A política monetária afeta o spread bancário no Brasil? Uma análise sobre a transmissão via canal do crédito
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Esta dissertação analisa como a política monetária afeta o spread bancário no Brasil e de que forma essa relação se transmite para o crédito, com foco no canal do crédito bancário. A análise considera o mercado agregado e os segmentos de pessoas jurídicas e pessoas físicas, com base em dados trimestrais no período de 2001 a 2024. São estimados modelos de correção de erro vetorial (VECM), que permitem avaliar simultaneamente as relações de longo prazo entre taxa Selic, spread bancário, inadimplência e saldo de crédito/PIB, bem como sua dinâmica de curto prazo, com apoio de funções impulso-resposta e decomposição da variância. Os resultados mostram que choques na taxa Selic são repassados de forma consistente para o spread bancário nos três modelos, indicando transmissão robusta da política monetária para o custo de intermediação. Os efeitos sobre o saldo de crédito são mais limitados no agregado e heterogêneos entre segmentos: no segmento pessoa física, a transmissão ocorre predominantemente via custo, com efeitos também presentes, porém menos intensos, sobre o saldo; no segmento corporativo, o canal opera de forma mais completa, com contração do saldo mais intensa em resposta ao spread. Em síntese, os resultados indicam que o canal de crédito é relevante no Brasil, mas opera de forma heterogênea entre segmentos.
