FGV EESP - MPAGRO: Dissertações, Mestrado Profissional em Agronegócios

Dissertações apresentadas e aprovadas no curso de Mestrado Profissional em Agroenergia da Escola de Economia de São Paulo.

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    Análise dos riscos que comprometeram a rentabilidade da soja na região Centro Oeste nos últimos dez anos (2013 a 2023)
    (2023-11-29) Hilbig, Denise Prestes dos Santos
    De acordo com levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o agronegócio foi responsável por 44% das exportações do país no ano de 2017. No ano de 2020 o PIB do agronegócio avançou para um recorde de 24,31%. Nesse mesmo ano de 2020, dos R$ 7,45 trilhões do PIB brasileiro, o agronegócio representou quase R$ 2 trilhões. Entre janeiro e setembro de 2023 as exportações do agro somaram R$126,22 bilhões, recorde histórico, com crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2022. No cenário econômico ao qual o mundo está inserido no momento, existe uma forte demanda por commodities, fator este que vem contribuindo cada vez mais com o agronegócio e criando diferentes possibilidades em toda a cadeia produtiva. A produção ocorre em todas as regiões do país, em sistemas de produção que realizam alternância de culturas, com a soja e milho se destacando como as culturas predominantes. Regionalmente, o Centro-Oeste se destaca como maior produtor de grãos, concentrando 45% da produção de soja, 42% de sorgo e milho safrinha com 73% da produção nacional, referentes à safra de 2017/18. Diante disso, o objetivo do presente trabalho é o de verificar quais são os riscos inerentes à atividade agrícola que mais impactaram a cultura da soja e sua rentabilidade no Centro-Oeste nos últimos dez anos (2013 a 2023). Os resultados mostraram uma maior representatividade na região CentroOeste dos riscos de preço e de produção e uma necessidade de conscientização dos produtores rurais envolvendo os instrumentos para a gestão dos riscos de preço, como por exemplo os mercados futuro e a termo.
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    Firmas de trading de commodities e seu papel na cadeia produtiva da soja
    (2023-11-28) Paffaro, Roberta Iansen
    O Agronegócio assumiu nos últimos anos uma importância ainda maior para o crescimento e desenvolvimento do país, sendo grande responsável em manter o saldo da balança comercial brasileira positivo. Entre os produtos agrícolas, destacam-se a produção de grãos, com liderança da soja. O potencial exportador do complexo soja no Brasil chega a 23% do valor total exportado por tradings, evidenciando a importância delas para a cadeia produtiva da soja. Crises fiscais do final do século XX levaram a mudanças políticas, colocando assim o agronegócio como atividade central na recuperação da economia brasileira, abrindo espaço para a atuação de empresas privadas no setor, controlando e financiando a produção, justamente o caso da soja, como as tradings Archer Daniels Midland (ADM), Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company e juntas são conhecidas como ABCD, assumindo papel de viabilizadores da produção de grãos no país e de exportadores. Diante disso, o objetivo geral do presente trabalho consistiu em averiguar o cenário de trading de soja no Brasil e seu papel na respectiva cadeia produtiva, através de pesquisa bibliográfica. Verificou-se que foi consenso entre os artigos selecionados, a crescente importância que a produção de soja tem para a balança comercial brasileira, com produções que batem recordes ano a ano, muito em função da presença das firmas de trading, como as gigantes que fazem parte do ABCD, que se fazem cada vez mais presentes em todos os elos da cadeia produtiva de soja. Os artigos pontuam o domínio do grupo ABCD, todavia o setor vem passando por mudanças estratégicas, principalmente pela presença de novas empresas asiáticas. O domínio que outrora era do grupo ABCD, apresentava mudanças com a presença da COFCO e uma representação de aproximadamente 45% dos grãos exportados pelo Brasil, a partir do ano de 2015.
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    Uma análise comparativa do valor de mercado das empresas do agronegócio “cross country”
    (2023-12-27) Leite, Gabriel Nascimento
    Nos últimos anos, o setor do agronegócio experimentou um crescimento expressivo, impulsionado pela demanda global por alimentos, expansão do mercado internacional e os avanços em tecnologia do campo. Em relação às empresas do agronegócio, estabelecer o valor das entidades é uma atividade essencial no âmbito das finanças corporativas, já que é um prérequisito para atividades de compra e liquidação de negócios, avaliação das ações dos gestores, efetivação de fusões, cisões, incorporações e dissoluções, além de servir de parâmetro para a tomada de decisões, entre outras atividades. Diante disso, o objetivo geral do presente trabalho é o de analisar os diversos indicadores existente para avaliação de empresas, e comparar o comportamento dentre os diversos players do setor do agronegócio, incluindo tanto empresas do agronegócio nacional quanto internacional. Especificamente, buscou-se apresentar os conceitos e metodologias existentes para realizar a avaliação de empresas como Avaliação Relativa (AR), o Fluxo de Caixa Descontado (FCD) e a Teoria das Opões Reais (TOR); analisar o comportamento de determinados múltiplos de mercado como P/L, P/VA, VPA, LPA, FV/EBITDA entre as principais empresas do agronegócio nos últimos cinco anos e realizar comparações destes indicadores entre os players do agronegócio com atividades similares (peers). Os resultados mostraram que a necessidade de avaliação de empresas, ou valuation, dentro desse cenário é crucial para orientar decisões estratégicas. Ao analisar profundamente as empresas do agronegócio brasileiro e compará-las com as empresas estrangeiras, líderes em seus mercados, foi possível trazer informações importantes para a pesquisa. Em relação as empresas brasileiras do agronegócio, pode-se notar que em sua grande maioria, são empresas que recentemente abriram o capital na Bolsa de Valores. Já analisando as empresas estrangeiras, foi possível perceber que 85% delas possuem histórico de mais de 40 anos de mercado. Quando analisado a evolução do Valor de Mercado nos últimos cinco anos, foi possível notar que 62% das empresas brasileiras apresentaram uma redução significativa no valuation, enquanto que 38% das empresas conseguiram aumentar o seu valor. Já em relação às empresas estrangeiras, percebe-se que em sua grande maioria, cerca de 85% da amostra, tiveram um crescimento no valor.
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    Uma análise aos custos na implementação do plant-based no Brasil e seus desafios
    (2023-11-29) Penteado, Christiane de Camargo
    Este trabalho foca no mercado de produtos Plant-Based no Brasil, explorando o contexto de crescimento desse segmento e os desafios e oportunidades associados. O problema central abordado é a viabilidade do mercado Plant-Based como alternativa alimentar sustentável e econômica no país. O objetivo principal da pesquisa foi avaliar qualitativamente a viabilidade de crescimento desse mercado no Brasil, considerando tanto as oportunidades quanto os desafios que ele enfrenta. Os objetivos específicos incluíram a identificação de fatores que influenciam a viabilidade desse mercado, como oportunidades e ameaças, e a análise da aceitação desses produtos como opção alimentar adicional para os brasileiros. A metodologia adotada consistiu em um levantamento bibliográfico abrangente, utilizando fontes como The Good Food Institute, Conab, IBGE, Cepea, ONU, Bloomberg e dados da FAO. Foram analisadas variáveis como consumo per capita de diferentes tipos de carne, crescimento populacional, e preços de produtos Plant-Based e proteínas animais. As considerações finais indicam um potencial significativo de crescimento para o mercado Plant-Based no Brasil, com um movimento crescente em direção a dietas mais flexíveis, como o flexitarianismo. No entanto, desafios como o preço elevado dos produtos Plant-Based e questões de aceitação do consumidor ainda persistem. Sugere-se que as indústrias alimentícias e políticas públicas se concentrem em estratégias para reduzir custos de produção e melhorar a aceitação no mercado.
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    Análise de uma carteira teórica composta por empresas do agronegócio listadas no Novo Mercado da B3 e com práticas ASG (Ambiental, Social e Governança)
    (2023-11-23) Oliveira, Luiz Fernando de
    O Agronegócio foi responsável por 20,4% do PIB do Brasil em 2019 (CEPEA 2023) e 15,1 milhões de brasileiros ocuparam postos de trabalho nos estabelecimentos agropecuários em 2017, (IBGE 2017), o que demonstra a sua relevância para a geração de riqueza, emprego e renda. O Brasil se destaca globalmente como o maior exportador de soja e carne bovina, maior produtor de açúcar e café e terceiro na produção de milho e feijão (Embrapa 2022), o que o consolida como um dos mais importantes fornecedores de alimentos do mundo. Existem enormes oportunidades a serem conquistadas quando observamos a perspectiva de crescimento da população mundial e a preocupação com o meio ambiente. Para conseguir capturar as oportunidades apresentadas, as empresas do agronegócio necessitarão de recursos financeiros para implementar as ações necessárias. Por isto, é importante desenvolver e ampliar as modalidades de captação de recursos ao agronegócio. Os investidores buscam de forma racional maximizar os retornos, minimizando os riscos, mas eles ainda não têm consenso sobre a relevância e eficácia das práticas Ambiental, Social e Governança - ASG na tomada de decisão de seus investimentos. Dessa forma, o objetivo desta dissertação é compreender se as empresas do agronegócio que possuem práticas ASG geram valor financeiro aos investidores e mitigam o nível de risco. Para isso, o estudo utiliza a teoria de Markowitz para definir uma carteira teórica composta por empresas do agronegócio listadas no Novo Mercado B3 e que publicam relatório de sustentabilidade, e comparar a performance (retorno) e volatilidade (risco) dessa carteira ao Ibovespa e ao ISE B3. Sendo assim, o estudo se insere na rica e crescente literatura que analisa a relação entre boas práticas ASG e performance das empresas, demonstrando que essa carteira teórica apresentou um retorno acumulado de 198,62% no período de 03/09/2018 a 01/09/2023 e com um risco de 1,413%, o que sugere o forte potencial de crescimento do setor no mercado de capitais brasileiro.
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    Avaliação agrícola: aplicabilidade da metodologia de valuation para propriedade rurais
    (2023-11-13) Câmara, Jean Michel Moura da
    O agronegócio desempenha um papel crucial na economia brasileira, contribuindo significativamente para o PIB, exportações do país e mercado de trabalho. Em 2022, representou 25% do PIB, alcançando 2,63 trilhões de reais. As exportações atingiram um recorde de US$ 159 bilhões, impulsionadas pela produção de grãos, no tocante ao mercado de trabalho o setor empregou quase 19 milhões de pessoas no mesmo período. No entanto, o agronegócio enfrenta desafios que ameaçam sua competitividade, incluindo infraestrutura deficiente, falta de financiamento, questões de governança, burocracia e desafios na valoração das terras agrícolas. Considerando o contexto anteriormente delineado, que abrange tanto as perspectivas promissoras quanto os desafios, sobretudo em relação à governança, fontes de financiamento e avaliação, o propósito central deste estudo consiste em avaliar a viabilidade da adoção da metodologia de valuation de empresas no âmbito das propriedades rurais familiares no Brasil. Esta avaliação busca não apenas impulsionar o aprimoramento da governança, mas também fomentar parcerias estratégicas e atrair investimentos de capital específicos para esse setor. Avaliamos a viabilidade da metodologia por meio de um estudo de caso de uma propriedade rural familiar que se dedica principalmente à produção de leite na cidade de Silvânia, localizada no estado de Goiás, Brasil. O estudo aplicou os métodos citados acima obtendo valores diferentes para o negócio rural estudado. O método do Book Value estimou o valor em R$ 37,6 milhões, mas ofereceu apenas uma visão estática. A análise relativa resultou em valores de R$ 61,6 milhões (múltiplo do EBITDA) e R$ 55,11 milhões (receita líquida). No entanto, o método FCFE gerou o maior valor de R$ 74,5 milhões, valor este utilizado como o mais aproximado tendo em vista a aplicação técnica como também do mercado. As diferenças entre os valores obtidos destacam a complexidade da Valuation e a incerteza inerente às previsões de valores. Como resultado do estudo, foi possível verificar em todas as fases do estudo a necessidade de modernização da governança, principalmente na sua estrutura jurídica e tributária como também de novas formas e fontes do financiamento para o setor. Nesse sentido, mesmo com os desafios supracitados entendemos que a aplicação das métricas de Valuation permitiu uma visão mais clara sobre a gestão da empresa rural promovendo maior segurança tanto para os produtores quanto para potenciais parceiros.
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    Modelo de produção de óleo essencial de hortelã em ambiente controlado
    (2023-10-22) Gini, Felipe Meinberg
    Esta dissertação explorou as complexidades das fazendas verticais inteligentes (FVIs) com ênfase no cultivo de hortelã-pimenta e a destilação de seu óleo essencial (OE). A pesquisa destacou que a produtividade desses sistemas depende fortemente da gestão, sendo a eficiência produtiva de 90% vital para a viabilidade econômica e sustentabilidade financeira das FVIs. Ademais, foi demonstrado que o controle das variáveis ambientais e ecológicas, apesar de envolver tecnologia de alto custo, traz vantagens significativas para a produção de OEs, incluindo previsibilidade de custo, disponibilidade constante, qualidade padronizada e redução de riscos como adulteração e contaminação. Na medida em que as plantas medicinais ao atenderem padrões elevados de qualidade tendem a alcançar melhor precificação no mercado, a pesquisa revelou uma correlação significativa entre a qualidade das matérias-primas farmacêuticas de origem natural (MPFN) e a pureza dos Ingredientes farmacêuticos ativos naturais (IFAN) como os óleos essenciais. Através de revisão dos experimentos sobre fatores abióticos como nutrientes, intensidade e espectro luminoso, espaçamento, condições ambientais e ecológicas os quais interferem na composição dos óleos essenciais, demonstrou-se que um controle rigoroso do ambiente de cultivo pode melhorar significativamente a qualidade do produto final e consequentemente seu preço. Por todo o exposto, o achado fundamental desta dissertação é a vantagem econômica das FVIs que incorporam o beneficiamento primário das plantas medicinais em sua operação. Esta estratégia, ao contrário de uma abordagem focada exclusivamente no varejo de hortaliças, eleva significativamente a rentabilidade e lucratividade do empreendimento. Deste modo, mesmo com preços básicos de óleos essenciais no varejo (R$ 39,90), a exploração dos OE de Hortelã-Pimenta demonstrou viabilidade econômica ainda que em espaços reduzidos (296 m²). Assim, diferenciando-se do cultivo de hortaliças que dependem de preços prêmio ou grandes operações para sua rentabilidade e não se limitando a produção de nicho. Concluise por tanto que o modelo de Fazendas Verticais inteligentes com beneficiamento primário integrado tem potencial de produzir em larga escala representando uma oportunidade significativa para o setor.
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    A cadeia da macaúba como vetor de desenvolvimento sustentável do pequeno agricultor familiar no cerrado mineiro
    (2023-09-29) Jager, Edineide Gonçalves Araujo
    Combate às mudanças climáticas, atendimento aos ODS e implementação de práticas ESG são desafios do presente século. A exploração econômica da macaúba, por meio de projetos sistêmicos, apresenta potencial para enfrentar esses desafios, uma vez que, através de um sistema econômico mais incluso, equitativo e regenerativo, busca alternativas para solucionar os problemas sociais e ambientais. Nesse contexto, busca-se avaliar se os projetos sistêmicos de incentivo à produção da macaúba e a cadeia produtiva desta cultura podem funcionar como vetores de desenvolvimento sustentável do pequeno produtor rural no Cerrado mineiro. Para realizar tal análise, a pesquisa contou com análise de dados, informações e documentos pertinentes ao tema, entrevistas com diversos agentes e lideranças que atuam junto à cadeia produtiva da macaúba, e visitas de campo. Com base nessas abordagens, foi desenvolvida uma análise SWOT da cadeia de macaúba no Brasil complementada por uma análise GUT. Entre os resultados encontrados, destaca-se que a consolidação da cadeia da macaúba ainda apresenta uma relação de dependência com a cooperação de uma estratégia nacional de economia articulada por órgãos e entidades da administração pública federal, do setor privado e da sociedade civil que permita o crescimento da oferta e demanda de biocombustível verde e do estímulo da bioeconomia de baixo carbono. A construção de um ambiente institucional para viabilizar o fomento social e o empreendedorismo do pequeno produtor rural apresenta gargalos e riscos complexos. Nesse contexto, os projetos sistêmicos apresentam condições de aproveitar as oportunidades estratégicas de desenvolvimento da cadeia produtiva da macaúba e desenvolver os empreendedores que estão inseridos no moderno agronegócio, mas ainda não conseguem beneficiar os pequenos produtores que estão em condições de vulnerabilidades social e econômica.
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    Biocombustíveis no Brasil: regulação e políticas públicas para mitigação de gases de efeito estufa
    (2023-06-26) Castro, Nicolle Alves Monteiro de
    A bioenergia se posiciona mundialmente como uma das alternativas para o desafio global de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar o arcabouço institucional e regulatório associado aos biocombustíveis no Brasil, identificando os mecanismos e a efetividade das políticas públicas implementadas no País, além de comparar os instrumentos adotados no mercado nacional com programas similares em outros países. A análise revela que os programas de biocombustíveis no Brasil, Estados Unidos e Europa possuem similaridades e diferenças importantes, moldadas pelas características e histórico dos setores em cada região. Em todas as regiões, eventuais problemas de oferta associados aos aspectos biológicos inerentes à produção de biocombustíveis foram assimilados de forma satisfatória pela estrutura regulatória existente, sem prejuízo à garantia de suprimento. A presença de mandatos de mistura como forma de equacionar a presença de externalidades e viabilizar o uso de biocombustíveis foi observada em todos os programas avaliados. Mecanismos de taxação de carbono, por outro lado, não foram identificados de maneira clara e evidente nas três regiões avaliadas, embora a tributação diferenciada seja fundamental para viabilizar a competitividade do etanol hidratado no mercado brasileiro. Por fim, também foram encontrados mandatos baseados em emissões ou em intensidade de carbono da matriz de combustíveis entre os mecanismos regulatórios avaliados, com destaque para o sistema vigente na Califórnia e para a política brasileira de biocombustíveis, conhecida como RenovaBio. Entre os desafios associados ao uso de biocombustíveis como instrumento de descarbonização, a estabilidade das regras estabelecidas e a adaptação do arcabouço institucional às características de cada mercado se posicionam entre os mais importantes. A necessidade de equilibrar a segurança de suprimento, a competitividade dos biocombustíveis, a estabilidade regulatória e a redução de emissões, além da maior complexidade imposta pelas novas rotas e produtos da bioenergia, devem passar por constante avaliação e exigir novos aprimoramentos às políticas vigentes.
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    Um novo capítulo no financiamento privado do agronegócio: instrumentos financeiros para a transição brasileira à agricultura de baixo carbono
    (2023-08-31) Oliveira, Phillipe Käfer Haacke de
    O agronegócio e as mudanças climáticas estão interligados. Globalmente, o setor de produção de energia representa a maioria das emissões, seguido pelo setor de agricultura e uso da terra (AFOLU) (OUR WORLD IN DATA, 2016). No Brasil, no entanto, o setor de AFOLU é o maior responsável pelas emissões do país, sendo as mudanças no uso da terra e atividades agropecuárias as principais atividades geradoras (74%, SEEG, 2021), mas estas também são impactadas pelas mudanças climáticas (IPCC, 2019). Para atender às metas de redução de emissões, é essencial direcionar recursos para práticas agrícolas de baixo carbono e sem desmatamento. O Plano Safra 2023/2024 expandiu a agenda de baixo carbono na concessão de crédito rural, mas ainda há necessidade de mais investimentos e assistência técnica nessa área para a mitigação e adaptação climática, aliadas ao aumento da segurança alimentar. As finanças privadas têm o condão de complementar o financiamento público, mas é importante superar as barreiras de percepção de risco dos investidores. De acordo com os resultados obtidos, existe uma tendência no desenvolvimento de instrumentos financeiros para ação climática na agricultura, com foco na Amazônia e Cerrado e especialmente para a recuperação de áreas degradadas. Estes instrumentos vêm superando as barreiras e mudando referida percepção de risco. Neste sentido, foi possível identificar os principais indicadores de impacto e viabilidade financeira para desenvolver uma métrica preliminar de avalição de investimentos climáticos com o objetivo de fornecer análises comparativas à investidores, fomentar estes investimentos e permitir uma evolução dos instrumentos para ação climática no setor.
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    Fatores determinantes da viabilidade econômica de uma unidade de armazenagem de grãos na propriedade rural: uma abordagem para o Mato Grosso do Sul
    (2023-06) Fatorelli, Luiza Mendes Gonçalves
    Este trabalho buscou entender os fatores que afetam o VPL de um projeto de viabilidade econômica para a implementação de uma unidade de armazenagem de grãos em uma propriedade rural para a situação que o produtor já utiliza serviços de terceiros para armazenagem de sua produção agrícola. O modelo de viabilidade econômica produzido por esse estudo pode ser replicado e utilizado para qualquer propriedade produtora de grãos que já utiliza serviço de armazenagem terceirizado para o recebimento e armazenamento da sua produção. Procurou-se entender a relação entre uma série de variáveis e o VPL do projeto, e a sensibilidade do VPL a alterações nessas variáveis para condições mercadológicas, produtivas e operacionais distintas, bem como propor formas de melhorar a gestão de armazéns próprios e sugerir políticas públicas direcionadas a fomentar armazenagem. Para tanto, foram levantadas através da literatura e da pesquisa primaria de dados as variáveis potencialmente significativas para determinar o VPL do projeto, sendo elas a taxa de juros, distância do armazém comercial, preço médio da saca de soja e milho, tempo de armazenagem soja e milho, umidade milho e soja, área cultivada e giro do armazém. Estas variáveis foram relacionadas ao VPL do projeto para diversos cenários mercadológicos, produtivos e operacionais, produzindo gráficos que mostram a relação entre as variáveis selecionadas e o VPL, mantendo as demais variáveis constantes no nível Cenário Base. Para analisar a sensibilidade do VPL a alterações nessas variáveis, investigou-se como uma alteração de 10% para cima ou para baixo em cada uma das variáveis impactaria o VPL do projeto. A partir dessa análise, estabeleceu-se que área cultivada, giro do armazém, umidade média da colheita de milho e taxa de juros são as variáveis que mais impactam o VPL do projeto. A partir da análise de sensibilidade, foi proposto um quadro de gestão de forma a otimizar o uso do armazém próprio e maneiras de fomentar armazenagem através de políticas públicas direcionadas.
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    A utilização de drones na agricultura: uma revisão bibliográfica entre 2012 e 2022
    (2023-06-07) Paiva, Diogo Zappa
    Com o desenvolvimento do Global Positioning System (GPS) na agricultura, as decisões a respeito de questões envolvendo o plantio passaram a ter um aporte maior da tecnologia. Atualmente, é difundida a chamada Agricultura 4.0, incorporando a conectividade e automação, ao utilizar máquinas, veículos, drones, robôs e animais com sensores. O objetivo geral desta pesquisa foi de caracterizar o uso de drones na agricultura a partir da produção bibliográfica a respeito do assunto no Brasil entre 2012 e 2022. Especificamente procurou-se analisar a produção bibliográfica aplicando protocolo de consulta, com vistas a especificar os objetivos e considerações finais dos artigos selecionados e averiguar possíveis pontos de convergência e divergência entre os artigos selecionados, a fim de apontar caminhos para futuras pesquisas e recomendar ações e futuras pesquisas a fim de fomentar a utilização de drones na agricultura. Para cumprir os objetivos da pesquisa, foi utilizado o método de Revisão Bibliográfica. Por meio do método, foram encontrados 15 artigos que tratam da utilização de drones no Brasil entre os anos de 2012 e 2022. Os resultados mostram a convergência entre os artigos selecionados no que se refere à contribuição dos drones no monitoramento da propriedade, no que se refere a controle de pragas, doenças, plantas invasoras, déficit hídrico, déficit nutricional e a utilização de agrotóxicos e fertilizantes em quantidade e local exatos na propriedade. Sendo assim, colabora também com a sustentabilidade econômica e ambiental. Os estudos abordados no presente artigo sugerem a necessidade de maiores informações aos produtores no que se refere à aplicabilidade dos drones na propriedade agrícola.
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    Análise da intensidade de carbono dos biocombustíveis no Brasil
    (2023-02-23) Pinto, Alexandre da Silva Lara
    Nos últimos anos, a pressão para o uso de energias mais limpas como forma de proteger o planeta dos graves danos já causados pela ação humana, tem levado a humanidade a percorrer uma transição global importante. O mundo está incrementando o uso das fontes de natureza renovável em busca de construir uma nova realidade energética, pautada em eficiência e sustentabilidade. A existência de políticas públicas que incentivem investimentos em fontes energéticas dessa natureza promoveu o Brasil como um dos países menos emissores de gases de efeito estufa para gerar energia no mundo. Entretanto, matriz de transporte brasileira ainda é fortemente dependente de combustíveis fósseis, apesar do enorme potencial de produção de biocombustíveis existente. Por essa razão o RenovaBio é tão importante. Como política pública, ele estabelece metas de descarbonização para o setor de combustíveis, de forma a incentivar o aumento da participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes do país e fornecer uma importante contribuição para o cumprimento dos compromissos determinados pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris. Dentre os instrumentos disponíveis no RenovaBio, o presente trabalho estuda a certificação individual de produção de biocombustíveis. Por meio dela, são atribuídas notas que refletem a contribuição individual de cada agente produtor para a mitigação de uma quantidade específica de gases de efeito estufa em relação ao seu combustível fóssil substituto. Essas notas são multiplicadas pelo volume de biocombustível comercializado que atende aos critérios de elegibilidade do programa, resultando, assim, na quantidade de créditos de descarbonização (CBIOs) que determinado produtor poderá emitir e negociar no mercado. Ao melhorar seus processos produtivos, esses produtores se tornam capazes de emitir mais CBIOs. Essa busca por melhoria motivou a corrente tese que, por sua vez, qualificou os biocombustíveis com respeito à redução de emissões comparada a seus equivalentes fósseis. Ainda, examinou as notas de diversos produtores com o propósito de entender os diferentes níveis de eficiência energético-ambiental alcançados e sugeriu possíveis melhorias para ampliar o potencial de descarbonização dos biocombustíveis produzidos. Foi necessário levantar uma base de dados inédita a partir das certificações individuais e, através de procedimentos estatísticos descritivos, estudar: a intensidade de carbono nas fases de produção, a nota de eficiência e a redução de emissões para essas unidades produtoras. Entre os resultados alcançados, cabe ressaltar que o biometano apresentou a maior nota do programa e o fator que mais influência na intensidade de carbono é o consumo de energia no seu processo industrial; o etanol é o maior emissor de CBIOs e o principal agravante em termos de emissões desse biocombustível são os insumos da fase agrícola; o biodiesel reduz, em média, 56% das emissões ao substituir o diesel fóssil e a proporção das matérias-primas usadas na sua produção tem elevada relevância nessa redução. O próximo passo é avaliar de forma detalhada todos os indicadores de produção envolvidos na fabricação dos biocombustíveis no País, bem como uma análise regional da eficiência energético-ambiental desses produtos.
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    Oportunidades de exportação de carne bovina de pequenos e médios frigoríficos no Brasil
    (2023-03-02) Angelino, Tiago Luis
    O Brasil é líder mundial em exportações de carne bovina. A capacidade produtiva, os insumos de variedade para alimentação animal e a área de pastagens, são diferenciais relevantes na equiparação com os concorrentes internacionais. Com a aprovação governamental, as empresas brasileiras se expandiram de forma consistente. Somado a isso, o último decênio foi pautado por um extenso crescimento tecnológico em todas as etapas produtivas, desde o comando dos animais até a mesa do consumidor. Esse processo trouxe grande concorrência aos produtos brasileiros que, rapidamente, entraram no menu de mercados exigentes. O desenvolvimento desta pesquisa objetiva aprofundar a discussão sobre a visibilidade dos frigoríficos de bovinos de médio e pequeno porte sobre a viabilidade da exportação de seus produtos, quais mercados possíveis, benefícios fiscais atrelados, demanda agregada, e adicionais no suporte para se transformar em uma empresa exportadora. A metodologia da pesquisa consistiu em uma análise qualitativa sob a ótica do mercado e do desempenho das referidas empresas. O objetivo principal desse projeto é contribuir com a visibilidade dos pequenos e médios frigoríficos em viabilizar e incluir seu potencial de exportação latente ao seu modelo de negócio. Portanto, recomenda-se que, à luz dos resultados apresentados e da bibliografia revisada, sejam implementadas práticas de negócios visando a viabilização desse novo paradigma com vistas a expansão de mercado.
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    Óleo de palma e biodiesel no Brasil: impactos sobre a originação para alimentos
    (2022-12-15) Alcântara, Ricardo Marinho Magalhães
    A demanda por óleos vegetais aumentou consideravelmente ao longo das últimas décadas, a fim de atender necessidades alimentares de uma população em constante crescimento e também pela inserção destes produtos como matéria-prima na fabricação de combustíveis renováveis em substituição ao óleo diesel derivado do petróleo. Entre os óleos vegetais, o óleo de palma, devido a sua grande produtividade e versatilidade, se destaca como o de maior volume produzido e consumido no planeta. A energia gerada a partir de matéria-prima renovável é uma realidade e o popularmente conhecido óleo de dendê tem tido importante relevância neste tema. Produzir biodiesel a partir de diferentes matérias-primas, fortalecendo as potencialidades regionais é uma das principais diretrizes do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Ao mesmo tempo em que surge essa nova demanda para este insumo, a cadeia alimentar ganha um forte concorrente na aquisição desta matéria-prima. Este trabalho teve como objetivo analisar e compreender a evolução da produção e consumo dos óleos vegetais no mundo e, particularmente, no Brasil, a inserção do óleo de palma na matriz energética nacional e como isso pode impactar a originação deste produto para indústria de alimentos, que o utiliza como matéria-prima em seus processos. Buscou-se também compreender o Biodiesel, suas características, processos produtivos e o PNPB com seus marcos regulatórios e perspectivas. Também teve como objetivo criar uma base de dados estruturada do complexo dos óleos vegetais e sua relação com o biodiesel nacional para transformá-los em informações qualitativas, em especial do óleo de palma, para aprimoramento da tomada de decisão de compra deste produto. Para o desenvolvimento do trabalho, foram utilizados os métodos de pesquisa bibliográfica, pesquisa qualitativa e quantitativa, análise explicativa e descritiva dos dados. Foram utilizados dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), para o período safra de 1980 a 2022 e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o período de 2017 a 2022. No Brasil, a inserção do óleo de palma no ambiente de combustíveis renováveis está alterando a dinâmica de aquisição do produto pela indústria alimentícia, tornando essa tarefa mais desafiadora e complexa e isso vem sendo comprovado pelo incremento de seu uso e de importações nos últimos anos. A balança comercial nacional está negativa, mostrando que existe demanda para a aquisição e desenvolvimento da produção em solo nacional. Inúmeras oportunidades e desafios estão presentes no Brasil e precisam ainda ser equacionados. O país goza de grande potencial agrícola para a expansão do cultivo da palma de óleo, mas é imprescindível que se trabalhe no desenvolvimento tecnológico da cultura para que o crescimento da produção passe a se dar não só pelo aumento de área, mas também pelo incremento de produtividade. O PNPB tem ajudado a alavancar a produção e o uso de óleo de palma, além de cumprir seu papel de fortalecer potencialidades regionais. Instalações de indústrias produtoras de biodiesel no polo agrícola de palma de óleo é uma outra realidade já presente. Nos próximos anos possivelmente veremos a retomada dos aumentos das misturas do biodiesel no óleo diesel para combate aos efeitos climáticos e isso gerará uma robusta demanda por mais óleos vegetais e complexidade para os compradores da indústria alimentícia.
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    Produção de pimenta do reino no estado do Pará: opções para intensificação produtiva e impactos nas emissões de CO2 eq.
    (2022-09-26) Pavão, Eduardo de Morais
    A pipericultura é desenvolvida no estado do Pará desde a década de 1930. Apesar da tradição no cultivo, a participação do estado na atividade tem reduzido. Tal fato se deve a expansão de áreas de plantio cultura, somada às altas produtividades em outras regiões, com destaque para o estado do Espírito Santo. Contudo, o estado do Pará apresenta um enorme potencial de incremento de produção sem a necessidade de expansão de áreas de cultivo. Apesar de existirem produtores altamente produtivos, o rendimento médio das lavouras da produção de pimenta do reino no estado do Pará é de 2,2 t/ha, 45% inferior ao rendimento médio no estado do Espírito Santo, de 4,0 t/ha. O desenvolvimento da cadeia produtiva no Pará deve contemplar estratégias com foco no incremento do rendimento dos pimentais, aliado à proteção ambiental e em sinergia com conceitos de sustentabilidade. Dessa forma, o objetivo do trabalho foi analisar o potencial produtivo, bem como os impactos da adoção recomendações técnicas de cultivo e de sistemas sustentáveis no estado. Para isso, foram executadas modelagens financeiras e de quantificação do impacto na produção do estado e até o ano de 2040, considerando a adoção de boas práticas agrícolas pelos produtores, visando alcançar uma produtividade média de 4,0 t/ha, bem como o cálculo da necessidade de adubos e combustíveis para o suprimento das operações de produção. Por ser uma planta tutorada, também foi realizada uma modelagem de cálculo do balanço de emissões de gases de efeito estufa considerando a adoção de tutores vivos de gliricídia nos pimentais a uma taxa de conversão de área de 5% ao ano e diante de cenários de remoção de 0,75, 1,1 e 1,5 t CO2 eq./ha, no período de 2021 a 2030. Os resultados indicaram um potencial de produção anual de 64,2 mil toneladas de pimenta do reino, representando um aumento de 71% em relação à produção atual do estado. A modelagem também indicou um potencial de redução de até 48% das emissões de gases de efeito estufa até o ano de 2030, considerando valores médios de remoção de carbono a partir da adoção dos tutores de gliricídia, além da supressão evitada de 480 mil árvores de madeira de lei da floresta amazônica no período de 2021 a 2040, evitando também a consequente emissão de 2,89 Mt CO2 eq. até o final do período. O custo dos tutores na implantação e reforma de pimentais impactou significativamente a modelagem financeira comparativa dos sistemas. Considerando o preço pago ao produtor de R$ 15,00/kg de pimenta do reino seca, o modelo indicou uma TIR de 24% e Payback de 59 meses para sistema de produção com tutor convencional e TIR de 40% e Payback de 47 meses para os sistemas com tutor vivo de gliricídia, com uma redução de desembolso de caixa por hectare de 39%, considerando um ciclo de produção de 7 anos.
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    Entendendo a situação financeira e econômica do segmento sucroenergético: uma análise através do modelo dinâmico de Fleuriet em conjunto com indicadores chaves para o setor
    (2022-06-09) Junqueira, Alexandre Diniz
    O setor sucroenergético brasileiro possui posição de destaque na formação do produto interno bruto nacional sendo também protagonista no mercado global de açúcar e etanol. No entanto, particularidades como o longo ciclo produtivo da cana-de-açúcar, as necessidades de altos investimentos nos canaviais e na sua indústria, a ausência de um mercado de créditos mais ativo e acessível, a suscetibilidade a interferências governamentais e crises econômicas são alguns dos riscos que gestores e tomadores de decisões têm a superar. Para atender essas imposições se recorre a modelos de análises financeiras cujos resultados norteiam as decisões para a gestão do capital. Este trabalho teve por finalidade entender a situação financeira e econômica por dez safras de quatro players do segmento sucroenergético (Biosev, CMAA, São Martinho e Raizen) através do prisma do modelo dinâmico desenvolvido por Michel Fleuriet que utiliza, após reclassificações no balanço patrimonial, três variáveis: Necessidade de Capital de Giro (NCG) avaliando o quanto de saídas de caixa ocorrem antes das entradas, Capital de Giro (CDG) que é parte do capital que financia as atividades de curto prazo e o Saldo de Tesouraria (ST) que é tratado como uma “reserva” dos recursos financeiros. A combinação das variáveis resulta em seis tipos de balanços e traz dinamismo nas análises contrapondo-se aos modelos clássicos, caracterizados pela estática. A principal reclassificação do balanço se deu ao canavial, um dos principais ativos das usinas e que devido a necessidade constante de altos empenhos financeiros foi considerado um ativo cíclico, diferente do que é preconizado pelas normas contábeis que o trata como planta portadora do ativo imobilizado. Em razão da escassez de estudos dedicado ao setor sucroenergético se utilizando do modelo de Fleuriet, as combinações resultantes tiveram inferências a indicadores como EBITDA, toneladas de cana processada e dívida líquida visando responder se o modelo de Fleuriet teria capacidade de ser utilizado como instrumento de análise financeira para o setor sucroenergético. Os resultados se correlacionaram quando interpretados em conjunto com os indicadores econômico operacionais, mostrando que a aplicabilidade do modelo de Fleuriet pode ser estendida ao segmento sucroenergético. Entretanto a análise restritiva para uma única safra poderia levar a conclusões limitadoras, tendo em vista a característica da cultura semiperene da cana que oferece, em média, 5 cortes, além da sensibilidade da variação de saldos finais das contas na classificação do modelo de Fleuriet.
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    Projeto de viabilidade econômica para implementação de unidade de armazenagem estática em propriedade rural em Canarana - MT
    (2022-03-30) Biancalana, Felipe Simonsen
    Apesar do Brasil ser um dos principais players globais do setor de agronegócio, tendo papel de destaque na produção e exportação de diversos produtos agrícolas, com foco na soja sendo o maior produtor e exportador do mundo, o país tem como um dos principais gargalos a sua infraestrutura e logística. O déficit de armazenagem estática é um problema recorrente em todo o país, com destaque negativo para o Centro-Oeste. A região é a que mais produz, entretanto a que tem o maior déficit de armazéns, o que acaba elevando os custos e tirando a competitividade dos participantes da cadeia. Apesar disso, há diversas oportunidades de crescimento e desenvolvimento da infraestrutura local, o que já vem sendo explorado pela iniciativa privada. Além disso, o Governo Federal através do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns traz linhas de créditos com o intuito de incentivar e fomentar os produtores rurais a investirem em unidades armazenadoras de grãos dentro da porteira. É neste contexto que o presente estudo tem como finalidade elaborar um projeto de viabilidade econômica para a construção de um armazém de grãos dentro de uma propriedade rural localizada no município de Canarana, Mato Grosso. A Fazenda RK tem como principais atividades a produção de soja e milho e, a partir dos dados compartilhados pelo produtor rural da fazenda, foi realizada a avaliação econômico-financeira através da elaboração do método de fluxo de caixa descontado num horizonte de 12 anos. Para isso, traçou-se premissas de produção, preços e economias de despesas, bem como receitas potenciais advindas do armazém próprio para chegar ao resultado de que o projeto apresenta viabilidade econômica para o investimento proposto. Desta forma, o fluxo de caixa incremental do projeto através de uma taxa mínima de atratividade (TMA) de 7,73% gerou um valor presente líquido (VPL) de R$ 2.886.319,78, uma taxa interna de retorno (TIR) de 12,48% e uma taxa interna de retorno modificada (TIRM) de 9,83% e um payback descontado de 8,5 anos.
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    Análise dos efeitos socioeconômicos do sistema de produtores integrados na pecuária de aves de corte nas microrregiões de Concordia e Alto Teles Pires
    (2022-03-16) Wolfram, Juliana Bittencourt
    O setor de avicultura merece destaque no agronegócio, visto que tanto no Brasil, como no mundo, a carne de frango é a proteína mais consumida. Além disso, o Brasil, no cenário internacional, é o maior exportador de carne de frango do mundo e configura como um dos cinco maiores produtores mundiais, ocupando a 3ª posição do ranking no ano de 2020, atrás apenas da China e dos EUA. Desta forma, estudar casos de microrregiões distintas que apresentam aglomerados produtivos de processadores de frango torna-se interessante por razão de suas potencialidades e limitações. Para tal, se construiu um painel com dados das duas microrregiões, entre os anos de 2005 e 2016, e se utilizou o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal consolidado e para as áreas de emprego e renda, educação e saúde como indicadores de síntese de situação socioeconômica. Ambas microrregiões apresentaram crescimento nos índices de desenvolvimento no período analisado, atingindo classificação de desenvolvimento moderado para o índice de Trabalho e Renda e alto para os índices de Saúde, Educação e o IDFM Consolidado. Os resultados do estudo sugerem que existe interação positiva e significativa dos aglomerados produtivos de processadores de frango na situação econômica e na qualidade de vida das microrregiões Alto Teles Pires e Concórdia, visto que foram observadas evidências acerca do efeito expressivo das variáveis: valor adicionado do setor de serviços, número de abates de frangos, quantidade de funcionários na área de abate de aves e suínos, produto interno bruto e área (em hectares) de plantação de milho no IDFM consolidado e em suas componentes de Saúde, Educação e Trabalho e Renda.
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    Análise da evolução do seguro agrícola no Brasil e sua influência na margem bruta da produção de soja em municípios de interesse: um estudo a partir da análise de dados em painel
    (2022-03-28) Alves, Paulo Rafael Hora
    O seguro rural, na modalidade agrícola, é uma ferramenta de gestão utilizada por diversos países dentro das estratégias de políticas públicas para o setor com foco em manutenção da renda no campo, indução de tecnologia, ganhos de produtividade, preservação do orçamento público e, de forma mais ampla, adjuvante na preservação da segurança alimentar da população. Nesse sentido, também no Brasil, tem sido pauta constante das políticas de desenvolvimento da agricultura, e tem, há cada período, sofrido transformações e evoluções importantes que permitem sua penetração nas áreas de produção, como parte, cada vez maior, do pacote de insumos tecnológicos e mitigadores de risco à disposição do produtor rural em 62 culturas. O programa, que sustenta essa iniciativa, é um parceria público-privada, gerida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), denominado Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Ao longo dos últimos 15 anos, o seguro agrícola no âmbito do PSR, com o objetivo, dentre outros, de trazer mais estabilidade financeira ao produtor rural, promoveu o acesso dos agricultores a mais de 1,1 milhão de apólices de seguro, em um acumulado de 86 milhões de hectares, protegendo ao todo, no período, 186 bilhões de capital. O estudo, matéria dessa dissertação, teve o objetivo de avaliar essa evolução espaçotemporal, bem como, de forma específica, verificar qual foi o impacto da presença do seguro na margem bruta do agricultor de soja em municípios de interesse. Para esse estudo, foi aplicada a metodologia de regressão múltipla com dados em painel, tendo como corte transversal os municípios e como corte longitudinal, o período de 2006 a 2020. Para tanto, usou-se dados do PSR e outras fontes públicas que enriqueceram as informações necessárias para a definição dos regressores do modelo, que pudessem explicar a margem bruta da atividade de soja. Foram testados três principais formatos de modelos aplicados a painéis, denominados modelo Pooling (POOL), modelo de Efeitos Fixos (EF) e modelo de Efeitos Aleatórios (EA). O modelo mais robusto escolhido, após testes de especificação, demonstrou que os regressores relativos à presença do seguro agrícola nos municípios (taxa do seguro; nível de cobertura; área segurada), apresentaram, a cada percentual de incremento, um impacto positivo na margem bruta dos municípios em reais por tonelada de soja, o que reforça, no estudo empírico, o propósito principal dessa ferramenta de gestão em evolução no Brasil, qual seja, proteger e estabilizar renda no campo.