A arquibancada não vos pertence: uma análise sobre o processo de criminalização das torcidas organizadas na cidade do Rio de Janeiro
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Resumo
Este trabalho procura refletir e debater sobre como a mídia e o poder público contribuem conjuntamente na constituição de um imaginário social em torno das torcidas organizadas de clubes de futebol no Rio de Janeiro. De acordo com essas instâncias de comunicação e poder, as TOs são extremamente violentas. É notório o empenho do Estado com a força policial, junto ao MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) no combate à violência nos estádios cariocas na última década, o que, em princípio, parece ter surtido efeito se compararmos a outras épocas. Os meios de comunicação noticiam e retratam os subgrupos de torcedores uniformizados de forma a colaborar na construção de uma visão estereotipada segundo a qual os atos violentos nas praças esportivas são cometidos apenas por integrantes de torcidas organizadas. Outro pressuposto considera que a violência é praticada genericamente por todos os integrantes desse segmento associativo. Em contrapartida, nesta monografia, serão descritas as características e os comportamentos destes grupos de torcedores, para além de um estereótipo monotemático e unicausal. Procura-se entender como os membros integram uma torcida organizada e de que maneira se distinguem dos outros fãs de futebol. Por fim, avalia-se em que medida a estigmatização destes indivíduos faz parte do processo de criminalização das torcidas organizadas no Rio de Janeiro na última década.
