Como as mudanças climáticas podem afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores a céu aberto no Brasil: o caso da construção civil
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Resumo
As mudanças climáticas configuram um dos principais desafios contemporâneos, com impactos diretos sobre as condições de trabalho, especialmente em setores caracterizados por atividades a céu aberto, como a construção civil. No Brasil, o aumento da temperatura média, a intensificação das ondas de calor e a maior frequência de eventos climáticos extremos ampliam os riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores, exigindo novas abordagens de gestão e de políticas públicas. Este Trabalho Aplicado tem como objetivo analisar como as mudanças climáticas se relacionam com os riscos à saúde e à segurança do trabalho de trabalhadores da construção civil no contexto brasileiro, articulando os campos das mudanças climáticas, da saúde ocupacional e da justiça climática. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, baseada em revisão de literatura e análise documental de marcos normativos, relatórios institucionais e dados secundários de bases oficiais. A análise evidencia que, embora o Brasil disponha de um arcabouço regulatório consolidado em Saúde e Segurança do Trabalho, a dimensão climática ainda é pouco integrada às práticas de gestão de riscos ocupacionais. Os resultados apontam lacunas normativas, institucionais e operacionais, especialmente no que se refere à proteção de trabalhadores expostos ao calor extremo. Como contribuição aplicada, o estudo propõe o Protocolo Integrado de Adaptação Climática e Saúde Ocupacional (PIACSO), voltado à construção civil, com foco na integração entre adaptação climática, governança ESG e gestão da saúde e segurança do trabalho. Conclui-se que incorporar a variável climática à gestão da SST é fundamental para a proteção do trabalhador, para a justiça climática e para a sustentabilidade produtiva do setor.
