Inteligência artificial, abertura organizacional e capacidades dinâmicas: tensões e limites na reconfiguração de firmas consolidadas
Arquivos
Data
Orientador(res)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título do Volume
Editora
Resumo
Este trabalho investiga como a abertura organizacional e a inteligência artificial influenciam a reconfiguração interna de firmas brasileiras consolidadas. A partir das micro fundações das capacidades dinâmicas, sensing, seizing e reconfiguring, o estudo examina como as diferentes arquiteturas de abertura e diferentes estágios de adoção de IA impactam os processos de percepção de oportunidades, tomada de decisão estratégica e reconfiguração de rotinas, estruturas e fronteiras organizacionais. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e interpretativa, com lógica abdutiva, baseada em sete entrevistas em profundidade com executivos seniores de firmas de cinco setores da economia tradicional. Os dados primários foram triangulados com documentos institucionais públicos das organizações representadas e a análise seguiu a metodologia Gioia, produzindo uma estrutura de dados em três níveis, categorias de primeira ordem, temas de segunda ordem e dimensões agregadas, a partir da qual foram construídos os achados. Os resultados revelam sete padrões analíticos centrais. Primeiro, a tensão sistêmica entre sensing amplificado e seizing travado: em seis dos sete casos, a abertura e a IA ampliam o volume de sinais disponíveis sem que o processo decisório acompanhe proporcionalmente, o gargalo do seizing é humano, cultural e político, não informacional. Segundo, as firmas investigadas apresentam heterogeneidade radical em suas arquiteturas de abertura, organizadas em quatro perfis de maturidade. Terceiro, a cultura organizacional opera como filtro estratégico do seizing, onde a cultura é bloqueadora, a IA encontra barreira institucional independente de sua maturidade técnica. Quarto, a IA amplifica o sensing mas não resolve o gargalo do seizing em nenhum dos casos estudados. Quinto, o reconfiguring é assimétrico e condicionado pela efetividade da dinâmica sensing–seizing. Sexto, a IA não funciona como mecanismo de abertura em nenhum dos casos, está dentro das fronteiras da firma, não na borda do ecossistema. Sétimo, a governança de IA é universalmente incipiente. Como contribuição teórica, o estudo articula os construtos de abertura organizacional, capacidades dinâmicas e inteligência artificial em uma análise integrada, demonstrando empiricamente que a IA é condição necessária mas insuficiente para a reconfiguração de capacidades dinâmicas, e que a abertura organizacional modera essa relação de forma não linear. Como contribuição prática, a tipologia de quatro perfis oferece um instrumento de diagnóstico para gestores identificarem sua posição e os próximos movimentos estratégicos em termos de abertura e adoção de IA.
