Sentido do trabalho entre jovens graduados em início de carreira: entre a experiência subjetiva e as exigências do mercado contemporâneo
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Resumo
Objetivo: Investigar como jovens profissionais graduados, em início de carreira, constroem sentidos para o trabalho diante das transformações contemporâneas das relações de emprego e das experiências vividas no ambiente corporativo. Metodologia: A pesquisa adota abordagem qualitativa e interpretativista, com caráter exploratório-descritivo. Foram realizadas quinze entrevistas semiestruturadas com graduados pertencentes à classe média, oriundos de instituições privadas de ensino superior do Rio de Janeiro e inseridos em organizações formais com até cinco anos de experiência profissional. Os dados foram tratados por meio de análise de conteúdo, com base em Bardin (2011), e organizados em três dimensões (individual, organizacional e social), a partir do referencial de Morin, Tonelli e Pliopas (2007). Resultados: O sentido do trabalho para esse grupo resulta da articulação entre múltiplos elementos que precisam estar presentes simultaneamente, pois a ausência de um deles pode comprometer os demais. Remuneração adequada, reconhecimento, oportunidades de desenvolvimento, qualidade das relações interpessoais, utilidade percebida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparecem como fatores centrais, dispostos em uma hierarquia implícita que a literatura não havia ainda descrito para esse perfil específico. O estudo também mostra que esse construto não é fixo, reconfigurando-se nos primeiros anos de atuação profissional. Os dados apontam ainda um paradoxo, em que a atividade não é reconhecida como prioridade absoluta ao mesmo tempo em que organiza a rotina e viabiliza os projetos pessoais que se deseja construir fora do ambiente profissional. Limitações: A homogeneidade socioeconômica da amostra restringe a generalização para outros perfis. O número de entrevistas não permite comparações sistemáticas entre subgrupos, e o recorte transversal não possibilita o acompanhamento longitudinal dessas transformações, sendo as mudanças captadas exclusivamente por meio das narrativas retrospectivas dos participantes. Aplicabilidade do trabalho: Os resultados podem orientar gestores e organizações na revisão de práticas de atração, desenvolvimento e retenção de jovens profissionais, mostrando que reconhecimento, oportunidades de crescimento, relações respeitosas e equilíbrio entre vida pessoal e profissional têm maior influência sobre a decisão de permanecer em uma empresa do que benefícios pontuais. Contribuições teóricas: Os achados refinam a aplicação do modelo de Morin (2001) para profissionais nessa fase da trajetória, distinguem empiricamente reconhecimento e relações humanas como componentes independentes e identificam uma interdependência entre utilidade e reconhecimento que investigações anteriores indicavam sem aprofundar. O estudo descreve ainda um paradoxo não mapeado pela literatura e identifica o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como condição transversal ao fenômeno. Originalidade: A pesquisa examina um grupo pouco explorado na literatura nacional e articula a perspectiva experiencial de Morin (2001) com referenciais críticos de Antunes (2009, 2018), Foucault (2008) e Sennett (1999), reconhecendo os planos analíticos distintos que cada abordagem ocupa.
