fornecedor, fica mais tranqüila (7:46) [ ... ] (7:59) Uma empresa muito dependente de poucos fornecedores ... isto faz que o poder dela de mudar de um para outro quando tem um aumento de preço ou quando um fornecedor tem uma dificuldade como falta de material prima ... então ela fica muito mais exposta ao risco de fornecimento. (8:20) Isto é uma análise feita em cima do cadastro da empresa. (8:23) Outra coisa é a forma em que a empresa vende. Existem empresas que têm uma quantidade enorme de clientes e não dependem dum único cliente. Existem empresas que vendem para grandes redes de supermercados. Então tem risco muito grande de vender para redes de supermercados. Teria poder de barganha menor. Uma grande rede de supermercado pode exigir um preço menor, prazos longos, e pode conseguir devolver mercadoria para a empresa dizendo que não conseguiu vender e não quer. A empresa dificilmente vai poder brigar com esse grande. (9:13) [ ... ] (9:23) Isto tudo nos fornece um cadastro da empresa que está envolvido não só no momento atual dela. Estamos vendo a parte do momento atual 42 Informação fornecida pelo Banco 9, e m uma entrevista, e m j ulho de 2004. 64 ótimo, mas ela corre ... Qual é a exposlçao dela de riscos externos aí com fornecedores e clientes? Então tem coisas que muitas vezes são, em uma empresa menor, fora do controle dela por melhor administrada que ela seja, ela está exposta a um fornecedor grande que possa eventualmente ter uma dificuldade, ou que fala que não vai mais vender para ela. (10:00) (10:35) Outro fator que a gente pega ... Quais os bancos que a empresa opera? A gente já conhece no mercado o perfil dos bancos. Então você vai saber se essa empresa está trabalhando com bancos com redes grandes, ela é uma empresa que já tem um crédito no mercado, que tem uma condição mais confortável. (11 :00) Se o perfil do banco dela for formado por bancos pequenos, bancos que operam com spread elevado, com taxas um pouco mais altas, você começa a identificar que é uma empresas que tem dificuldade de crédito. Então é obrigada a trabalhar com bancos mais caros. Isto também é outro fator de risco que envolve a empresa. (11:24) (11 :25) O mercado de crédito é muito dinâmico. O que é um risco novo que a gente está identificando no cadastro das empresas? [... ] Você muitas vezes identifica que a empresa era cliente do Banco Zogbi e do Bradesco. O Bradesco comprou Zogbi. A tendência dela, de ter duas linhas de crédito, é ter uma só. É uma empresa que pode vir a ter dificuldades de crédito. A tendência de um banco não é somar os limites. Ele vai unificar e dar um novo limite para essa empresa. Nós tivemos (12:36) muitas empresas que passaram por essa dificuldade porque seus dois principais bancos são [ por exemplo] Bradesco e Bilbao. Como Bradesco adquiriu a carteira do Bilbao, ela perdeu um dos principais bancos dela. E isso trouxe dificuldades momentâneas para a empresa para poder-se ajustar. Também, como é que ela poderia prever?(12:59) O empresário, como é que ele sabe que o Bradesco vai comprar esse ou aquele banco? Então isso também é um fator que avalio quando pego um cadastro de uma empresa. (13:12) (13:30) Saindo um pouco do cadastro, há outra ferramenta que a gente usa, os demonstrativos contáveis. Vou ver primeiro a credibilidade desses documentos que, em 99% das empresas em média para pequena aqui no Brasil, não são confiáveis. Porquê? Existe uma informalidade grande. Existe uma carga tributária violenta e isso as obrigada a não vender tudo com nota. O que é uma informalidade? Existem hoje muitas empresas que vendem metade com nota e metade sem nota. Tratam fugir a carga tributária. [...] Então quando ele me manda um balanço, me manda um balanço de só a parte contábil, [... ] só o que é com nota fiscal. (14:51) Estou recebendo uma demonstração financeira e dados da empresa que são contáveis e não que a gente chama gerenciais. O gerencial é o real, o contábil é só o que foi com nota fiscal. A maioria das empresas neste mercado, hoje no Brasil, desde pequeno a médio porte, tem faturamento informal, sem nota fiscal, muito grande. (15:22) (15:22) Então como sabe quanto é? Então, como você avalia isso? Você recebe um balanço que não dá para você confiar totalmente nele. [... ] É muito comum você pedir pra empresa mandar o gerencial, o real. Às vezes eles mandam e às vezes não. 65 (16:30) E esta parte não c ontábil s e chama Caixa D ois? Se eu pedir o caixa dois, ele me vai mandar o gerencial dele [... ] a parte contábil mais o extra contábil, o que é sem nota fiscal. (16:43) (17:09) E s e e les falarem q ue n ão v ão mandar i sso? Normalmente prejudica bastante a tua avaliação. Você fica desconfiável porque o balanço não tem auditoria, não vai ter nada. É uma informação que ele está falando e eu tenho que acreditar. Mesmo que ele mande, você tem que avaliar com desconfiança. (17:44) (17:48) Só para aclarar, q uando u ma p essoa f ala d o C aixa Dois, i sso s ignifica as d uas c oisas, as duas partes, a parte c ontábil e a p arte v endida s em n ota? Depende do que se entende quando falo com uma pessoa. Quanto eu falo, "Quanto é seu Caixa Dois?" [e ele responde] "Eu vendo 30% por fora", se está te informando que vende R$ 1.000.000,00, vende R$ 1.300.000,00 (é um milhão mais 30%). Se você pedir o gerencial dele, ele vai informar R$ 1.300.000,00. Mas é muito difícil a gente conseguir essa informação porque cada vez é mais difícil. (18:30) Porque cada vez é m ais d ifícil? Porque existe uma fiscalização do Banco Central nos bancos. Então o Banco Central vem aqui [... ] e pega os dois balanços. [ ... ] É complicado. Então as empresas evitam o máximo. Cada vez menos mandam isso para o banco. (19:04) Você está dando uma arma, uma ferramenta importante para um fiscal. [ ... ] Hoje a gente tem muito mais informação verbal do que escrita. É muito comum hoje. [... ] pedimos a relação mensal de faturamento dela. Pedimos o faturamento mensal dos últimos dois anos. Normalmente ele vai me mandar só o contábil. Eu pergunto para ele se tem caixa dois ou extra contábil. Ele fala que em cima desse que informou, jogo 15% ou 30%. [... ] Isto dá pra entender um pouco das dificuldades que temos nos balanços [ ... ] confiar ou não no que está recebendo. [... ] Além disso, analisamos também coisas como a capacidade de gerar caixa. [... ] o normal (20:30) (20:55) Este problema acontece n o l ado d e c orporate? Muito difícil porque normalmente é uma empresa auditada, de capital aberto (tem ações negociadas na bolsa) [... ] ou que emite debêntures (uma capitação de recursos no mercado). Empresas de pequeno porte são limitadas e de capital fechado. (21 :32) Elas n ão têm que p assar p or u ma a uditoria? Não. Por lei, não são obrigadas. Até q ual t amanho estamos f alando d e e mpresas d e m iddle m arket e c orporate? No Brasil não existe uma exigência. A informalidade pode existir em qualquer porte de uma empresa. (21 :48) [... ] (22:35) Você só audita um balanço quando tem outras pessoas interessadas naquilo ou quando você quer uma confiabilidade maior no seu balanço. (22:43) [... ] (23:10) Como é o perfil de uma empresa que tem um caixa dois? Uma empresa que tem faturamento de R$ 10.000.000 ou R$ 15.000.000 por mês. [...] Então até uns R$ 200.000.000 ao ano, isto é muito comum. Uma empresa que tem este porte para acima [... ] vai ter necessidade de relacionar com bancos e com fornecedores, o meio desse relacionamento passe a ser maior e ela tem que mostrar um pouco mais a cara. (23:57) [... ] (24:04) Porque essa dificuldade de 66 avaliação da empresa [... ] como ela vai crescendo, vai tomando um porte maior, vai trazer dificuldades de expandir os negócios. Como é que esse fornecedor vai vender para ela se não tem como avaliar? Como é que esse banco vai emprestar dinheiro se não dá pra avaliar?(24:35) [ ... ] (24:40) Existe também, independente do tamanho da empresa, outro fator que obriga a empresa tem uma informalidade ou não de caixa dois. Se sou uma empresa que compra de um grande fornecedor, ele só vende para mim com nota. (25:10) [ ... ] Eu vou vender para outros grandes clientes, ele não compra de mim sem nota. Então o que determina se ele tem caixa dois ou não não é só o porte da empresa. É também a área de atuação dela. Depende do setor de atuação, eu posso ter maior ou menor informalidade. (25:40) O que me obriga ter um caixa dois? É meu concorrente. Se ele vende sem nota, ele tem um preço muito melhor do que o meu que eu vendo com nota. [ ... ] Tem produtos aqui no Brasil que têm 40% de impostos. Se eu for vender por R$ 100, ele pode vender 40% abaixo. (26:13 26:40) Isto é uma dificuldade que a gente tem de avaliação de crédito muito grande. (26:56) Tenho de extra contábil de 50%. Como é que eu faço para acreditar nisso ou não? [ ... ] Vou fazer visita ao cliente. Eu pego um balanço dele e vejo que é o patrimônio dele. Entre dez máquinas e equipamentos, informa que tem R$ 10.000,00 em máquinas e equipamentos, mas normalmente nestas empresas informais, toda a imobilização dela também não tem nota. Fazer uma reforma no prédio, comprar máquina usada, não tem nota. Muitas vezes esta parte industrial da empresa, que está no balanço como R$ 500.000, o valor dele é R$ 5.000.000. (28:01) Você compra e vende sem nota. Você tem um ganho muito maior do que você tem no balanço. Tenho dinheiro aqui na mão que não tem origem. Vou investir na minha fábrica. Vou construir um prédio que não tem como contabilizar [ ... ] Vai ver nestas empresas às vezes que no balanço dela, o valor contabilizado de um mobilizado, de máquinas, equipamentos, e prédios, no balanço tem um valor pequeno, mas é um parque industrial monstro. Tem prédio enorme. Porquê? Porque esse caixa dois tem que estar materializado em algum lugar. (29:08) [ ... ] (29:23) Então a visita facilita isto. Vou visitar a fábrica. Vou ver se isto tudo realmente vale muito mais do que está no balanço. (29:35) [ ... ] (30:27) Quando vou fazer uma visita de crédito, vou avaliar não só estas coisas no balanço que não têm nada a ver com a realidade, vou também falar com o administrador, com o dono da empresa para certificar a capacidade que esse administrador tem. (30:55) (31 :26) Antigamente, a empresa informava a dívida dela. Tinha que informar e mandar sua dívida com banco. Mas a gente não sabia se isso era verdade porque pode mentir. Hoje existe um facilitador que é o Banco Central aqui no Brasil. Através o CNPJ da empresa, eu entro o Central de Risco do Banco Central que disponibiliza a dívida da empresa. Então eu acesso quanto essa empresa deve para todos os bancos. (32:31) Isso é dívida acima de R$ 5.000? Sim. Hoje quando pergunto para a empresa quanto deve para banco, não mente mais. Porque vou consultar no Banco Central e falar ''você disse que deve R$ 1.000.000, no Central de Risco no Banco Central, aparece R$ 1.500.000." Então falta R$ 500.000 que não me informou. Isso só resolveu parte do problema, porque o Central de Risco do Banco Central só 67 participa com bancos. Hoje no Brasil existem muitas factorings. Compram a duplicata e a trocam por dinheiro. Elas atuam como banco. Só que quando eu vou descontar uma duplicata, seria endividamento pra gente. Mas as factorings não estão dentro o Central de Risco. Ele só tem a dívida do banco. (33:38) Se essa empresa deve para uma factoring, muitas vezes não informa. (33:40) E q uando v ocê a nalisa o balanço, v ocê n ão s abe se as d uplicatas j á estão comprometidas. Isso. A empresa não informa isso. O que a gente procura fazer hoje? As empresas dificilmente nos informam que operam com factoring e hoje no Brasil existe uma quantidade de factoring que é muito maior do que banco. Muito maior. Exatamente por causa disso. (34:10) Estou muito endividado. Os bancos param. Então é muito comum a empresa usar a prática de endividamento bancário com factoring. Aí aparece um endividamento menor e posso tentar eludir os bancos que devo menos. Fica mais fácil ter crédito. (34:30) (35:12) No CRC, existe uma defasagem no prazo da informação. Então hoje, quando entro o BC, a informação que tem é do maio de 2004 e estamos agora quase em agosto. Então existe uma defasagem quase de 60 dias. Então a dívida que vejo no BC é de dois meses atrás. Normalmente, os bancos enviam para o BC perto do último dia do mês. A informação se envia entre o dia 25 e o dia 30 do mês. (35:48) Todos os bancos enviam para o BC e você tem lá a informação. O que acontece às vezes, é que você não tem 100% da informação. [ ... ] Eu vou mandar agora para o mês de junho. Quando mandar, vou ter direito de consultar. [ ... ] Tem que informar para ter direito de consultar. Enquanto eu não informo a dívida de junho, eu não consigo consultar junho. Então vou ter acesso a essa informação quando mandar para o BC a dívida, toda minha carteira de clientes. (36:50) O que é o que acontece? Muitas vezes estou consultando junho e tem muitos bancos que não informaram, então a informação está incompleta. Mas depois de um mês, a informação já está com todos os bancos. Aparece quanto a empresa deve, a dívida total e a quantidade de bancos que informa essa dívida. Então você compara o mês de junho com o mês de maio. No mês de maio uma empresa que deve R$ 1.500.000 tem 10 bancos. Em junho deve R$ 1.000.000 mas tem 6 bancos. Então você deduz que aqui falta informação. (37:36) (37:36) Normalmente q uantos b ancos f alam p ara o BC? Todos são obrigados a falar. O que ac"ontece é que nem todos mandam no mesmo dia. A única coisa que não sei é quem são esses bancos. Sei que são 6 ou 10 bancos, mas não me abrem banco por banco. Não tenho abertura de quais são esses bancos. Ele dá a informação junta .... Você pode ver a dívida total dessa empresa, o prazo de vencimento até 60 dias, de 60 a 180 dias, e acima de 180 dias. (39:40) (40:33) Então aqui estamos falando de cadastro, balanço, visita e informação do BC. Com base nisso tudo, pode ter outros fatores, mas aqui é basicamente o que a gente trabalha para avaliar se a empresa merece crédito ou não. (41 :08) (42:00) Só para finalizar, vou te falar de factoring. Existe outro fator que a gente usa para avaliar a empresa são restrições que ele tem no mercado. A gente tem hoje a Serasa e Equifax. Eles dão informação sobre a empresa, sobre restritivas no mercado, protesto, cheque sem fundos, uma série de coisas. Aqui, neste pessoal, 68 nós temos informações de passagens para saber quem foi para consultar meu cliente na Serasa. Lá aparecem as últimas 5 ou 10 consultas que tiveram em cima da empresa na Serasa. (43:25) Eu sou Banco. Vou consultar empresa qualquer, o Carrefour. Entro o site da Serase, coloco o CNPJ do Carrefour e consulto o Carrefour. Você depois vai consultar o Carrefour na Serasa, vai ver que o Banco no dia 22 de julho de 2004 consultou. Aparece quem consultou e as últimas 10 consultas feitas em cima da Carrefour. Tanto na Equifax como na Serasa aparecem. Nós trabalhamos com estas duas empresas [... ] Isto acaba ajud~ndo porque estou consultando hoje e às vezes a gente vê que tem factorings que andam consultando. Então isto é um sinal de que ai a gente às vezes pergunta pra empresa. (44:37) "Você opera com factorings?" Eles dizem que não. Eu respondo que na Serasa tem algumas passagens suas. Isso é outra fonte que ajud~ às vezes a gente a pegar aquela informação que ela está mentindo. (44:56) [ ... ] (46:25) Serasa também mostra a quantidade de consultas por mês que teve. Por exemplo, no mês de março, a Carrefour foi consultada 20 vezes. No mês de abril, foi consultado 25. No mês de maio tem 100 consultas, então quando tem esse aumento de consultas, algum fator chama a atenção. Quem é que consulta na Serasa ou Equifax? Ou são bancos ou são fornecedores [... ] uma empresa que deve ter concordata, a tendência dela é de comprar e estocar para aquela concordata[ ... ] Factorings também consultam. (47:52) (48:16) Eu posso fazer isto tudo (usar todas as ferramentas para analisar o cliente) e chegar à conclusão que a empresa é ruim. Eu não vou dar crédito. Daí vamos pra parte da garantia. [ ... ] Quando a analisei, eu vi que a empresa tem excelentes clientes. Vende só para empresas de primeira linha. Então a empresa é muito ruim, mas se a duplicata que vai negociar comigo for uma duplicata de uma empresa boa, eu compro os recebíveis dele. Não estou emprestando dinheiro para ele. Estou comprando a duplicata dele[ ... ] É a garantia mais comum que se opera hoje. (49:00) Aqui no Brasil? No Banco. No Brasil hoje os bancos operam muito com garantia de duplicatas, de cheques, de carta de crédito, com garantia de contratos de fornecimento, com garantia de warrant (de produtos como soja, álcool, algodão, trigo). Outra garantia seria penhor mercantil. (50:39) São garantias que a gente vai agregando. Empresto-te dinheiro, mas vou pegar uma garantia adicional. O Banco está mais enfocado em duplicatas. (51 :00) E por quê esta e não as outras garantias? Porque cada garantia, ela envolve ... você tem que ter uma característica, um perfil para trabalhar [com cada uma.] Exigem cuidados diferentes. A gente trabalha com cheque no varejo. Basicamente todo nosso varejo é só em cima do cheque. Só que, no varejo, quando vou fazer com cheque, você vai à loja para comprar, eu vou analisar seu cheque. No varejo estou fazendo uma análise do cheque na hora que está comprando. [... ] Vou consultar na Serasa[ ... ] Não vou financiar para ela porque o cheque é ruim. (51 :32) [... ] o perfil de quem vai comprar em uma loja de material de construção é de comprar máximo de R$ 1.000 para pagar em três vezes. Se você chegar lá e fizer uma compra de R$ 10.000, passa para uma alçada superior de aprovação. (52:45) 69 (53:12) O Banco se especializou mais em fazer operação com duplicatas. Como funciona uma operação de duplicatas no Banco? Você é meu cliente. Tem duplicatas que quer descontar. Você vai me mandar uma relação desses títulos, com os nomes dos clientes, o valor, vencimento, e o CNPJ do cliente. [... ] Vou pegar essa informação e consultar se os seus clientes têm restrição. Vou ver se estes clientes já têm liquidez aqui no banco. O que é liquidez? Tenho aqui várias empresas. (54:11) Tenho diversas empresas que vendem pra Carrefour. Tenho cliente 1 (A), cliente 2 (B), cliente 3 (C), cliente 4 (D). Todos eles vendem pra Carrefour. Cliente (A) faz uma operação comigo de duplicata. Eu compro a duplicata dele. Chega o momento de vencimento dela, e a Carrefour paga. Isto a gente chama de liquidez. (54:43) Então a liquidez é a pontualidade da Carrefour de pagar os meus clientes. E isso internamente a gente mede isso. Então eu sei que a Carrefour é bom ou mal pagador. Só que a Carrefour pode pagar bem ao (A) e pagar mal ao (D), pagar bem ao (C) e pagar mal ao (B). Eu consigo saber quais eu vou descontar, porque ao (A) paga bem e ao (D) paga mal. De repente, (A) vende sal ou açúcar que são produtos que a Carrefour não pode deixar de ter e paga ele em dia. (55:44) Tal vez (D) vende roupa. A roupa tem um monte de gente que vende e a Carrefour paga quando quer. Então não paga direita. Então é tudo uma estrutura que a gente tem montada para acompanhar este tipo de garantia. Por isso, o Banco prefere essa garantia. Existem bancos, como o Safra, que trabalham muito com cheque. Porquê? Porque ele se especializou em descontar cheques. Você vai em uma loja para comprar roupa. O próprio Safra tem uma máquina lá e passa a consulta de cheques. se tem restrição, se não tem. Tem um perfil que tem esse tipo de loja. Em uma loja de sapatos, um cheque tem que ter um valor médio de máximo de R$ 150, o mínimo de R$ 50. Se o seu cheque está dentro daquele padrão, porque Safra fez uma calculação, se o cheque passou e não tem restrição, o Safra compra o cheque. Então são bancos que se especializam em cada tipo de garantia.(57:00) (57:15) Eu vou ligar para teu cliente. Eu vou avisar, "essa compra, você paga para mim porque eu comprei a duplicata dele" Eu vou ligar, vou mandar uma letra bancária. A gente vai ficar em cima do cliente para que ele pague esse título para mim e não diretamente para essa empresa. [... ] Então analisamos a empresa e damos um limite para operar em duplicata. [... ] Nosso acompanhamento está inteiramente em cima das duplicatas que comprei, só que elas têm boa liquidez. Então o que vai permitir que eu consiga continuar operando com esse cliente? Se as duplicatas dele tiverem boa liquidez. Se elas têm boa pontualidade d e pagamento.(58:21) [... ] (58:38) Por quê aqui no Brasil hoje em dia é difícil dar crédito para uma empresa sem garantia? Porque as empresas são muito debilitadas. Estão em uma situação difícil. Então hoje normalmente a gente não dá crédito para empresas sem trabalhar em cima da qualidade dos recebíveis dela. (58:59) (1 :00:23) Tem contrato de fornecimento também. Eu vendo para você todo mês. Vamos fazer um contrato de fornecimento? Todo mês vou te fornecer R$ 100.000. Fazemos um contrato por um ano. Tem alguns bancos que pegam esse contrato como garantia. 70 (1 :00:40)Por exemplo, a Carrefour faz um contrato com um restaurante para vender comida todo mês? Isso. Então chego ao banco e falo que tenho este contrato que assinei com a Carrefour e vou vender para ela R$ 100.000. O contrato tem um ano, e eu vou vender para ele R$ 1.200.000. O banco pega esse contrato como garantia e a Carrefour tem que pagar para o banco. Ele paga, credita na conta do banco o valor que tem que pagar para o fornecedor. (1 :01 :20) (1 :01 :20) É parecido com duplicata? É, mas com duplicata, a mercadoria já foi entrega. Você não tem que correr o risco de performar. [ ... ] Aqui existe o risco de produzir e entregar. Se houver um problema de entregar, logicamente a Carrefour não vai pagar. (1 :02:25) (1 :02:25) E o warranr? Como houve um crescimento muito forte nos agronegócios, [ ... ] é muito comum esta pessoa tem safra. Tem período da coleta, do milho, do trigo. Só que principalmente da cana de açúcar, você vai ter principalmente álcool. Você produz em três ou quatro meses. Chega na época da cana, coleta a cana, colhe a cana, molhe a cana, já produziu álcool. Só que a cana tem período de colher. Quanto o mais rápido você colhe, a produtividade vai ser melhor. Então em três meses eu colhi toda a minha cana e já produzi a todo meu álcool. Só que não vendo de imediato isso. Vou vender isso durante o ano. (1 :03:20) Então fico com estoque. E este estoque eu dou como garantia para o banco. [ ... ] Existe uma empresa que nem é cliente nem banco, uma empresa que só emite o warrant. Ela vai lá para o tanque e fala que tem X mil litros de álcool e põe uma pessoa lá para cuidar daquele álcool. Emite um warrant o que é um papel certificando que aquele está guardado e que aquilo é garantia de uma operação por banco. A empresa só vai poder vender aquele álcool quando ela paga no banco. (1 :04:01) Aí a empresa vai tirar o lacro e manda o produto embora. É como um controle sobre o estoque? Sim. mercantil. (1 :04:18) É mais forte do que o penhor (1 :04:18) O que é penhor mercantil? Vou te dar como garantia, uma parte do meu estoque. Só que quem vai cuidá-lo sou eu. Então te dei uma garantia, mas não tem ninguém cuidando. Eu sou o que está cuidando. Se eu vender, eu vendi. O warrant é mais firme porque tem um terceiro cuidando. O penhor não. Quem cuida é o próprio cara que pegou o dinheiro emprestado. (1 :04:46) (1 :04:46) Estava falando sobre cheque como garantia ... Você vai lá no shopping. Vai comprar um sapato que custa R$ 300. Ou você paga com cartão de crédito ou em três cheques de R$ 100 de 30, 60 e 90 dias. Pagou. Deu três cheques na loja. Aí a loja pega esse cheque, vai ao banco (você pagou uma loja de sapato que é cliente do banco) e dá o seu cheque. O banco lhe dá dinheiro. Essa é a garantia do cheque. (1 :05:57) (1 :05:57) É o "cheque descontado"? É. Ele está descontando o cheque que recebeu como pagamento do cliente dele que era pessoa física ou pessoa jurídica, tanto faz. 71 (1 :06:20) E o cartão de crédito? Eu vou na loja. A mesma compra, eu pago com cartão de crédito. Eu sou dono da loja. Você comprou e pagou com cartão. Só que o administrador do cartão não paga ao lojista no mesmo dia. Eu vou demorar para receber desse cartão 15, 20 dias ou um mês. Só que preciso desse dinheiro hoje. Eu tenho conta para pagar amanhã. Eu não posso esperar 30 dias para receber desse cartão. Então tem bancos que antecipam esse cartão de crédito. Em vez de esperar, o banco vai me dar dinheiro agora e na hora em que eu receber (do administrador), o que vai receber é o banco. (1 :07:27) (1 :07:27) Você falou que o Safra trabalha com cheque? E também com cartão de crédito ele trabalha bem. Especializa em cheque, mas trabalha também em duplicata. Isto (cheque) requer muitas vezes um investimento muito grande nos controles e informática. Então pelo porte dele, pelo padrão dele, que tem um dono que acompanha muito a coisa, ele acaba investindo porque o cheque é uma boa garantia. Não vou aceitar qualquer cheque. [... ] Qual o risco que tem isto? Você vai lá e compra R$ 300 em três cheques. Eu sou dono da loja. Eu preciso de dinheiro. Não estou vendendo. O que eu faço? (1 :08:27) Pego uns parentes ou amigos. "Me dá um cheque teu para mim para descontar no banco?" Então a venda não existiu e eu peguei cheques de amigos ou de funcionários da loja. Fui ao banco e fiz dinheiro. Aí chega o vencimento desse cheque. Se eu não tiver dado dinheiro de volta para essa pessoal, o cheque volta sem fundos. Não tem dinheiro na conta. Isso é comum acontecer no mercado do cheque. (1 :09:02) Eu preciso de dinheiro e não vendi. Pego cheque emprestado [ou] compra cheque roubado. O cara que roubou vem e vende as folhas do teu cheque como comércio. Existe isso. O banco vai consultar esses cheques antes de comprar. Este cheque é roubado. Não o quero. Em uma operação de cheque, o volume é muito mais pulverizado. É uma carteira em que o valor do cheque é menor e queda muito maior a quantidade de cheques. Com duplicata, você recebe uma quantidade menor. Trabalhar com duplicata exige um investimento muito menor do que trabalhar com garantia de cheque. (1:10:14) (1 :10:42) O dia-a-dia nosso é isso aqui. A gente trabalha muito mais analisando a garantia do que o cliente. Damos limite para ele por 90, 120 dias. Vou ver o cliente daqui a 90, 120 dias. Agora, a garantia, todo dia estou vendo. Todo dia que ele fecha operação, recebo duplicatas, vou analisar as duplicatas. [... ] Eu dou limite para você de R$ 1.000.000. Você não vai vir aqui com R$ 1.000.000 de duplicatas. Você vai faturando, vai vendendo [... ] O seja hoje tenho R$ 100.00 para fazer, no banco dou R$ 100.000 de duplicatas, levo o dinheiro. Amanhã tenho mais R$ 100.000. Trago R$ 100.000 de duplicatas, me dá o dinheiro. (1 :11 :38) E cada operação, eu recebo duplicatas. Vou analisar a garantia. (1 :11 :45) Quanto tempo se precisa para analisar uma duplicata? Na realidade, [ ... ] tenho diversas operações em um dia. Tenho uma área que cuida disso. Normalmente você recebe uma duplicata [... ] a gente não vai checar 100% das duplicatas. É uma amostragem. O tempo que vai demorar para analisar um borderô de garantias [é] uma meia hora. Depende do tamanho, depende da pulverização, se tiver muita duplicata. Muitas vezes, a gente liga para esse cliente para saber se ele comprou.(1 :12:40) Pode ser uma duplicata fria. "Estou com uma duplicata sacada contra você. Você compra da ... ?" Tá bom. "Recebeu a mercadoria já?" Às vezes 72 fala que não, que comprou hoje e não recebeu a mercadoria. Você sabe que tem risco de não entregar a mercadoria. Dá pra a gente correr esse risco? Não. Ou dá. Eu vou correr esse risco. Então a gente deixa essa duplicata aqui dentro do banco, já que paguei. Só que a deixo lá com meu pessoal. Daqui a uns 10 dias, eles vão ligar lá para ver se foi recebida essa mercadoria ou não. (1: 13:50) Se não?, A gente a mantém em uma carteira de posterior. O que significa isso? Eu vou confirmar depois. Eu confirmei que comprou, mas não recebeu. Enquanto não confirmei que recebeu, eu fico com aquela preocupação. (1 :14:03) (1:15:25) É muito desafio. Você não tem trabalho chato. Todo dia tem um susto aqui. Eu faço isto há mais de 20 anos. O risco faz parte do negócio. Existem clientes com os quais você fica preocupado e menos com outros. E junto com isto você tem os fatores externos imprevisíveis. [... ] Emprestei R$ 1.000.000 e normalmente a gente pega um pouco a mais porque você tem o risco desse c ommodity oscilar no mercado. Então emprestei R$ 1.000.000 e peguei R$ 1.200.000 no empréstimo de hoje de um warrant de trigo. Fiz uma operação por um ano. No meio do caminho, esse trigo despencou. (1: 17: 13) Às vezes o que eu tenho de garantia vale menos do que emprestei. (1: 19:20) Contrato de fornecimento, a gente não faz porque existe o risco de performance e a gente trabalha com cliente com perfil ruim. Porque o Banco trabalha principalmente com duplicata? O Banco é pequeno. Por ser pequeno, eu tenho um custo de capitação de dinheiro mais cara. O Bradesco e Itaú têm um monte de correntistas que têm conta corrente com dinheiro que dorme lá e não pagam [Bradesco e Itaú] nada para esse dinheiro. E eu, para emprestar dinheiro, chego a uma fundação e falo ''você não quer aplicar seu dinheiro no meu banco? Se aplicar, vou emprestar seu dinheiro." Mas para que ele venha aqui, eu tenho que pagar uma taxa maior do que ... se a minha taxa for igual à do Bradesco, porque ele viria para aplicar seu dinheiro aqui? Aplicaria no Bradesco, porque é mais tranqüilo. (1 :20:20) Então eu pago uma taxa maior e você tem também um risco maior. Vou pegar teu dinheiro e o aplicar no mercado. Então meu dinheiro quando o compro, custa mais caro. Então o empresto, ele é mais caro. Como eu tenho um dinheiro mais caro, quem vai tomar dinheiro emprestado comigo é um cliente pior também. Este cliente aqui no Banco, ele vale ruim de crédito, mas a gente avalia os recebíveis dele. Então o Banco vai trabalhar com empresas em uma situação financeira mais complicada. (1 :21 :00) (1 :21 :00) Quanto é a taxa para emprestar hoje em dia? Vai depender. 2,00% e 2,50% amo Entre (1 :21 :18) E o Bradesco? Sempre vai trabalhar abaixo de 2,00%. Entre 1,50% ou 1,80% am ... O Bradesco, toda esta informalidade, ele não faz toda esta análise. Ele cria uma análise sobre o balanço. É muito mais difícil para as empresas informais conseguir crédito em bancos multinacionais e em grandes bancos. (1 :21 :55) Ele não vai fazer essa visita. Ele não vai ter toda esta preocupação. Ele vai pegar o balanço do cara e por seu tamanho [ ... ] vai dar R$ 50.000. Só que ele 73 vem aqui e lhe dou R$ 500.000 porque eu analisei o porte da empresa. Então ele vai lá, o Bradesco, o Unibanco, o Itaú, o Boston, o Citibank, eles vão pegar o contábil e com o contábil está vendo a metade da empresa. Então a empresa faturou R$ 1.000.000 no real, e contabilizou R$ 500.000. Quando vou dar um crédito para uma empresa que faturou R$ 500.000, eu vou dar 20%, R$ 100.000. E aqui dou R$ 200.000, o dobro do limite desse contábil. Eu aqui tenho uma estrutura melhor para analisar essas empresas informais. (1 :22:46) (1 :23:30) Para os bancos grandes, é um negócio acima de estatísticas [ ... ] Não compensa para eles. A quantidade de clientes deles é muito grande. Então trabalham com padrões. Têm um sistema de credit score. Eles jogam à máquina e fazem o credit score, utilizando o contábil. (1 :25:18) Como é a maneira de administrar... quando a empresa j á é cliente? Quando a empresa é nova, a gente visita. Quando há uma renovação, eu vou visitar se achar que tem alguma coisa estranha. Mas pelo menos vou visitar uma vez por ano. Posso visitar mais de uma vez se achar necessário. Normalmente quando o cliente é novo, o primeiro limite que faço é por 90 dias para a gente acompanhar mais de perto um cliente novo. Não tem história no banco. Não conheço os recebíveis dele. É toda uma preocupação nova. Na renovação eu posso renovar por 90 - 180 dias. (1 :26:37) (1 :27:30) Significa que tem que repetir o processo de avaliação? Todo processo. Vou ver várias coisas. [... ] vou ver se as vendas estão caindo e causam um problema no fluxo de caixa. Está projetada a vender R$ 2.000.000 e de repente fatura R$ 200.000 ... ôpa ... acende uma luz. O que aconteceu? Tem um problema na fábrica dele? Ele não consegue produzir. A gente tem um acompanhamento muito de perto. O balanço dele normalmente é de dois ou três meses atrás. O faturamento ... está vendendo todo dia. (1 :29:00) (1 :33:00) Como é o faturamento das empresas? Tem um mlnlmo de R$ 1.000.000 por mês. Porquê? Porque um gerente de negócios tem que dar resultado. Ele vem para dar lucro por banco. Então ele precisa ter um valor de empréstimos X, R$ 20.000.000 - 30.000.000 emprestado. Ele tem uma quantidade de empresas para administrar. Para as empresas que tem faturamento de R$ 1.000.000, a gente normalmente da um limite de em torno de 20% do que a empresa trabalha. Então seria um limite de R$ 200.000. Se cada empresa tem R$ 200.000, para juntar R$ 20.000.000, tenho que ter uma quantidade de 100 empresas. Então o preferido é que a empresa tem um limite de R$ 500.000. Para ter R$ 20.000.000, ele vai ter que ter 40 empresas. (1 :34:50) (1 :35:30) Como é que uma factoring é diferente do que vocês fazem? Eu sou praticamente uma factoring. Eles só fazem operação com duplicata. (1 :36:00) Seria um pouco perigoso para vocês? Porque como trabalham com duplicatas, é uma coisa que pode ser comprometida para outro banco ou uma factoring. Sim, mas quando a duplicata é descontada comigo, ela fica comigo. Eu confirmei, chequei. Por isso, faço toda essa checagem. Eu ligo pra empresa e falo 74 que emiti um boleto bancário para pagar no Banco. Você me manda uma duplicata para mim, eu vou mandar um aviso do Banco para aquela empresa. Então você me mandou uma duplicata contra a Carrefour, eu vou mandar um aviso do Banco pra Carrefour dizendo que a Carrefour deve ao Banco R$ X. (1 :37:00) (1 :37:00) Então qual o risco que tem a operação? O risco que a gente corre é que a empresa [ ... ] emite outra duplicata, uma duplicata fria ou gelada. Ela não existe. Emite uma igual a essa. A empresa vendeu uma vez, mas emite duas duplicatas iguais. Existe. (1 :37:55) (1 :38:58) A gente faz a checagem e os factoríngs também fazem checagem. (1 :39:45) Então hoje em dia é difícil emitir duplicatas frias? Seria uma maravilha se a Carrefour me confirmasse às duplicatas. Nem em todas as empresas eu consigo essa confirmação. Mas a Carrefour aqui, ela mesma tem interesse em chegar ao cliente, o fornecedor dele, e falar "Você não quer antecipar esta duplicata?" A Carrefour concorre com o Banco. A Carrefour tem caixa. Então porque ele vai confirmar um título para mim se está com o título na mão e pode chegar ao fornecedor dele a falar "Olha, se está precisando de dinheiro? Vem cá, eu antecipo a tua conta." (1 :41 :00) "Te cobro 2,00% - 3,00% e se faz comigo." Então eu sempre faço uma análise em cima da garantia. A Carrefour confirma a duplicata ou não? Então é melhor a gente não pega a Carrefour. (1 :41 :50) (1 :42:20) Eu também sou obrigado. Como meu cliente vende 20% pra a Carrefour, ele chega para mim e fala assim, "Se você não pega um pouco da Carrefour, também não me interessa trabalhar com você." Eu sou obrigado pegar a duplicata da Carrefour e eu fico sem sabendo se existe ou não. Porque se eu não pegar um pouco da Carrefour, eu não vou conseguir operar com esse cliente [... ] O cara não quer descontar na Carrefour porque a Carrefour o mata no preço. "Eu vou comprar de você, mas quero pagar menos. E quero prazo." E além de tudo, ele não quer pagar em 30 dias. Ele quer pagar em 90 dias. (1 :43:24) [... ] (1 :44:25) Às vezes, a Carrefour cobra uma taxa maior do que o banco. (1 :44:35) Ele pode utilizar e ste negócio com a Carrefour contra v ocê. Também. Isto é uma barganha. Tem uma duplicata. Quem lhe paga mais por ela. É um jogo [ ... ] O dono do Banco é o dono de outra [empresa]. [Esta empresa] compra leite e uma série de coisas de empresas que emitem duplicatas contra [ela]. O Banco vai para essas empresas que vendem para [ela] e perguntam se eles querem descontar a duplicata com a [empresa]. Para nós, é muito tranqüilo confirmar o título na [empresa]. (1 :45:50) Isso me dá uma garantia de recebimento de 100%. Não tenho risco nenhum. (1 :47:13) Isso é a dificuldade nos grandes bancos e nos bancos estrangeiros, avaliar este tipo de coisa. Porque eles trabalham muito com ratíng. Eles colocam uma tabelinha, uma regra [... ] têm uma receita. Mas não pode ter uma regra. Muitas vezes, a duplicata, a garantia vale mais do que a empresa. Então a gente pega muito de uma empresa que está cheia de ... o balanço dela é ruim. Está cheia de restrição, o cadastro dela é ruim, os sócios estão com restrição, o balanço só dá prejuízo, tem um monte de dívida com o BACEN [ ... ] mas ela tem uma duplicata contra a [empresa do dono do Banco]. (1 :49:13) Vou cobrar uma taxa menor, 75 porque meu risco é nenhum. Se outro banco pegar uma duplicata com a [empresa], não vai ter a mesma confiança na confirmação que a gente tem. (1 :50:00) M ais o u m enos, q ual o t amanho d a c arteira d e v ocês h oje e m d ia? R$ 500.000.000 (1 :57:50) P ode f alar u m p ouco s obre o q ue v ocês e stão fazendo q uanto ao A cordo B asiléia l i? Esta coisa sobre a garantia tem muito a ver com a Basiléia 11. Além do que você tem o risco de crédito, tem da garantia também. A gente vai criar umas regras internas, uma política interna de avaliação do crédito da empresa. Você concedeu um rating pra empresa. É muito simples. Todos estes dados de que te falei, toda essa informalidade, vai ficar dificultando um pouco. Entre os bancos, no final a avaliação, o rating da empresa vai ser muito parecido. O rating da operação vai ser muito diferente. O Banco pode estar operando com uma empresa de rating F e todos os bancos no mercado a consideram como F. Só com duplicatas sacadas contra a [empresa do nosso dono], essa operação vai ser um AA. Não vai ter risco nenhum. Essa duplicata em outro banco, pode ser que com essa empresa ela vai que ter um C. Não vai poder ser AA. (2:00:00) Então a dificuldade que vai ter com a Basiléia 11 é que você trata padronizar essa garantia. Quais as regras vai seguir? A gente sente esta dificuldade. Isto é uma coisa muito do Brasil. Por fora, as empresas são mais confiáveis. Não têm toda esta informalidade. Lá as coisas são mais fáceis de analisar. (2:01 :10) [... ] (2:03:05) A dificuldade da Basiléia 11 é avaliar essa garantia. Hoje para o BACEN, tenho que atribuir um rating para a empresa e um rating para a operação. Por exemplo, o rating de uma empresa é C. Em função do rating da operação, o BACEN já exige que o Banco faça uma provisão. (2:04:30) (2:04:35) S omente leva em conta o r ating d a o peração? Sim. Então tenho uma empresa de rating C. Só é que quando esta empresa me dá duplicatas, se a liquidez é maior de 80%, eu subo três níveis no rating. 43 Então passa para AA. (2:05:50) Isto é uma regra minha. Por enquanto, o BACEN aceita pela dificuldade de saber como tratar recebíveis. (2:06:40) (2:06:49) T odo b anco t em sua p rópria m aneira, d e a tribuir o r ating para a operação? Sim. Todo banco tem sua forma de tratar a garantia. Por exemplo, nós estamos especializados em duplicata. Então temos todo cuidado com duplicata. As agências do ABN não têm isso. Ele não faz tanta checagem. Será que ele d á o mesmo peso para garantia que eu dou aqui? Não. Nem todo banco trata a garantia da mesma forma. (2:08:00) Vamos seguir com a mesma política que a gente já adotou .... No Safra a garantia de cheque tem um peso muito grande. Uma operação de cheque no Unibanco não vai ter um peso tão grande. (2:09:45) O Safra tem todo um trabalho feito para que ele pegue uma boa garantia. A chance de default para ele é zero. No Unibanco, a chance de default para ele pode ser 90%. (2: 10: 18) 43 Quando é líquido total, o maior é 100%. Se peguei R$ 100.000 dessas duplicatas que a empresa me deu e R$ 80.000 recebi, o R$ 20.000 não. A liquidez foi 80%. (Informação verbal da mesma entrevista) 76 ANEXO E - BANCO 10 Sumário Banco: Nacional, Privado, Empresas de Médio e Grande Porte Função do entrevistado: Analista de Crédito Experiência do entrevistado: Eu comecei a trabalhar no sistema financeiro brasileiro em janeiro de 1996 como estágio de crédito no Banco Noroeste, aonde fiquei até junho de 1998, quando me transferi para o Banco ABC Brasil, já como analista de crédito pleno, sendo promovido até o cargo de gerente s enior de crédito, ficando até abril de 2003, quando fui trabalhar no Banco Santander na área Corporate, porém fiquei apenas 3 meses, vindo trabalhar no Banco em julho de 2003, como gerente de crédito corporate. 77 O rganograma Superintendente de Crédito Gerente de Crédito Corporate Gerente de Gestão e Monitoramento de Recebíveis ./ G erente Geral Middle ~ ~ ~ 4 Analistas ./ 3 Funcionários 2 Assistentes 5 Analistas Esquema ANEXO E.1 - Organograma Banco 10 Fonte: Entrevista com Banco 10, julho 2004 E ntrevista44 Qual a e strutura d a g estão d e r isco d e c rédito n o b anco? No lado de m iddle market, o faturamento a partir de R$ 35.000.000 - R$ 40.000.000 por ano. Tem empresas no lado de c orpara te de faturamento de acima de R$ 100.000.000. Vai até o Petrobrás que é cliente nosso. Todas as operações são com o comitê de crédito (três diretores executivos mais alguém da área de crédito, quatro votos no mínimo mais os officers sempre defendendo). O o fficer está presente, o h ead da área está presente, pessoal de crédito está presente, e pelo menos três diretores executivos. (1 :00) [... ] (1 :31) O Banco é bastante restrito a respeito de alçada. Ninguém tem alçada individual. Não tem gerente, não diretor que tem alçada individual. É um banco de 200 pessoas. (2:10) Atua em São Paulo, no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas o forte da operação está em São Paulo. (2:40) ... 0 Banco não tem nada de varejo desde 1999. Agora é um banco focado em atacado. 44 Informação fornecida pelo Banco 10, e m uma entrevista, e mjulho de 2004. 78 (4:55) A garantia mais comum para vocês é uma duplicata? A gente pode dividir em dois segmentos. No middle... m ais duplicatas. A gente acaba olhando algumas operações inclusive por causa da garantia. A garantia faz uma parte significativa. No corporate não. Quando as empresas são maiores, a gente acaba dando muito crédito sem garantia de duplicata. Porquê? Porque são tomadores de trade finance, de operações mais longas, de BNDES, tem capital de giro a partir de 180 dias, [etc.]. Então no corporate, é mais difícil ter as duplicatas, mas a gente tem também empréstimo com duplicata. E tem operações com contratos com as empresas maiores. São contratos grandes aonde ela vem e desconto os recebíveis dos contratos. Então existe uma área hoje que foi criada em outra gerência dentro do crédito para o controle das garantias [Gerente de Gestão e Monitoramento de Recebíveis]. Essa área está crescendo e fazendo um trabalho muito bom para controlar as garantias [ ... ] Como estão as garantias? Estão suficientes? (6:20) Vocês usam garantias de cheques ou warrants? Cheques, muito pouco. As operações de cheque que temos no Banco são bem poucas. O que a gente mais tem é duplicatas e contrato. Tem bastante hoje de contrato. (6:55) Como sabem que as duplicatas não são comprometidas? Existem duas pessoas nesta área [Gerente de Gestão e Monitoramento de Recebíveis] que ligam para checar. Está melhorando. Cada vez mais forte. Em alguns casos, quando (7:25) a gente tem algumas dúvidas ou alguns critérios que têm que ser melhor... [Por exemplo,] se tenho uma dúvida com relação à emissão das duplicatas emitidas e a duplicidade para dois bancos, a gente tem em alguns casos a obrigatoriedade de ter aceite na duplicata. O que significa aceite? A gente recebe a duplicata do nosso cliente e vai verificar que essa duplicata vai ser paga no nosso banco. Ele fala que reconhece essa duplicata e vai pagar nesta data. Tem seu aceite. Tem uma coisa também que reforça nossas garantias. O pagamento passa pelo Banco, o que a gente chama de domicílio bancário. O que é domicílio bancário? (8:19) [ ... ]a gente está dando dinheiro para nosso cliente, só que a gente tem contato com [o] terceiro, o que é o pagador e só paga no Banco, na conta corrente deste cliente no Banco. Então a gente tem que ver se os recebíveis passaram por aqui. É quando o sacado (quem paga para o nosso cliente) deposita os valores referentes a transação comercial em uma conta corrente do nosso cliente no Banco Fibra, se essa conta corrente for normal, o cliente pode movimentar os recursos da forma que ele preferir, porém como nós não possuímos cheques nem cartões para saque, o cliente terá que informar o gerente comercial responsável, que irá saber todas as movimentações e poderá reter algum valor ou não, mas sempre com o acordo da empresa. Caso a conta corrente seja vinculada, a movimentação da mesma irá depender do pagamento dos débitos que o cliente possui com o banco, dessa forma a liberação de recursos será monitorada pelo gerente comercial responsável, ou ainda, se a conta for penhorada ao Banco Fibra a movimentação da mesma irá depender das liberações que o banco venha fazer ao seu cliente, ou seja, os valores que transitam pela mesma deverão ser utilizados para quitação das dívidas e o banco possui o penhor da mesma como garantia, sendo o responsável pela movimentação dessa conta. [ ... ] (8:58) O sistema brasileiro de pagamentos é extremamente atual. Tem o BACEN, o Central de Risco, onde podemos ver os empréstimos que o cliente tem, as exportações e importações dele, [etc.] 79 (9:40) Qual a divisão entre corporate e middle marker? Corporate 60% e Middle Market 40%. Em números de operações, são iguais. O corporate tem mais volume porque as empresas são maiores e tomam mais recursos. Tem limites maiores. (10:25) Qual o tamanho da carteira? Em total a gente tem R$ 1.300.000.000, inclusive as fianças, todo que a gente tem de risco de crédito. Também, nós temos uma alavancagem muito baixa. Carteira - Corporate vs. Middle (R$ bilhões) Middle Market, R$0.52,40% Corporate, R$ 0.78,60% Gl Corporate • Middle Market Gráfico ANEXO E.1 , Carteira, Banco 10 Fonte: Entrevista com Banco 10, julho 2004 Como se identifica o risco? (12:10) O primeiro passo ... a gente tem a documentação da empresa. Os documentos mmlmos seriam os dois últimos balanços (dezembro 2003, dezembro 2002 ..fechados) e um balanço recente. A gente pega uma abertura de faturamento por mês, todo mês que ele faturou. [Também, pegamos uma] abertura de endividamento bancário, [o que é ] quanto ele tem de dívida com quais bancos, quais tipos de linha, quais instrumentos, quais as taxas que está pagando para ter uma idéia de como está conseguindo se financiar entre curto e longo prazo. [Também pegamos um] cadastro padrão. A gente manda uma ficha para preencher. A gente sabe quem é acionista, quando a empresa iniciou suas atividades, quais as atividades da empresa, quem são os fornecedores ... E a partir disso, a gente vai começar a análise de crédito. (13:32) A gente sempre gosta de ter uma visita de crédito. É importante o analista ver a empresa, o local e como está, e conhecer a pessoa a vivo, não por telefone. A gente marca muitas visitas. Se os clientes são conhecidos é diferente. Mas em 80 geral, um cliente novo tem que ter uma visita de crédito. Pegamos os dados, fazemos uma análise e vamos para uma visita para tentar tirar todas as dúvidas, tentar conhecer o cliente. Depois de conhecer a história operacional dela, a gente passa pela parte financeira mesma. Como vem evoluindo o faturamento? Crescendo, diminuindo? Porquê? (14:54) Se vem crescendo, é em função de aumento de preços dos produtos que vende ou é realmente o volume de vendas? Depois, a gente vê em termos de resultados, resultado de EBITDA. E a gente consegue a partir daí uma geração de caixa. Está conseguindo gerar caixa suficiente para pelo menos amortizar os juros da dívida e investir? Senão, de onde estãovindo estes recursos? De banco? De acionistas? De fornecedores que estão bancando atividade? (15:50) ... A gente tenta entender o resultado e a evolução do resultado. Está melhorando? Piorando? Em função de quê? Entender o mercado onde a empresa está. Se as margens são assim no mercado ou não, comparadas com empresas da mesma atividade. E aí, a gente está dando uma olhada na dívida para ver se a dívida está compatível com a capacidade de gerar caixa, comparar a dívida líquida com a EBITDA e entender aí quantas vezes está alavancada. Não é olhar o número puro e simples, é olhar a qualidade desse número. (16:31) Ela está alvancada em operações de trade finance? Está alavancada em capital de giro de curto prazo? Está alavancada em operações de financiamentos de ativos mobilizados de longo prazo? Também ver as necessidades de investimento no futuro da empresa. O que é que a empresa precisa para investir? E daí se ela tem a capacidade de gerar estes recursos para investir ou não. (16:55) [ ... ] Ela tem acesso fácil ao mercado? E ao final de tudo isso, a gente faz uma conclusão. É simples. Tem pontos positivos e pontos negativos. Os pontos positivos, a gente coloca basicamente se esta empresa conhece o mercado onde atua, se tem capacidade de acessar o mercado financeiro, se tem uma boa margem no negócio dela, se tem uma baixa alavancagem, se o mercado dela é bom, se tem uma boa relação com clientes e fornecedores. E os negativos, todo o inverso disso. (17:37) ... Então a gente tenta resumir tudo que colocou nos relatórios nos pontos positivos e negativos. A gente dá um rating de 1 a 10, Um 1 é melhor. E existe um rating do Banco Central, de AA até H. Então se criou uma equivalente de 1 a 10 com AA a H. Um 1 é igual ao AA e vai até 10 é igual ao H. (18:30) Vocês têm seu próprio rating? Exatamente ... A partir do rating D, a gente não operaria, [só] de 1 a 5. Se tiver uma empresa de 6 por abaixo, vai depender muito se tiver uma garantia muito forte ... Depois, a gente vai conversar com a área comercial que está propondo um limite para esta empresa, e depois vai ao comitê. (19:24) No comitê, é discutido a posição da área comercial e a posição do crédito. (19:45) Qual é mais importante para v ocês, a qualidade da empresa ou da garantia? Hoje, a qualidade da empresa ... no corporate é mais importante ter qualidade da empresa porque normalmente a garantia vai ter um peso menor ou não vai ter garantia. (20:07) Se a empresa é muito grande, mesmo tendo garantia, tem que ver se a garantia é suficiente caso a empresa tenha qualquer problema ... o extrema concordata, falência, o que for. No middle, a gente olha a qualidade da empresa aliado à garantia. Porque o middle tem muitas operações que vai quer 81 fazer em função da garantia. Mas a gente nunca deixa de olhar a qualidade da empresa. Até o Banco Central não permitir isso. Se está dando crédito em uma empresa, tem que ter todos os dados, todas as informações da empresa. Muito dificilmente a gente não vai fazer uma análise da empresa, vai dar limite só por causa da garantia. (21 :04) Existem alguns casos, mas em geral a gente faz análise da empresa por completo ... Em função da garantia, o rating pode ser melhorado, o rating da operação. A gente tem o rating do cliente e o rating da operação. A operação pode ter um rating melhor do que o cliente porque tem garantias agregadas a essa operação. Pode ter um cliente que é um 6, mas se a garantia é muito boa, a gente pode subir o rating para 5 até o 4. Pode-se subir um ou dois graus desse rating... De qualquer forma, a gente vai olhando a qualidade d a empresa porque algumas garantias ... se você está operando com uma empresa que está ao ponto de ter uma falência ou uma concordata (21 :55) decretada, a sua garantia pode não ser suficiente para você não ser parte da massa falida, da discussão que vai ocorrer sobre a empresa. Sua garantia pode voltar para essa empresa. (22:08) Depende muito de quão forte é essa garantia, de forma autorizada, juridicamente, como é que está construída? No middle, o limite mais baixo que a gente tem, na média são R$ 300.000 a R$ 500.000. No corporate, um limite mínimo passa a ser R$ 1.000.000 - R$ 2.000.000. Então se acaba tendo uma exposição por cliente. É uma exposição elevada. Então se você perder um cliente só, já é R$ 1.000.000 ao menos no resultado. (22:56) (22:56) Quantos clientes o Banco tem agora? 300 clientes ativos, 350 - 400 em total (23:30) Quando você faz um estudo do balanço, tem problemas com o caixa dois? Não. A gente tenta muito ... (23:40) Tem que falar com a empresa? A gente fala com a empresa e pergunta se tem alguma coisa além do contábil. Quanto é? Qual o resultado real? Esse tipo de coisa. É complicado isso porque as empresas têm que ter uma confiança muito grande para passar esse tipo de coisa. Então, não são todos que passam. No caso de corporate , são balanços auditados. São empresas de maior porte. Têm um controle muito maior. No middle, é mais difícil. (24:11 )... (25:48) Então a gente acaba tendo uma dificuldade para tentar achar isso, o que é o contábil. Algumas empresas passam, outras não. Depende muito do relacionamento que tem com o Banco. (26: 15) Quanto tempo precisa para concluir um estudo de uma empresa? Uma semana? A gente consegue fazer os relatórios em média uma semana. Quando é uma renovação, é muito mais simples de ser feito. A empresa é cliente do banco, já há uns anos. Já tem estudos anteriores. Foi o próprio analista que fez o estudo. Ele mesmo está fazendo a renovação. Depende muito da (26:53) receptividade da empresa e da qualidade das informações que vão passar pra gente. Muitas vezes a gente vai pedir algumas aberturas de contas de balanço e algumas informações que ele não mandou. Eles têm certas dificuldades de mandar pra gente. Às vezes o processo demora até um mês para conseguir terminar a análise desde que começou com a visita. (27:16) Temos que ser muito ágil por ser um banco de atacado e não ter uma estrutura muito grande, conseguir responder muito rápido às demandas da 82 área comercial. Como o banco está em um momento de crescimento, a gente tem muita coisa nova e muita demanda. Precisa ter uma velocidade boa na análise. Seria em torna de uma semana para fazer uma análise. (27:52) (33:25) Pode explicar em mais detalhe os níveis de aprovação que o Banco tem? Membros de Membros Nome Comitê Até R$ Intermediário 2 Diretores Crédito4b Executivos 1.500.000 De R$ Diretores Crédito 1.500.000 até Principal 3 Executivos R$ 5.000.000 R$ De Diretores Crédito 3 5.000.000 até Superior Executivos R$ 8.000.000 Diretores Crédito Acima de R$ Conselho 3 Executivos 8.000.000 ,. Quadro ANEXO E.1 - Alçadas de Credito, Banco 10 Fonte: Entrevista com Banco 10, julho 2004 AI~ada Membros 1 COriselheiro 46 2 Conselheiros 47 Cada pessoa tem um voto. Tem que ser por unanimidade. Todos têm que aceitar. Se alguém for contra, tem que ser discutido para convencer essa pessoa. Ninguém individualmente tem alçada de crédito. Ninguém aprova nada sem ser aprovada pelo comitê. O Crédito [a área de crédito] sempre tem um voto dele porque fez a análise e conhece melhor o cliente ... (36:50) A gente tem pessoal que foi a outro banco. Todo mundo conhece pessoas de outros bancos. A gente tem relacionamento com outros bancos. Então a gente sempre liga para ter uma idéia. Temos nossa rede de conhecidos ... para falar um pouco sobre a empresa. Sempre tem um trabalho fora de esse só de ficar em cima dos números ... (37:35) Esse rating de AA até H (1 - 10) é basicamente como vocês mensuram risco? Sim Então que tipo de processo vocês usam para administrar o risco? Usamos exatamente o mesmo processo. Pedimos documentos atualizados e falamos de novo com a empresa. Se for precisa, vamos fazer outra visita de crédito. Senão, a gente faz por telefone. Mas não deixa de falar com a empresa. Não dá pra fazer a É w n representante do Departamento de Crédito O Conselheiro é o Presidente do Banco. 47 Seria o Presidente mais um s ócio do Banco, que não está no dia-a-dia. 45 46 83 análise sem tirar as dúvidas com a empresa. Está em cima dos números. Sempre tem que conversar com o cliente. (39:00) Mesmo em uma renovação quando a gente está acompanhando um cliente, quando é uma renovação de limite ou um aumento de limite, ou uma operação extra que está aparecendo além daquele limite que já tinha aprovado, a gente faz toda a análise de novo. A gente atualiza a análise. Tem uma política fixa de 90 ou 120 dias ... ? Tem. Não tem limite aprovado por mais de 180 dias. O limite máximo que a gente aprova por um cliente muito bom é sempre 180 dias. Pega um cliente que se classifica como AA ou A, a gente vai dar um limite para ele por 180 dias ... Normalmente nossos limites são de 90, 120 ou 180 dias. (40:07) Tudo depende da qualidade do cliente ... Pode ser aprovada uma única operação. O cliente pode passar o comitê e a gente achar o seguinte, que esta operação que está sendo proposta pode ser aprovada, mas não dá para ter um limite com o cliente. Então a gente aprova para fazer uma operação específica. Então se o cliente precisa tomar R$ 1.000.000 por 120 dias com garantia de contrato com uma empresa de grande porte... Então a gente acha que esta operação dá pra fazer. A gente aprova esta operação e [o cliente] não pode fazer nada diferente do que foi aprovado no comitê. Tem que ser esta operação específica. Em um limite onde tem capital de giro, pode fazer na forma em que achar melhor [ ... ] Quando a gente aprova uma operação específica, ele vai de uma semana até 30 dias para fechar a operação. (41 :45) [ ... ] [O pessoal da área comercial] tem um mês para conseguir fazer esta operação específica. Depois de aprovar, o gerente comerciai tem que fechar o negócio? Exatamente. No caso de uma operação específica, tem de uma semana até 30 dias. No caso de um limite mais amplo, não em uma operação específica, pode ter limites por 90, 120, ou 180 dias [ ... ] Aí depende da qualidade do cliente [ ... ] (43:10) No caso que o gerente comercial não consegue fechar o negócio, vocês têm que começar de novo? Não pra gente, não tem problema. Tudo vai depender da necessidade do gerente. Se achar que não vai ter mais negócios com empresa, que a empresa não é bom cliente para o Banco, a gente não revisa. (43:48) Mais se e empresa não assina dentro de um mês e ainda quer o empréstimo, têm que fazer outra análise depois de esses 30 dias? Depende da situação. Se não tomou esse crédito dentro de 30 dias e passam 60 dias, a gente pode pedir um balancete mais atualizado. [... ] se tiver tudo igual, a gente aprova de novo. (44:35) Vocês têm uma política quanto às visitas, uma vez por ano, duas vezes por ano, etc? Com relação à visita não. É importante estar sempre visitando o cliente (45:05) ... É obrigatório fazer relatório a cada ano para um cliente que tem risco ... É política do BACEN. (46:15) Em geral qual o desafio maior de analisar o segmento corporate e o segmento middle market? (46:40) No middle, a informalidade é muito grande, o que não está 84 contabilizado. Separar o que é do sócio do que é da empresa. Quem é o diretor da empresa? O acionista, o sócio? Quem é que é o diretor financeiro da empresa? É outro sócio. Então são os próprios donos que estão com o negócio. Os donos administram a empresa. Então há uma dificuldade de enxergar porque acaba tendo uma mistura entre o que é bem do sócio e o que é bem da empresa. Acaba tendo uma mistura muito grande. (47:39) Essa informalidade profissional, essa falta de profissionalismo em umas empresas do middle, o que é difícil de enxergar. Tem que entender muito do negócio do middle.... (47:50) (48:55) Quanto à confusão entre o que é do sócio e é da empresa, pode dar um exemplo? Todas as contas dos sócios podem ser pagas pela empresa. Então tem um custo mais alto na empresa porque tudo está sendo pago pela empresa. Ou o sócio não deixa nenhum recurso na empresa. Está tudo nele, na pessoa física e ele tem imóveis, ele tem carro, ele tem diversas propriedades. Tem os bens todos com os sócios. Não estão com a empresa. Então [... ] confunde muito no middle, o sócio com a empresa. É muito complicado. (49:30) Isso. (49:37) Até os propnos caixas às vezes. Faço empréstimo para a empresa, a empresa empresta para o sócio e aí fica o negócio meio bagunçado. A gente não consegue ver direito. (49:47) No corporate, é mais de entender o segmento, como o mercado está. Se a gente vai operar com empresas do segmento álcooleiro, a gente tem que entender o segmento. Todos os commodities: café, açúcar e álcool, frigorífico, soja, suínos, aves, leite [etc.] Tem que entender o setor, como o setor opera, como estão as empresas no setor [etc.] A gente tem que entender cada um dos segmentos, como cada um atua. Quanto às empresas industriais, não vou analisar a indústria siderúrgica como analiso a indústria de calçado [... ] Tem que entender muito bem o que é o resultado, a estrutura de capitais [ ... ] a alavancagem, a margem [etc.] Tudo depende muito do segmento. (51 :40) Pode falar um pouco sobre onde estão no processo de implementar o Acordo Basiléia li? Está sendo estudado, mais o 11 é muito mais complicado do que o I. Tem que ponderar cliente por cliente. Tem que dar um grau de risco para cada cliente, para cada operação. [... ] O Banco Central vai dirigir que se é obrigatório isso. [... ] O grande risco que a gente vai ver é o risco de crédito. [ ... ] Hoje a gente é pouco alavancado porque a gente tem um patrimônio significativo pelo porte do banco. [ ... ] O Acordo deve ser uma coisa muito tranqüila para nós. (55:55) Quem cuida disso na verdade é o pessoal da Controlaria. (1 :00:25) O que acaba acontecendo é que nós, como um banco médio de atacado, consegue um controle muito mais próximos às operações no dia-a-dia do que um banco do varejo que tem agências no norte e no sul do país. E o volume também. A massa que a gente tem é muito menor. Então, a gente tem um controle muito melhor. o seja, quais as propriedades dos sócios e quais da empresa? A gente não vai criar um sistema nosso para Basiléia 11. [ .•• ] Um banco como nós não pode gastar tempo com isso. A gente já tem controles de alavancagem, de risco [... ] A Basiléia II não vai mostrar nada diferente do que a gente já sabe. (1 :01 :08) Dificilmente a gente vai ter alguma coisa que a gente não conhece. O Banco 85 dificilmente vai ter uma surpresa por causa de i mplementar o Basiléia 11 ou não. Mas com certeza vai seguir como o Banco Central vai fazendo. (1 :01 :30) 86 ANEXO F - BANCO 11 Sumário Banco: Nacional, Privado, Empresas de Média e Grande Porte Função do entrevistado: Gerente de Crédito Experiência do entrevistado: (1 :38:34) Sempre trabalhei em crédito, desde 18 anos de idade. Tenho 20+ anos em crédito. Trabalhei para o Banco Noroeste o que hoje é Santander e o Banco MULTIPLlC que hoje é o Lloyds. [Depois] trabalhei 2 112 para o Banco. Sai do Banco. Fiquei 4 112 na Ford, voltei, e vai fazer um ano agora em novembro. 48 (1 :39:07) Sou formado em economia. [ ... ] Organograma V.P. D iretor Estatutário 1 I Risco Controladoria 1 Gerente Crédito Crédito Superintendentes (2) I Gerente Crédito .. Gerente C rédito .. (entreVistado) " -I Equipe Analistas " -I Equipe Analistas ..... Equipe Analistas Esquema ANEXO F.1 - Organograma Banco 11 Fonte: Entrevista com Banco 11, julho 2004 48 Eu fico responsável pelas seguintes Capitais: Curitiba - PR, Rio de Janeiro - RJ e Belo Horizonte MG, além de uma plataforma em São Paulo - SP (Informação d a mesma entrevista) 87 E ntrevista49 Qual a e strutura d a g estão de risco d e c rédito n o b anco? (1 :00) Tem um departamento de crédito que vai avaliar o potencial do cliente. E tem o departamento de risco que é a gestão de risco. Ele vai acompanhar o risco de crédito desses clientes e tomar algumas decisões principalmente com relação a eventos setoriais. (1 :40) [... ] (2:20) Aqui no Banco, a parte de risco é uma parte relativamente nova ... (2:45) Em que forma a gente atua hoje? A gente atua com o departamento de crédito onde é feito um processo de análise de crédito. Desde o início quando o o fficer traz a documentação à empresa e a proposta de crédito que nós vamos avaliar, até o acompanhamento final do comitê de crédito. A gente prepara um relatório de crédito detalhado que envolve consultas, uma análise setorial, uma análise da situação econômica financeira, e enviamos isto para o comitê. O comitê decide se vai emprestar ou não, baseado em o que foi elaborado no relatório. (3:55) Vocês t rabalham m ais c om o m iddle m arket o u c orporate o u o s d ois? Com os dois. Então c omo é o p eso na carteira d e cada u m? Mais ou menos equilibrado, 50% e 50%. (4:18) Nos dois casos, a análise é conduzida na mesma forma, com todas as premissas que envolve o crédito. É lógico que no corporate você tem um volume maior de informação. Normalmente são empresas de capital aberto que são obrigadas a publicar os balanços. No caso do míddle, você tem as limitadas ou de capital fechado. As informações são restritas. Então para vocês, o caixa d ois p ode s er u m d esafio. Exatamente. É extremamente importante porque a gente tem que identificar isso. (5:18) Temos algumas formas de identificar isso. Uma delas é o contacto com a empresa, o cliente. Normalmente fazemos uma visita, onde colhemos um volume de informações, aquele complemento de informações necessárias. Depois disso, quando você trabalha com caixa dois, você não tem nada documentado. Tem que conseguir mensurar se aquela informação é correta ou não. Vamos ver se o volume operacional do cliente é realmente aquele. Vamos falar com os clientes e fornecedores do cliente para ver ... por exemplo, uma empresa de calçadas. Tem um faturamento por mês de R$ 1.000.000, contabilizado. Mas o meu faturamento real é R$ 1.500.000. Como a gente vai mensurar isso? Então a gente liga para fornecedores para ver quanto ele vende para seus clientes. (6:39)Também tem que ver se alquilo que está dizendo que a empresa fatura proporcionou para ele alguma coisa que trouxe benefícios para ele. 49 Informação fornecida pelo Banco 11, em uma entrevista, e m julho de 2004. 88 V ocê e ntra e o lha as m áquinas? Sim, mas não somente as máquinas. Você tem relação de bens, declaração de imposta de renda dele que você consegue mensurar para ver se ele realmente está dizendo a verdade. Se ele conseguiu acumular alguma coisa ao longo da vida da empresa dele. (7:55) Q uando v ocê e stava f alando d a o utra m aneira d e f alar c om o s c lientes e f ornecedores ... q uando f ala c om a e mpresa, c omo s abe q ue e stá f alando c om a e mpresa q ue r epresenta o f aturamento n ão c ontabilizado? É complicado. (9:27) Tem um pouco de feeling, um pouco de experiência. Quando você engloba todas as informações, chega a uma conclusão. Ela está falando a verdade ou não. Mesmo que ela diga que não tem um caixa dois, você sempre está duvidando dela. Mesmo nos contáveis dela. Você sempre está duvidando, porque no Brasil existe uma facilidade muito grande de fazer isso. Então, é um ponto com que tem que ter muito cuidado. (10: 15) Acho que com a vivência nossa, isso na verdade tem realidade n a cultura do país. (10:27) Então você consegue com uma certa facilidade identificar se ela está falando a verdade ou não. Também vai ver o tempo de atividade dela. Uma empresa que 10 anos, 15 anos, 20 anos no mercado já tem uma certa solidez no mercado ...já tem uma atuação mais equilibrada. Não significa que não vai tem problema. Ele está sujeito aos critérios econômicos. (11 :30) [... ] O processo é por caso e muito subjetivo. (12:04) [ ... ] A gente consulta os bancos com quem a empresa trabalha [ ... ] Tem alguns bancos que são os exemplos no mercado, que são muito conservadores e se eles dão crédito ali é porque realmente acreditam na empresa. Então é um ponto positivo para a empresa. Logicamente, envolve a garantia da operação. (13:00) Aqui no Banco só utilizamos uma garantia forte. Sem uma garantia forte, a gente não opera com o cliente. Então, para v ocês a g arantia é m ais i mportante... do que a própria empresa, a própria avaliação da empresa. (13:25) Que t ipo d e g arantia v ocês a ceitam? Hoje em dia a mais importante é ou a aplicação financeira... Ele mantém o volume aqui que faça ... Uma garantia em d inheiro? Em dinheiro. Ele faz uma aplicação de CDB, RDB, ou até aplicação externa vinculada à operação. (14:03) Isso é uma coisa normal hoje, não somente neste banco. [... ] ou uma garantia de recebíveis. O cliente tem um contrato com Petrobrás, por exemplo. Ele consegue o direito de receber direto da Petrobrás. Então a Petrobrás, em vez de pagar para ele, paga ao banco. A gente aceita outras garantias também. Depende da operação. Fazemos muito com garantia de CPR. 50 São certificados de produtos rurais, uma garantia em papel, que por trás este papel tem a safra agrícola. Como o Brasil está indo muito bem na produção agrícola, esta é uma garantia forte. Existe um risco logicamente. Se quebrar a safra, você não consegue performar a garantia. Uma seguradora garante este papel. (15:21) Um terceiro garante o papel. SOa Cédula de Produto Rural (CPR), representativa de promessa de entrega de produtos rurais, com ou sem garantia cedularmente constituída. h ttp://www.dtvm.com.br/tinagro.htmI 89 A g arantia d o t erceiro deste papel é u ma espécie d e f iança? Exatamente ... Se este cliente não performar a garantia, nós comprometermos a liqüidar esta operação. (16:00) P odemos fazer uma l ista d as g arantias q ue v ocês a ceitam? 1. Reciprocidade - Aplicações 2. Recebíveis - Contratos 3. Reais - Hipotecas 4. Duplicatas 5. Cheque e Cartão de Crédito 6. NP + Aval (c/ean) A plicações s ão n ormalmente 1 00% d o e mpréstimo? Depende do cliente. Tem cliente que são 30% do valor do empréstimo, tem cliente que são 50%. Conforme o risco do cliente. Se o risco for maior, a gente aumenta este %. Os recebíveis ... toda cobrança fica aqui dentro do Banco. Ele transfere para o domicílio bancário dele. A gente sabe todo o volume operacional dele. Tudo passa aqui pelo banco. Então você pode travar. Se ele criar algum problema, você trava. Tudo que entrar de cobrança sua, eu vou amortizar no seu saldo devedor. (17:30) Garantias reais normalmente são operações com o BNDES. Normalmente a gente está financiando uma construção. Então, esse móvel entra com garantia da operação. Toda operação do BNDES tem uma garantia hipotecária. Se não for o próprio móvel, o cliente nos dá outro móvel dele como garantia. E este móvel, é feita uma avaliação por uma empresa especializada [... ] que nos diz que este móvel vale R$ X milhões no mercado e se tiver que vendê-lo às pressas, R$ X menos. Então nos dá o valor certo. (18:38) Tem as operações feitas com duplicatas. Operações normais. O cliente vende, emite uma duplicata, entrega esta duplicata pra gente. Hoje em dia, estas operações são bem raras. Envolvem um risco maior. (19:05) Qual a d iferença entre as operações d e r ecebíveis e as d e d uplicatas? Nas operações com recebíveis normalmente se dá um recebível de um contrato, uma prestação de serviço que tem com um cliente dele. Nos dá o contrato. (19:24) Por exemplo, uma construtora que tem um contrato com prestação de serviços com uma empresa, uma multi nacional está construindo lá uma unidade dela, uma fábrica nova. Então, vai demora dois anos para a construir. Só que ela precisa do capital de giro agora para iniciar a construção. Nós damos o valor total para a construtora, e ela nos dá o contrato que tem com a multi nacional como garantia. Então a multi nacional vai pagar mensalmente para ela. Só que em vez de pagar para ela, paga diretamente pra gen1'e. A multinacional emite um documento pra gente dizendo que ela vai pagar para o Banco. (20:27) As operações com duplicatas, hoje em dia, são muito raras. 90 Hoje, aplicações estão sendo 100%. (21 :07) O Banco é muito dinâmico. Nunca se sabe. [ ... ] (21 :21) Então as empresas estão mais líqüidas. Como sobra dinheiro, normalmente os clientes fazem este tipo de operação. Ele vai tomar um empréstimo e aplicar com isto. A taxa de juros no empréstimo é maior do que a taxa de juros na aplicação. Então você tem uma diferença que gera mais despesa financeira para ele. (21 :49) [... ] ele pode gerar mais de despesa para poder abater o imposto de renda dele ... pagar menos de imposto [... ] O Banco pega a aplicação, fica com o dinheiro dele e só cobra uma taxa de serviço. Ele reduz um pouco do lucro dele e recolhe um pouco menos de imposto. (22:52) Qual o limite do BNDES? (24:18) Mais ou menos R$ 1.500.000.000. Depende do tamanho do banco. [A garantia de cheque e cartão de crédito] é normalmente feita com comércio, uma rede de lojas. [A empresa] vem aqui para descontar os cheques. Ela nos dá esses cheques que ficam como garantia da operação. E cartão de crédito, ela vende com cartão de crédito, só que o administrador do cartão demora 30 dias para repassar o valor para ela. Ela vem aqui e antecipa essa conosco e o [administrador] repaga diretamente pra gente. (25:40) (26:08) O Banco, ele focou um pouco mais nas grandes operações ... acima de R$ 1.000.000. Na área de cheques, as operações são de R$ 100.000 - R$ 200.000. Mas o Banco preferiu operar em um patamar um pouco maior. [ ... ] (26:46) É uma forma de crescer a carteira de clientes. Podemos dizer qu~ por uma questão de opção em operar com empresas de porte médio em diante, podemos minimizar o risco, mantendo a rentabilidade. Normalmente, corporate tem muito de recebíveis e garantias reais. Também tem operações com NP + Aval do sócio, o que a gente chama de uma operação clean. Por que se chama de c/ean? São operações que por razões legais, são mais difíceis de serem cobradas e/ou acionadas judicialmente. Tem que avalizar um sócio? Tem que avalizar um sócio. Pega uma empresa corporate com um rating de AA ou A+. O nível de risco dele é muito pequeno. [ ... ] O sócio assina a nota promissória, avalizando a operação. Ele avaliza e a gente fica com a NP aqui, avalizada por ele. E se ele não pagar? (28:32) Se não pagar, a gente executa ele, a empresa mais ele. (28:47) (30:00) Dentro de estes [seis tipos de] garantias, você pode misturar. Você faz uma operação, uma parte com reciprocidade e uma parte com recebíveis. Depende muito do cliente e do risco que envolve a operação. (30:30) 91 V ocês t êm u ma p olítica f ixa q uanto à s v isitas? O ideal é você visita todos os clientes. Aqui não tem nem o tempo hábil nem o pessoal para fazer isso. Então a gente estabelece visitas com clientes que envolvem um risco maior. As visitas são feitas periodicamente. Não temos uma política fixa. A primeira vez que vem pelo banco, vamos visitá-lo. Isto é antes de estabelecer um limite de crédito para ele. Depois é feito um acompanhamento, que estabelece se o cliente vai apresentar algum tipo de problema. Vai ver se está piorando a situação financeira dele ou ver se o setor de atividade dele vai ser um problema. Vai ver como ele vai conduzir as operações dele. Para atualizar um relatório de crédito, se ele apresentar uma manutenção d a situação, a gente fala com ele só por telefone. Invariavelmente, com todos os clientes, com todas as revisões, a gente fala por telefone. Perguntamos como está indo, quais as perspectivas dele, se melhorou alguma coisa, tem algum projeto novo, como está indo o mercado dele, etc. (32:35) Isso é obrigatório. Q uanto t empo d emora o p rocesso i ntero? Normalmente demora em média quinze dias desde quando a documentação entra até fazer uma visita de crédito, preparar;um relatório de crédito e conseguir a aprovação do comitê. (34:36) Às vezes você pega grupos que envolvem diversas empresas. Então você tem que elaborar um trabalho mais detalhado. Nós trabalhamos com prioridades. Aí o Banco mudou muito neste sentido. O Banco identificou uma oportunidade de negócio em tal nicho: A gente foca nosso trabalho para aquela área. Normalmente quando a gente faz isso, faz um estudo do mercado para conhecer. Nós tivemos, no passado, uma demanda muito grande para operações com garantia de CPR, para produtos agrícolas. Fizemos um estudo para saber qual produto agrícola envolve maior risco, menor risco. Pegamos uma visão global do mercado para ver se realmente esta [área] vale a pena ou não. Qual o risco envolvido nisto? (36: 18) A área de Risco vai acompanhar a carteira. Diariamente acompanha a carteira de crédito. [... ] Tem que estar sempre respondendo ao Banco Central. O Banco Central questiona muito. Faz acompanhamento do mercado. Estabelece políticas. "Vamos entrar este mercado, neste setor. Vamos focar as operações neste mercado. Vamos sair de outro mercado. Tem um risco de crédito maior." Tenta projetar alguma coisa para frente para o Banco quanto aos setores e mercados de atividade. Um determinado setor de atividade pode gerar algum problema se caso ocorrer determinada coisa. (37:45) Esta semana, a gente estava com a eminência do Presidente do Banco Central pedir demissão por causa daquele problema da acusação sonegação de imposto. Caiu o Diretor do Banco Central, e nós estávamos em uma expectativa se Meirelles ia lhe pedir demissão ou não. Porque ocorre isso, existe uma turbulência muito grande no mercado. Então tem que estar preparado para isso. Normalmente o dólar sobe, a bolsa cai. Isso pode ter um impacto para nossos clientes que têm dívida em dólar. Tem que começar a identificar uma série de fatores que isso pode provocar. É uma preocupação que tivemos esta semana. Também o pessoal de Risco vai reportando ao dono do Banco como está a performance da carteira. (39: 19) 92 (39:45) Também tem que fazer um acompanhamento sistemático do rating do cliente e do rating das operações. Vocês fazem este acompanhamento cada s eis m eses? Depende do cliente. Quando ele vem pela primeira vez, se estabelece um rating para ele. Se for rating A ou B, a gente acompanha esse cliente de seis meses em seis meses. Para clientes com rating C ou D, 90 dias. Você vai recalcular o rating dele para ver se fica nesse patamar ou não. Isso, no Brasil, é obrigatório. Todos os bancos têm que fazer isso. Foi estabelecido pelo Banco Central no Brasil, quem acompanha isso. Isto também provoca um nível de provisionamento que o Banco tem que fazer. (41 :11) O Banco Central quer saber quanto na carteira tem rating A, quanto tem rating B, [etc]. O Banco Central pode falar que um cliente que classificamos como C não é, e temos que rebaixar o rating dele para D e aumentar o provisionamento. Como o BACEN sabe q ue u ma e mpresa n ão é C? Ele vem aqui. Quando? Uma vez p or a no? Depende. Uma vez por ano. Duas vezes por ano. Se ele ver que existe algum risco no Banco, ele vem às vezes até muitas mais vezes e coloca uma auditoria no Banco. (41 :55) Este acompanhamento cada t rês m eses é u ma p olítica d e v ocês o u o BACEN? Isso é uma política nossa, mas estabelecida pelo BACEN. [... ] M ais v ocês e scolheram t rês m eses? Sim. Porque hoje nós estamos operando sem limite de crédito. É operação por operação. (42:26) Então estes clientes de C e D, a gente toma um pouco mais de cuidado. [ ... ] Porquê? Porque hoje em dia pelo fator de risco que envolve a economia brasileira, nós não trabalhamos com limite de crédito. [... ] (43:10) Agora estamos começando a voltar com alguns limites de crédito, mas por 90 dias, para todos, independentemente do rating. (43:20) Isso é uma política interna nossa. [ ... ] (44:45) Até o final da semana passada, nós estávamos tomando muito cuidado. Nós achávamos que a economia ia dar um ... e ia acontecer alguma coisa e por isso .... que gerasse algum tipo de problema. Nós estávamos assegurando um pouco. Agora estamos vendo que parece que não vai ter uma .... que nós vamos começar a estabelecer em 90 dias, mas que os clientes, a gente ver que realmente têm condição de manter. (45:12) São cuidados internos. Mas é d evido à e conomia s ó? É pela economia. O Banco está passando por um momento de transição [também]. Mudou o Presidente do Banco e todos os Vice Presidentes do Banco. Então este pessoal está conhecendo agora, tem pouca confiança agora. Então eles querem sentir primeiro ... estabelecer... Eles vão trabalhar com as pessoas. [ ... ] [Querem] confiança nos diretores. Aí começam a passar as responsabilidades. "Você pode trabalhar com esta alçada. [... ] Não precisa trazer para mim decidir." Então, até isso acontecer, a gente está nesse negócio. (46: 12) Quantas pessoas chegaram? Quantas mudaram? Tudo mudou. Toda a administração do Banco, o Banco intero. O Banco antes era do dono do Banco. [... ] Ora ele passou a ser o Presidente do Conselho da Administração. Os outros, a 93 Diretoria Executiva, cada Diretor Executivo assumiu uma outra parte do grupo. [ ... ] Foi contratado outro Presidente. [... ] Foi eleito um novo Vice Presidente. A gente tem um Vice Presidente Administrativo, um Operacional, um de Crédito [etc]. Mas esses Vices Presidentes eram todos diretores do Banco. Eram promovidos a Vice Presidente. Eles conhecem bem o Banco. (47:28) Têm 15 - 20 anos no Banco. Mas é uma nova responsabilidade. São essas pessoas que estão dando suporte para este novo Presidente. Então, até a pessoa pegar um ritmo no trabalho, a gente está operando nesta forma. Imagino que deve durar pouco tempo. (47:55) [ ... ] Hoje, qualquer operação ele tem que aprovar, qualquer coisa tem que passar por ele. Ele participa nos comitês, todos os comitês. Está totalmente fuI/-time nos negócios do Banco. Logo a logo, ele começa a estabelecer as responsabilidades. Ele não vai participar de tudo. (48:35) [ ... ] Você acha que esta transição prejudica o Banco um pouco? Prejudica. Quanto aos concorrentes? internamente. Não. Só exige um pouco mais de esforça Mais papeis? Mais papeis. Você viu o cliente mais vezes. Mas é bom porque você acompanha o cliente mais de perto. (49:22) [ ... ] Mas no Banco, no mercado, ele opera na mesma forma. Só é uma coisa interna. Tem alguns bancos de grande porte que chegaram a esta conclusão também, e operam em um determinado período deste jeito. [... ] (50:00) Tem que estar sempre atento ao mercado. Não é só a área de risco. As outras áreas do Banco ajudam também. A Tesouraria ajuda. [... ] Há uma sinergia muito grande entre as áreas. [... ] (51:10) Neste processo de chegar a um rating, qual porcentagem do processo é automatizada? 100% do rating, não da parte de análise de crédito. O rating, ele envolve vários fatores até chegar a um rating final. Então você envolve: a parte mercadológica do cliente, controle acionário, a situação econômica financeira do cliente, as garantias da operação, e a bancabilidade dele. O seja, com quais bancos opera, e se ele tem algum tipo de problema em alguns destes bancos. É automático. Você só transporta os números contábeis do cliente para uma planilha e ela calcula. Aí tem o julgamento, se o controle acionário é forte ou não, se a administração dele é competente ou não, se o mercado dele está ou não está bem, e se os bancos que operam com ele são bancos de primeira linha ou não. A garantia também é automática, puxa para essa planilha. (52:49) Você dá só um upgrading se for uma garantia mais forte. Na análise de crédito, o rating é só mais um aspecto na decisão de crédito. Não é o mandatário na decisão. É mais um aspecto entre os vários que a gente avalia. Além do rating, o que usam? Depois do rating (Avaliação de Risco de Crédito), tem o Relatório de Crédito. (53:59) Dentro deste relatório, você vai colocar tudo. 94 Avaliacão de Risco de Crédito (com peso) Mercado - 5% C ontrole Acionário - 15% Análise Econômica Financeira - 40% Análise d e Bancabilidade - 20% os bancos que operam com ele Análise de Tendência - 10% se ele vai te dar algum tipo d e problema, 6. Análise de Performance Passada - 10% se ele d eu algum tipo d e p roblema (atrasou Algum p agamento de operação) =Rating Parcial da Empresa + 7. S ituação de Advertências e Restritivas - (SPC, Serasa, Central d e Risco d o B ACEN) =Rating do Cliente 1. 2. 3. 4. 5. 8. Análise das Garantias = Rating da Operação (1 :00:39) Q uadro A NEXO F.1 - Características da Avaliação d e C rédito Fonte: Entrevista com Banco 11, j ulho 200451 51 Tudo é estabelecido pelo BACEN. (lnfonnação da mesma entrevista com Banco 11, julho 2004) 95 Relatório de Crédito A. Dados Cadastros 1. Controle Acionário 2. Administração (Pessoas) 3. Relação de Bens e Imóveis 4. Empresas Coligadas 5. Restrições B. Faturamento C. Posição de C entral de Risco 1. Endividamento Bancário D. Condições Operacionais 1. Atividade 2. Funcionários (#) 3. Clientes 4. Prazo médio de Vendas 5. AtrasoslInadimplência 6. Fornecedores 7. Prazo médio de Compras 8. Notas /Obs. Estudo Preliminar de Viabilidade Situação Econômico-Financeira Conclusão/Parecer do Superintendente Comercial Quadro ANEXO F.2 - Características do Relatório de Crédito Fonte: Entrevista com Banco 11, julho 2004 (1: 17:53) Uma empresa d e m iddle m arket t em f aturamento d e q uanto? Até R$ 100.000.000 ao ano, a gente considera o middle. [... ] V ocês têm u ma p olítica f ixa d e a dministrar r isco? (1: 19:03) Sim. Acompanhamento diário das operações do cliente. [... ] Acompanhamento diário do mercado. [ ... ] (1 :20:11) Envolve um acompanhamento da carteira de crédito em uma forma geral. E normalmente, os diretores comerciais indicam se alguns clientes vão gerar algum problema ou não. C omo s abem i sso? Eles estão no mercado. pessoas. (1 :20:50) [ ... ] Conversam muito com outras (1 :22:51) Tem comitês de risco. São mensais. É feita uma avaliação [... ] da carteira de uma forma geral. (1 :23:17) O diretor faz um relatório mensal. (1 :23:40) A pesar de relatórios diários, ele cria um relatório mensal. Envolve: como está sendo feito o acompanhamento, quais as medidas consideradas notáveis, o que é que pode melhorar. Ele elabora o relatório e o manda para o Presidente do Banco. (1 :24:03) O Presidente faz um acompanhamento mensal. Aí o Banco vai tomar umas decisões como fechar alguma área de atividade ou melhorar os comitês de crédito. [Por exemplo,] não quero que seja incrementado determinado assunto dentro do Relatório de Crédito [... ], tem que aumentar ou diminuir a quantidade de comitês 96 [etc]. É muito dinâmico. Eles estão estabelecendo de acordo com o andamento de negócios. (1 :25:15) Trabalha-se muito com projeções. No Brasil, as projeções são meio complicadas. C omo é o t amanho da carteira (de m iddle e c orporate) h oje em d ia? (1 :25:51) R$ 7.000.000. De empréstimos? Sim. É equilibrado, 50% de middle e 50% de corporate. A quantidade de clientes é bem menor, mas o volume das operações é muito grande. (1 :26:15) Em números de clientes, vai ser 70% e 30%. [ ... ] Carteira - Corporate v s. M iddle (R$ b ilhões) Middle, R $3.50, 50% Corporate, R$3.50, 50% [E) Corporate . l\IIiddle Gráfico ANEXO F.1 - Carteira, Corporate vs. Middle Fonte: Entrevista com Banco 11, julho 2004 (1 :28:13) Hoje em dia, o BACEN não trabalha só como auditor. Trabalha com consultor dos bancos também, porque ele verifica quais os problemas dentro do banco e indica soluções. Então hoje o BACEN realmente tem uma cara de Banco Central. Mas no Brasil, isso é uma coisa de 5 a 6 anos para cá. Hoje, ele conhece o que está acontecendo nos bancos no país. Todo esse processo [a Avaliação de Risco de Crédito e os pesos] foi elaborado em conjunto com os bancos. Demorou uns anos para chegar a esses números. Chegou à conclusão que tem que ser feito desta forma. O BACEN normatizou isso e o colocou em prática. (1 :29:00) De 2 a 3 anos para cá, é obrigatório isso. [... ] M as se o m ercado d e u ma empresa recebe u m 4 o u u m 5 é p elo j ugalmento d e v ocês? O jugalmento é da gente, mas você tem um padrão [a Avaliação de Risco 97 de Crédito e os pesos do BACEN]. (1 :29:37) [ ... ] (1 :29:43) Por exemplo, a nota que damos para Administração da Empresa, você tem de 1 a 10. Então nota 1 é administração profissionalizada, com profissionais conceituados no mercado. Nota 2 é familiar competente com consultora externa. Nota 3 seria familiar que não tenha nenhum envolvimento de pessoas externas. A gente tem que trabalhar dentro desta faixa. Senão, o BACEN questiona. Foi ele que indicou esta metodologia. Então, é um julgamento muito restrito. (1 :30:50) [... ] Se não trabalhar dentro da normatização, o BACEN te multa. (1 :31 :34) [ ... ] Hoje em dia o BACEN tem cara de Banco Central. Ele realmente normatiza o mercado e faz que você trabalhe dentro das normas. (1 :33:34) [... ] (1 :39:40) O crédito é algo muito peculiar. Cada caso é um caso. Tem que estar atento de tudo que está acontecendo. Pode atingir diretamente a forma de avaliação, ou mudar políticas de crédito. As coisas mudam muito. (1 :40:03)Nestes 20 anos de vivência, mudou muita coisa, Plano Cruzado, Plano Collor, Plano Real. [ ... ] Foram planos totalmente diferentes um do outro. (1 :41 :00) [ ... ] (1 :41 :23) [ ... ] uma fase boa, o Plano Real. Foi quando as empresas começaram a crescer. Depois veio a inadimplência. Depois veio o crescimento do dólar. As empresas que tinham dívidas em dólar tiveram que renegociar suas dívidas. O Brasil é meio complicado quando você projeta uma coisa para frente. Nunca sabe. Veio o Lula, um presidente da esquerda. Nunca sabe o que ele vai fazer. Tem que tomar muito cuidado. Estive nos Estados Unidos na Ford em crédito. (1 :42:07) Lá é uma coisa muito mais constante. Então você tem formas de visualizar o futuro com mais facilidade, uma coisa que aqui a gente não consegue. Tem que tomar vários cuidados diariamente. (1 :42:30) [... ] (1 :42:50) Trabalhou para a Ford? Na Ford Motor Gredit, a financeira dela, por 4 % anos. Estive nos Estados Unidos para aprender políticas e procedimentos. O que é aplicado lá tem que ser aplicado aqui. E mundial. (1 :43:25) [ ... ] (1 :50:00) Lá você tem mais acesso às informações. Aqui no Brasil, a gente está aprendendo a ser mais transparente. [Nos Estados Unidos], as empresas estão mais desenvolvidas, oferecem um volume de informações maior. [... ] E o próprio desenvolvimento da economia facilita também a criação de instrumentos para você puder acompanhar, Lá o crédito é muito normatizado, automatizado principalmente o crédito. principalmente por essas facilidades. (1 :51 :00) Você tem a facilidade de buscar informação mais correta, o que acho muito bacana. Tem um banco de dados monstruoso. Ele elabora estatísticas que servem como eredit seore. Ele bate diretinho. É uma coisa milimétrica. A margem de erro é muito pequena. Então estabelece faixas de controle, de consumo. Chega oferecer para o cliente exatamente o que o cliente pode pagar, nem mais nem menos porque tem um perfil muito melhor elaborado. (1 :51 :43) Tem um· banco de dados ... é monstruoso. É uma coisa muito detalhada, até o ponto de você chegar de saber que aquele cliente em determinada época do ano tem $ X mil na conta corrente. Eles conseguem fazer isso. Porque eles fazem isso? Oferecer financiamento para o cliente naquela época do ano. Querem saber se o cliente está com recursos disponíveis. Vai oferecer o automóvel, o financiamento e o seguro. Faz o pacote intero para o cliente. Para a gente chegar com isso, aqui no Brasil, nós vamos demorar muito tempo. (1 :52:27) 98 (1 :53:00) Aqui, no Brasil, a Ford não oferece financiamento, seguros, etc? Oferece financiamento normal. Como o que qualquer banco oferece. É uma coisa muito normal. Lá nos Estados Unidos, não. Eles sabem até qual carro o cliente vai querer. Estabelecem um perfil total do cliente. Um cliente da Califórnia tem um perfil. Um cliente do Nova York tem outro. [... ] (1 :53:44) Aqui no Brasil, a gente não tem o banco de dados que nos propicie isso. Muitos poucos são os bancos que têm esse tipo de preocupação. Tal vez os administradores de cartões crédito tenham mais facilidade para isto. Mas eles não têm muito produto para oferecer, só um cartão de crédito. A Ford Motor Credit nos Estados Unidos tem ou automóvel, ou financiamento, ou seguro. E vai ter outras coisas que oferecem. Atrás do automóvel, vem com serviço. Você pode comprar serviço por dez anos. Ela consegue oferecer até o próprio pneu do carro. (1 :54:35) Então a F ord sabe que quando oferece essa coisa vai custar à empresa $X devido ao perfil do cliente e por isso sabe quanto cobrar? Exatamente. Sabe quanto vai ter na conta corrente de disponibilidade para poder gastar na compra de um determinado veículo em uma determinada época do ano. (1 :55:33) [ ... ] Por exemplo, as montadoras pagam bônus para os empregados em um determinada época do ano. Então vai saber em que época do ano o empregado vai ter uma disponibilidade para poder gastar no que a Ford oferece. (1 :56:22) Conhece a política de onde você trabalha. Não sabe exatamente o que é que o cliente vai ter. Vai saber que o funcionário vai ter condições melhores para ter um veículo melhor do que tem hoje. Chega oferecendo. É muito bacana. (1 :56:50) [... ] Se você não fizer uma loucura, você consegue pagar com uma tranqüilidade muito grande. (1 :57:1 O) O americano consegue programar com muita facilidade. [... ] (1 :59:30) Estava lendo um artigo sobre a iniciativa de algumas financeiras aqui no Brasil de criar um birô positivo. A Serasa tem um banco de dados enorme, de informações. Todos os bancos e financeiras consultam para ver se o cliente tem uma restrição ou não. A Serasa começou a desenvolver esse birô positivo em associação com os bancos e financeiras. Só que ela está tendo um pouco de dificuldade porque precisa dos bancos de dados dos bancos e financeiras. Os bancos e financeiras estão um pouco relutante em conceder esses bancos de dados. (2:00:41) Porquê? Porque não querem dar a carteira de clientes deles. Eles acham que os outros bancos vão se aproveitar disso. Tem isso tipo de problema. [ ... ] Está em desenvolvimento. Há uns anos já. Temos de automação totalmente pronta. Só falta alimentar isso. (2:01 :26) o que se precisa para empurrar este processo? Conscientização dos banqueiros do que isto é importante. [... ] (2:02:12) Os bancos estão com uma dificuldade de aceitar que pode oferecer o banco de dados deles sem ter a concorrência porque isso não vai ficar com ninguém. Vai ficar com a Serasa. Vai ficar disponível para você consultar. (2:03:04) O problema é confiança. Você acha que o BACEN pode entrar no processo para ajudar? Pode. Ele pode influenciar positivamente o desenvolvimento disso. (2:03:20) [ ... ] (2:03:35) O BACEN já nos fornece a informação do risco do cliente no mercado [Central de Risco]. [... ] 99 Hoje a gente sabe quanto o cliente está devendo no mercado. Não sabe em quais bancos. Agora a partir deste mês, vai disponibilizar o quanto e no que o cliente está devendo, quais as modalidades de operação: capital de giro, fiança, BNDES. Vai abrir as modalidades. (2:04:20) (2:05:40) Crédito no Brasil está evoluindo muito. Mas é coisa de dez anos para cá. [O Brasil) não estava familiarizado a trabalhar com crédito porque tínhamos uma inflação muito grande. Ela encobria qualquer coisa, e as empresas deixaram de produzir para aplicar dinheiro no mercado financeiro. A rentabilidade do mercado Não financeiro era maior do que você produziu e vendeu alguma coisa. trabalhávamos muito com crédito no país. Era muito pouquinho. Existia crédito, mas não tinha a importância que tem hoje. (2:06:24) Por que as pessoas investiram no mercado em vez de investir na empresa? Depois que veio o Plano Real que estabeleceu uma estabilidade muito maior, as taxas de juros caíram. Não compensou você deixar seu dinheiro no mercado porque Os empreendedores começaram a destinar esse dinheiro para a ganha pouco. produção de alguma coisa, produzir geladeira, fogão, produzir bens que dão um retorno maior. (2:07: 17) Aí sim houve a necessidade de um volume maior de crédito no país. Para ele poder produzir, ele tinha que investir. E deve ter suporte financeiro para isto. Foi ao banco [para] buscar financiamento [ ... ]. Então aí começou a ter uma cultura de crédito um pouco mais enraizada no país. (2:07:44) [ ... ] (2:08:22) Uma parte muito pequena da população brasileira se beneficiava do crédito. Hoje a população brasileira tem acesso ao crédito com muito mais facilidade. Devido ao Plano Real? Sim. Mas se abriu crédito em uma forma meio atribulada. Então nós tomamos vários calotes e aprendemos com isso. Então se foi desenvolvendo em cima dos problemas que foram aparecendo no caminho. (2:09:09) [ ... ] (2:09:24) Crédito no Brasil é muito novo. [... ] (2:09:47) Você coloca alguma coisa em prática, mas nunca se sabe se aquela coisa vai funcionar . direitinho. Você vai corrigindo as coisas de acordo com o andamento do negócio. (2:09:57) [... ] (2: 10:45) Quando um banco quebra, é um problema sério, principalmente aqui no Brasil. Quanto ao PIB no Brasil, o sistema financeiro representa quase 40%. Um banco quebra, envolve outro e vira um efeito dominó. E vai ter problemas em outros setores. Isso, em termos de economia global para o Brasil, não pode. O Brasil vive em uma linha d'agua. (2:11 :25) Qualquer problema que você tiver, os investidores estrangeiros começam a tirar dinheiro daqui. A gente depende disso. O Brasil não consegue gerar uma riqueza suficiente para financiar os investimentos internos. Você depende de financiamento externo. Se você faz alguma besteira no meio do caminho, os investidores externos começam a não destinar recursos para o Brasil. A gente necessita esses recursos. (2: 11 :55) [... ] Hoje em dia, quanto do dinheiro que vai para investimento aqui no Brasil vem de fora? Quase 100% 100 Mas existem BNDES e fundos. Tudo é recurso externo. Banco Mundial, Banco Interamericano, FMI, [etc.] (2:12:45) Até fundos estrangeiros. [ ... ] (2:13:00) Hoje, são muito poucas as empresas que conseguem gerar riqueza internamente para investir em um negócio [... ] (2:13:50) Este país exporta muito. Exporta muito, mas a gente exporta produtos primários. O valor agregado ... Não é rentável. Você precisa de grandes volumes para gerar uma riqueza razoável. O Brasil produz muito produto agrícola, para poder exportar em volume muito grande para poder trazer divisas razoáveis ao país. (2: 14: 17) Não é exportador de produtos de valor agregados. Não é exportador considerável de bens de consumo manufaturados. [ ... ] Por exemplo, exporta grão de café. Não importa café já embalado que atinge um valor maior. (2:14:56) [ ... ] E a indústria automóvel? Quase 60 a 70% do que é exportado do país são produtos agrícolas. (2:15:30) [... ] E para você transformar estes produtos em produtos de valor agregado maior, precisa de investimento. (2:16:12) [... ] (2:18:03) Por exemplo, na indústria têxtil, se você quer modernizar seu parque industrial, tem que importar as máquinas porque no Brasil não tem nenhuma empresa que fabrica máquina pra indústria têxtil. (2:18:18) Papel de celulose, se você quer aumentar a capacidade produtiva, tem que importar a máquina. [... ] (2:20: 11) Tudo isto faz parte de uma evolução. O Brasil vai chegar lá. A política no país ainda é muito forte. A política interfere no econômico. Se você tirar um pouco da política do econômico, o Brasil anda bem. Vai separar o BACEN do governo? Tudo isso é um processo de separação. Vai ser independente. Aí o governo não vai poder influenciar nas políticas no BACEN. (2:21 :16) A tendência é essa. Todo esse trabalho que está sendo feito já é nesse sentido. Por isso, estávamos muito preocupados quando a gente recebeu essa notícia que o Presidente do BACEN poderia pedir demissão. Nos preocupa muito porque você tem um vacuum no desenvolvimento dos processos. A gente não sabe quem é que vem. Meirelles é uma pessoa extremamente competente. É uma continuidade, um trabalho que começou há dez anos. De repente, a gente não sabe quem vai assumir. (2:21 :55) [... ] A gente quer que ele continue lá, continue com o processo. É um processo interno do BACEN. (2:22:25) 101 BIBLIOTECA l