O patrimônio cultural como totem das memórias sociais: o caso dos lugares indígenas sagrados Sagihengu e Kamukuwaká

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Esta tese visa a compreender a relação totêmica entre o patrimônio cultural e as memórias sociais, a partir da hipótese de que o processo de patrimonialização é, em si, um processo de construção narrativa dessa memória, à medida em que seleciona, elege e protege determinados bens culturais representantes de memórias sociais. Com isto, a tese abre olhar sobre as memórias subalternas, particularmente sobre as memórias indígenas e sua representatividade no campo do patrimônio cultural. A tese investiga como o processo de patrimonialização se dá ao longo de oito décadas de atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a partir de uma análise quantitativa e espaço-temporal dos dados sobre os bens tombados. Desenvolve, ainda, uma leitura atenta às rupturas e descontinuidades da ação política e ideológica institucional, sugerindo, por fim, uma visão holística e reflexão crítica para a compreensão contemporânea do patrimônio cultural brasileiro. Como estudo de caso, esta pesquisa se debruça ainda sobre o bem cultural “lugares indígenas Sagrados do Alto Xingu, denominados Sagihengu e Kamukuwaká”, como exemplar quase inédito de bem cultural de natureza material que se relaciona com a memória social dos povos originários, em discussão ao que essa singularidade representa para o conjunto mosaico de bens culturais tombados pelo IPHAN.


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