Cultura de doação em emergências climáticas: da comoção pública nas redes sociais ao desafio da fidelização de doadores

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Comunicação, Sociedade e Cultura Digital

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Este projeto investiga como emergências climáticas de grande escala, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, evidenciam um padrão de mobilização social marcado pela espetacularização nas redes digitais. A partir dos conceitos de sociedade do espetáculo (Debord) e plataformização (Poell; Nieborg; Van Dijck), analisa-se como o Twitter (X) atua como arena de circulação de conteúdos que intensificam a comoção pública e ampliam o volume de doações a organizações da sociedade civil. O problema central consiste em compreender por que, após o pico de visibilidade durante a crise, ocorre uma queda abrupta na atenção pública e no fluxo de doações, comprometendo a sustentabilidade do terceiro setor. A hipótese é que a lógica midiática baseada na urgência e no espetáculo molda a cultura de doação brasileira, favorecendo respostas imediatas em detrimento de vínculos duradouros. O objetivo geral é compreender como essa dinâmica influencia a curva de atenção pública e a fidelização de doadores. Especificamente, busca-se mapear narrativas predominantes, analisar sua relação com fluxos de doação e identificar fatores de retenção e abandono. A pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando análise de conteúdo de publicações no Twitter (X), revisão de estudos sobre doação no Brasil e entrevistas com representantes de organizações impactadas pelas enchentes de 2024. Os resultados indicam que a mobilização solidária é fortemente condicionada pela lógica da visibilidade algorítmica. No plano comunicacional, a atenção pública segue ciclos curtos, com picos de comoção seguidos de rápida queda. Predominam narrativas de urgência e sensibilização emocional, enquanto conteúdos voltados à continuidade e reconstrução têm menor circulação. Conclui-se que a espetacularização favorece a ampliação pontual das doações, mas dificulta sua sustentação ao longo do tempo. A pesquisa contribui ao compreender a cultura de doação como fenômeno mediado por plataformas digitais, indicando a necessidade de estratégias que articulem mobilização emergencial e construção de vínculos duradouros.


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