O anticomunismo empresarial na pauta do IPES: Paulo Ayres Filho e a construção de um projeto conservador (1961-1967)

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A presente dissertação analisa o papel do anticomunismo empresarial na formação e consolidação da ditadura empresarial-militar no Brasil (1964–1988), tomando como objeto central a atuação de Paulo Ayres Filho no Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). A partir do referencial teórico gramsciano, o trabalho compreende o IPES como aparelho privado de hegemonia e Paulo Ayres Filho como intelectual orgânico do capital multinacional e associado, responsável por formular, difundir e operacionalizar um discurso anticomunista que funcionou como eixo estruturante de um projeto político conservador de classe. Com base na documentação do arquivo pessoal de Paulo Ayres Filho, depositado no CPDOC/FGV, a pesquisa demonstra que o anticomunismo empresarial não operou apenas como representação ideológica, mas como pedagogia política deliberada, capaz de organizar alianças entre frações burguesas, mobilizar setores sociais e legitimar a ruptura democrática de 1964. O recorte temporal abrange o período de 1961, ano de fundação do IPES, a 1967, último ano do governo Castelo Branco, momento de intensa atividade do Instituto e de ocupação dos postos do Estado pelos ipesianos. Os resultados indicam que a atuação do empresariado organizado em torno do IPES constituiu elemento decisivo na construção da hegemonia conservadora que sustentou a ditadura empresarial-militar, articulando repressão, reorganização institucional e integração ao capitalismo dependente.


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