Inteligência artificial no recrutamento e seleção: percepções de governança, ética e justiça no processo decisório

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Gestão para a Competitividade

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O avanço da Inteligência Artificial (IA) no Recrutamento e Seleção (R&S) tem sido impulsionado pela promessa de maior eficiência operacional, escalabilidade, padronização e redução de custos. No entanto, sua incorporação acelerada também produz tensionamentos sociotécnicos relevantes nas dimensões de governança, explicabilidade, ética, confiança e justiça organizacional. Diante desse cenário, esta pesquisa foi orientada pela seguinte questão: como as empresas do setor de Tecnologia da Informação (TI) estão empregando a IA em seus processos de R&S, e qual a percepção integrada de executivos, gestores de RH e candidatos com relação ao valor gerado, à transparência e à justiça no processo decisório? O objetivo do estudo foi investigar a adoção da IA nesses processos em empresas de TI no Brasil, sob a ótica triádica de executivos seniores, profissionais de Recursos Humanos e candidatos. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com entrevistas semiestruturadas realizadas com 38 participantes vinculados a 13 organizações do setor. O material empírico foi submetido à Análise de Conteúdo até o atingimento da saturação teórica. Os resultados revelaram uma assimetria relevante: embora a adoção da IA seja sustentada por business cases, indicadores de produtividade e pressões de sobrevivência competitiva, ainda há lacunas práticas de governança para assegurar uma Inteligência Artificial Responsável (RAI). A opacidade algorítmica, a ausência de critérios explicáveis e a possibilidade de reprodução de padrões discriminatórios comprometem a confiança no processo seletivo. Sob a ótica dos candidatos, a automação unilateral, a falta de feedbacks estruturados e a comunicação insuficiente reduzem a percepção de justiça interacional e afetam a marca empregadora. Como contribuição prática, o estudo propõe um framework interpretativo e uma Matriz de Convergência Analítica para a adoção responsável de IA em R&S, articulando capacidades organizacionais, governança algorítmica, supervisão humana e justiça percebida. Além disso, oferece diretrizes gerenciais para que as empresas estruturem processos seletivos mais transparentes, auditáveis e humanizados, por meio de políticas de explicabilidade, uso restrito de dados relacionados à vaga, supervisão humana contínua, capacitação das equipes de RH e gestão da mudança organizacional. Conclui-se que a IA pode gerar valor ao ampliar a eficiência do R&S, desde que sua adoção seja acompanhada por mecanismos concretos de governança, curadoria humana e preservação da legitimidade do processo decisório.


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