Dois Estados Novos, um jornal: o Correio da Manhã e os regimes autoritários no Brasil e em Portugal

dc.contributor.advisorFreire, Américo
dc.contributor.authorAndrade, Geovani Anicio
dc.contributor.memberMartins, Luís Carlos dos Passos
dc.contributor.memberMattos, Marco Aurélio Vannucchi Leme de
dc.contributor.memberGagliardi, Juliana
dc.contributor.unidadefgvEscolas::CPDOCpor
dc.date.accessioned2026-06-09T16:40:19Z
dc.date.issued2026-03-31
dc.description.abstractEsta tese analisa a atuação do Correio da Manhã, principal jornal da capital federal, diante da consolidação de dois regimes autoritários nas décadas de 1930 e 1940: o Estado Novo de Getúlio Vargas, no Brasil, e o Estado Novo de António de Oliveira Salazar, em Portugal. O objetivo central é compreender a aparente contradição de um periódico que, embora se apresentasse como ferrenho defensor do liberalismo e crítico do autoritarismo varguista, manteve postura complacente — por vezes enaltecedora — em relação à ditadura salazarista. A hipótese defendida é a de que essa dualidade não decorre de incoerência editorial, mas de uma estratégia deliberada, aqui denominada liberalismo instrumental: a modulação seletiva dos princípios liberais conforme os imperativos de classe e as circunstâncias políticas. No plano interno, o jornal resistiu a Vargas de forma velada e polifônica para preservar sua influência simbólica junto às elites urbanas. No plano externo, silenciou sobre a repressão em Portugal — inclusive sobre o campo de concentração do Tarrafal — para não alienar a influente comunidade luso-brasileira do Rio de Janeiro, cujo apoio econômico e político era vital. A análise comparativa da cobertura jornalística, apoiada nos referenciais teóricos de Hobsbawm ("invenção da tradição") e Laclau ("razão populista"), revela que o Correio da Manhã não era antiautoritário por princípio, mas sim antipopulista: tolerava o autoritarismo "estático" e desmobilizador de Salazar, enquanto combatia o autoritarismo "dinâmico" e mobilizador de Vargas, que ameaçava diretamente o papel do jornal como mediador privilegiado entre Estado e sociedade.por
dc.description.abstractThis thesis analyzes the role of Correio da Manhã, the main newspaper of the Brazilian federal capital, in light of the consolidation of two authoritarian regimes during the 1930s and 1940s: Getúlio Vargas's Estado Novo in Brazil and António de Oliveira Salazar's Estado Novo in Portugal. The central objective is to understand the apparent contradiction of a periodical that, while presenting itself as a staunch defender of liberalism and a critic of Varguista authoritarianism, maintained a complacent — at times even laudatory — stance towards the Salazarist dictatorship. The hypothesis is that this duality does not stem from editorial incoherence but from a deliberate strategy, termed here "instrumental liberalism": the selective modulation of liberal principles according to class imperatives and political circumstances. Domestically, the newspaper resisted Vargas through veiled, polyphonic means to preserve its symbolic influence among urban elites. Internationally, it remained silent on Portuguese repression — including the Tarrafal concentration camp — to avoid alienating the influential Luso-Brazilian community in Rio de Janeiro, whose economic and political support was vital. The comparative analysis of journalistic coverage, supported by the theoretical frameworks of Hobsbawm ("invention of tradition") and Laclau ("populist reason"), reveals that Correio da Manhã was not anti-authoritarian on principle, but rather anti-populist: it tolerated the "static" and demobilizing authoritarianism of Salazar, while combating the "dynamic" and mobilizing authoritarianism of Vargas, which directly threatened the newspaper's role as a privileged mediator between the State and society.eng
dc.format.extent195 f.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/10438/39253
dc.language.isopor
dc.relation.GradProgramHistória, Política e Bens Culturaispor
dc.rights.accessRightsopenAccesseng
dc.subjectImprensa brasileirapor
dc.subjectCorreio da Manhãpor
dc.subjectEstado Novopor
dc.subjectLiberalismo Instrumentalpor
dc.subjectPopulismopor
dc.subjectBrazilian Presseng
dc.subjectInstrumental Liberalismeng
dc.subjectPopulismeng
dc.subject.areaCiências Sociaispor
dc.titleDois Estados Novos, um jornal: o Correio da Manhã e os regimes autoritários no Brasil e em Portugalpor
dc.typeThesiseng
dspace.entity.typePublicationeng
relation.isAdvisorOfPublication72a0d873-37ce-4f1b-a6d1-303eb5bbf294
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