As políticas para atração de investimento estrangeiro direto: estudo de caso sobre as empresas suíças no Brasil

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O presente estudo tem por objetivo examinar como se formulam as políticas públicas destinadas à atração de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil, tomando como estudo de caso a experiência de empresas suíças instaladas no país desde o início do século XX, com presença contínua desde iniciativas pioneiras como a ABB, estabelecida em 1912, até os dias de hoje. O referencial teórico organiza definições e classificações de IED e discute como fatores institucionais, previsibilidade regulatória, profundidade financeira e capital humano condicionam a atração de investimentos e a geração de externalidades. A escolha do caso suíço justifica-se por representar um caso crítico para examinar em que medida investimentos de maior qualidade dependem de condições institucionais domésticas para gerar efeitos estruturais. A hipótese que orienta este trabalho é que, no caso de multinacionais como as suíças — cujo perfil de IED é considerado desejável, por reunir intensidade tecnológica, inserção produtiva de longo prazo e potencial de geração de externalidades —, a insuficiente qualificação desses investimentos não decorre da escassez de financiamento nem da ausência de instrumentos de política industrial, mas sim de falhas estruturais no ambiente institucional brasileiro, especialmente no que se refere à coordenação entre seus diversos atores. Neste sentido, a pergunta que se quer responder é: por que as empresas suíças, que têm um dos perfis de investimento mais qualificados do mundo, não internalizam inovação no Brasil? Para compreender os principais propulsores e entraves percebidos à expansão desses investimentos e para refletir sobre políticas orientadas ao IED desejável, adota-se survey/questionário on-line anônimo aplicado a representantes seniores de empresas suíças já instaladas no Brasil, identificadas em lista pública da Câmara de Comércio Suíço-Brasileira (SWISSCAM). Os resultados sugerem que fatores como previsibilidade regulatória, coordenação institucional e qualidade do ambiente de negócios são percebidos como relevantes para decisões de reinvestimento, enquanto entraves como complexidade tributária, insegurança regulatória e falhas de coordenação federativa aparecem entre os principais desafios apontados pelas empresas respondentes. As percepções coletadas também indicam avaliação crítica quanto à articulação das políticas existentes para retenção e reinvestimento. Com base nesses achados, o estudo propõe recomendações voltadas ao targeting estratégico, ao fortalecimento de mecanismos de aftercare (apoio pós-estabelecimento voltado à retenção e ao reinvestimento) e à proposição de um Acordo de Nível de Serviço (SLA) atrelado à Janela Única de Investimentos, operando como um instrumento prático e orientado a desempenho para a atração, retenção e qualificação do IED no Brasil.


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