Por que as investigações morrem: olhares a partir da máquina de investigar, processar e julgar a corrupção política no Brasil
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Resumo
Este trabalho de Mestrado Profissional propõe um olhar sobre as investigações anticorrupção no Brasil a partir da experiência de agentes diretamente envolvidos em operações de relevo realizadas nas últimas décadas, sejam eles integrantes da Polícia Federal, do Ministério Público Federal ou do Poder Judiciário. A intenção é examinar os desafios dos processos institucionais de combate à corrupção política no Brasil, tendo como referência três grandes investigações da história recente que acabaram por revelar conexões estreitas entre esquemas que resultaram em desvios milionários e até bilionários de recursos públicos e as estruturas políticas que os sustentavam: 1) a Operação Lava Jato, focada primariamente em contratos da estatal Petrobras; 2) a Operação Zelotes, destinada a apurar suspeitas de venda de decisões no Carf, o tribunal de recursos da Receita Federal do Brasil; e 3) a Operação Greenfield, voltada à investigação de suspeitas envolvendo fundos de pensão de empresas públicas. O trabalho busca delinear a dinâmica dos casos a partir de pesquisa em fontes abertas, documentos oficiais e registros guardados pelo autor, em razão de sua experiência como jornalista que se dedicou ao tema ao longo das últimas décadas e, em seguida, por meio de entrevistas, procura entender, sob a ótica de operadores dos processos, por que, quase sempre, as investigações que chegam às esferas mais altas do poder acabam anuladas nos tribunais, dificultando sobremaneira a punição de corruptos e corruptores no Brasil. A intenção é que, ao final, seja possível enxergar erros, acertos e obstáculos aos processos de investigação. O produto derivado da pesquisa é um podcast voltado ao público geral esmiuçando as principais conclusões do trabalho. Estudar os casos e mapear os desafios que se impõem às investigações pode explicar por que é tão difícil punir a corrupção no Brasil, bem como ajudar a diagnosticar os pontos positivos e as falhas dos processos institucionais que deveriam detê-la.
