Como se estrutura a venda de Planos de Saúde Empresariais (PME) por meio da intermediação do corretor
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Resumo
O Brasil tem suas particularidades em diversos aspectos e áreas, a saúde suplementar não foge à regra, especialmente na comercialização de planos de saúde. Temos práticas nacionais que diferem de outras no mercado de seguros. Principalmente na comercialização do plano de saúde empresarial, que é o principal produto comercializado: ele é responsável por 73% dos contratos vigentes. Estes planos são em grande maioria contratados por empresas de pequeno e médio porte, as (PME), tal característica reflete diretamente na estrutura do mercado de trabalho brasileiro. Com forte atuação, as PMEs são a modalidade que mais empregam trabalhadores formais e possuem a maior quantidade de contratos de planos de saúde empresariais. Diante desse cenário, esta dissertação tem como objetivo compreender como se organiza o processo de contratação de planos de saúde por empresas de pequeno e médio porte e identificar o papel e o valor do corretor na venda, considerando a estrutura de incentivos, a dinâmica comercial e a relevância econômica desse grupo para a saúde suplementar. A escolha do segmento PME foi realizada devido à sua representatividade econômica e à quantidade de contratos firmados com operadoras. No referencial teórico, o estudo faz uma breve visita à origem dos seguros, à institucionalização do corretor como intermediário, o processo de construção do arcabouço regulatório da saúde suplementar brasileira; estes itens fornecem suporte conceitual para a análise empírica. Quanto à metodologia, é uma pesquisa qualitativa e exploratória, desenvolvida a partir de entrevistas semiestruturadas com executivos de operadoras de planos de saúde e de corretoras que atuam ou atuaram no mercado de saúde suplementar. A análise dos dados foi realizada por meio de análise de conteúdo, permitindo a identificação de categorias e padrões que auxiliam no entendimento do fenômeno. Os resultados indicam que as operadoras de planos de saúde apresentam elevada dependência do corretor como canal de vendas e do segmento de PMEs para a composição e manutenção de suas carteiras. Estas dependências sustentam um modelo de incentivos baseado sobretudo em comissões financeiras, que estimula a atuação comercial do corretor e garante capilaridade ao sistema. Contudo, o estudo evidencia que esse formato de remuneração gera desalinhamentos de incentivos, favorecendo, em determinados contextos, a substituição de contratos entre operadoras, em vez da ampliação líquida da base de beneficiários da saúde suplementar. O estudo conclui que o corretor é um ator estrutural da saúde suplementar, especialmente no segmento de PMEs, e que o desafio do setor não reside na eliminação da intermediação, mas na qualificação de seus incentivos, de modo a alinhar interesses e favorecer a expansão sustentável do sistema a longo prazo.
