Entre leis, discursos e memórias: uma análise dos silenciamentos e das práticas pedagógicas na formação docente antirracista
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Resumo
Este trabalho analisa a relação entre formação docente, racismo estrutural e ensino de Língua Portuguesa no contexto da Educação Básica brasileira, problematizando a permanência de práticas pedagógicas ancoradas em uma concepção normativa e excludente de língua. Partindo dos referenciais da Educação para as Relações Étnico-Raciais, da sociolinguística e das discussões sobre racismo linguístico, o estudo evidencia como o currículo escolar, historicamente eurocentrado, contribui para a deslegitimação de variedades linguísticas associadas a estudantes negros e periféricos. Embora a Lei nº 10.639/03 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional prevejam a valorização da diversidade e a formação continuada de professores, observa-se a persistência de lacunas na implementação dessas normativas, especialmente no que se refere à abordagem crítica da variação linguística e das relações étnicoraciais. Nesse sentido, a pesquisa propõe a realização de oficinas formativas como produto educacional, concebidas como espaço de reflexão coletiva, articulação entre teoria e prática e construção de estratégias pedagógicas antirracistas. As oficinas visam deslocar o ensino da norma padrão do campo da normatividade excludente para o da mediação cultural democrática, compreendendo a língua como fenômeno social, histórico e atravessado por relações de poder. Conclui-se que a formação continuada, quando fundamentada teoricamente e vinculada às demandas concretas da escola, constitui estratégia central para o enfrentamento do racismo linguístico e para a construção de práticas docentes comprometidas com a justiça social e racial.
