“Se não fosse preto, não seria Pelé”: o olhar de Mário Filho sobre o rei do futebol (1957–1964)
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Resumo
O objetivo deste trabalho é analisar a centralidade conferida a Pelé na obra e nas crônicas de Mário Filho, observando como o jogador foi alçado à categoria de herói nacional e síntese da cultura brasileira. Para isso, foram mobilizadas as crônicas do Jornal dos Sports durante o biênio de 1957-1958, e seu livro O negro no futebol brasileiro, como forma de compreender como o jogador foi rapidamente alçado ao posto de herói do povo brasileiro, e como esse tema foi visto pelo jornalista. Buscamos também compreender os motivos que levaram às mudanças de pensamento de Mário Filho, entre a primeira (1947) e a segunda edição (1964) de seu principal livro, compreendendo que os fracassos nas Copas do Mundo de 1950 e 1954 foram cruciais para o afastamento de sua perspectiva acerca do papel do futebol na cultura brasileira. Essa questão iria mudar com a ascensão de Pelé e o vindouro título da Copa do Mundo de 1958, fazendo-o retornar a uma visão mais próxima daquela encontrada em O negro no Futebol Brasileiro. Tais elementos fundamentaram a defesa de Pelé, por Mário Filho, como um herói nacional. O jogador seria a representação do símbolo máximo de brasileiro ideal, pois personificava as principais virtudes que Mário Filho compreendia serem fundamentais para qualquer cidadão: a simplicidade, o apego à família, a sua religiosidade e o seu nacionalismo.
