Depois do teto de vidro: políticas de diversidade, equidade e inclusão e os desafios da liderança feminina em empresas estatais brasileiras

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Objetivo: Analisar como as mulheres que ocupam posições de liderança em quatro empresas estatais brasileiras vivenciam suas trajetórias de ascensão e permanência, no contexto da implementação de políticas corporativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), examinando em que medida os avanços institucionais registrados se refletem no cotidiano organizacional e como essas iniciativas são percebidas pelas próprias gestoras. Metodologia: Adotou-se uma abordagem qualitativa, com triangulação de dados, combinando a análise documental de relatórios institucionais de quatro empresas estatais, referentes ao período de 2020 a 2024, e a realização de entrevistas individuais semiestruturadas com 14 mulheres ocupantes de cargos de gestão. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo, com o apoio do software ATLAS.ti. Resultados: A análise documental evidenciou avanços na representatividade feminina nas cúpulas das quatro estatais no período analisado. A análise das entrevistas revelou que os avanços institucionais não alcançam, com a mesma intensidade, a cultura organizacional cotidiana. Identificou-se um hiato entre o discurso corporativo e as práticas vivenciadas pelas gestoras. Limitações: O recorte amostral, composto exclusivamente por mulheres que chegaram à liderança, não captura as trajetórias daquelas que desistiram ou foram preteridas. O recorte temporal (2020–2024) limita a avaliação da durabilidade dos avanços e a restrição a quatro estatais federais circunscreve a capacidade de generalização dos achados. Originalidade: O estudo lança luz sobre um contexto ainda pouco explorado pela literatura de DEI e liderança feminina: o das empresas estatais brasileiras. São organizações de natureza híbrida, permeáveis à orientação política dos governos e marcadas por dois ritmos distintos de mudança cultural: o da cúpula nomeada e o da carreira interna de longo prazo. Contribuições teóricas: A pesquisa propõe a incorporação da resistência masculina como categoria analítica autônoma, distinta da mera inércia cultural; desloca a fronteira analítica do acesso para a permanência, estendendo o alcance da metáfora do labirinto da liderança; e articula os conceitos de habitus androcêntrico e violência simbólica para explicar a coexistência entre avanços nos indicadores formais e persistência das barreiras subjetivas e relacionais. Contribuições para a sociedade: O estudo oferece subsídios concretos para gestores, formuladores de políticas e profissionais de recursos humanos comprometidos com a equidade de gênero nas estatais, fundamentando recomendações aplicáveis e revelando o que os relatórios corporativos não alcançam: a dimensão subjetiva e relacional da desigualdade de gênero no trabalho. Categoria: Dissertação de Mestrado.


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