Internationalization of Brazilian startups: a hybrid model beyond classical theories
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Resumo
Este estudo investiga em que medida os processos de internacionalização de startups brasileiras podem ser explicados por teorias clássicas de internacionalização ou se refletem um padrão distinto. Com base nos modelos de Uppsala, Born Global/International New Venture e na perspectiva Springboard, a pesquisa analisa como startups brasileiras de alto crescimento expandem suas operações para o exterior e buscam legitimidade, recursos e posicionamento estratégico em mercados internacionais. Do ponto de vista metodológico, o trabalho adota um desenho qualitativo de estudo de casos múltiplos, examinando as trajetórias de internacionalização de três startups brasileiras: Nubank, Wellhub (antiga Gympass) e VTEX. A análise é baseada exclusivamente em dados secundários, incluindo sites corporativos, documentos regulatórios, comunicados à imprensa e mídia especializada. Cada caso é avaliado de forma sistemática a partir de um mesmo conjunto de critérios teóricos, seguido por uma análise comparativa entre os casos. Os resultados mostram que nenhuma teoria clássica, isoladamente, é suficiente para explicar os padrões observados. Em vez disso, as startups analisadas apresentam uma configuração híbrida, combinando aprendizagem incremental e sequenciamento regional (Uppsala), escalabilidade digital e alavancagem de redes (Born Global), e estratégias de busca por legitimidade e superação de restrições institucionais (Springboard). De modo geral, a internacionalização ocorre após a consolidação doméstica, com foco inicial em mercados regionalmente próximos, apoiada por capital externo, parcerias estratégicas e instituições de mercados desenvolvidos. O estudo contribui para a literatura ao demonstrar como startups brasileiras combinam mecanismos teóricos ao longo do tempo e oferecem implicações práticas para empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas.
