Condicionantes macroeconômicas da avaliação presidencial no Brasil
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Resumo
Esta dissertação investiga se o efeito de variáveis macroeconômicas centrais, especialmente a inflação de alimentos, a taxa de desemprego e a taxa de câmbio real, sobre a avaliação presidencial no Brasil se manteve estável ou apresentou mudanças ao longo do tempo, entre 1998 e 2024. Para isso, combina três estratégias empíricas complementares: modelos de regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (OLS), estimações com variáveis instrumentais por Mínimos Quadrados em Dois Estágios (2SLS) para tratar potenciais problemas de endogeneidade, e um modelo em espaço de estados estimado via Filtro de Kalman, que permite capturar a evolução temporal dos coeficientes. Os resultados indicam que condições macroeconômicas adversas, especialmente deterioração do mercado de trabalho e aumento da inflação de alimentos, estão associadas a quedas na aprovação presidencial, enquanto o câmbio real apresenta evidência menos robusta quando controlada a endogeneidade. A análise dinâmica sugere que, apesar de flutuações pontuais associadas a choques econômicos e eventos políticos relevantes, não há evidência de mudanças estruturais persistentes na sensibilidade da avaliação presidencial às variáveis econômicas ao longo do período analisado. Esses achados reforçam a importância dos fundamentos macroeconômicos na formação da opinião pública no Brasil e contribuem para a literatura ao introduzir uma abordagem com parâmetros variantes no tempo, ainda pouco explorada para o caso brasileiro.
