Mẽ àhpumunh Karõ: cem anos de registros Apinajé

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Me àhpumunh Karõ: Cem anos de registros Apinajé é um livro de arte bilíngue (português / panhĩ kaper — língua indígena Apinajé) e um dos desdobramentos do projeto Patrimônio Documental Indígena: trabalho colaborativo entre o FGV CPDOC e o Povo Apinajé. A obra reúne um século de registros fotográficos do povo Apinajé, abrangendo fotografias de Curt Nimuendajú (1928–1937), Roberto DaMatta (década de 1960), Luís Olinto (década de 1980), Odair Giraldin (1995–2020) e Raquel Pereira Rocha (anos 2000-2010). A coleção fotográfica sobre o povo Apinajé — com exceção das imagens de Nimuendajú — foi inscrita no Registro Regional Memória do Mundo para América Latina e Caribe da UNESCO (2025), reconhecimento que reafirma seu valor para a preservação da memória histórica e cultural indígena. O livro está estruturado em três partes. A primeira abre com um texto de contextualização do projeto, seguido de textos de antropólogos e visitantes sobre suas respectivas visitas e estudos junto ao povo Apinajé desde a década de 1930 até o presente, acompanhados das fotografias que contextualizam o olhar de cada época. A seção inclui ainda um texto do pesquisador indígena Julio Kamêr Apinajé. A segunda é dedicada a festas e ritos culturais Apinajé, reunindo imagens de todo esse período em torno de temas da vida coletiva do povo panhĩ (autodenominação do povo Apinajé); os textos desta parte foram escritos por Julio Kâmer Apinajé e Odair Giraldin. A terceira registra a colaboração entre pesquisadores indígenas e não indígenas no processo de organização e identificação dos arquivos doados ao FGV CPDOC. Descreve ainda a relação iniciada em 2022 que se aprofundou em visitas recíprocas — entre o Rio de Janeiro e a TI Apinajé, no Tocantins — e em construção dos laços de afinidade, entre outros momentos, na nominação ritual de parte da equipe do CPDOC pelo povo Apinajé. Ao articular arquivo, memória viva e produção colaborativa, a obra propõe uma nova forma de publicar e compartilhar esse importante patrimônio indígena. A identificação de pessoas, cerimônias e localidades nas fotografias foi realizada por pesquisadores da própria comunidade, processo acompanhado com grande emoção pelos Apinajé, que reconheceram familiares e antepassados nas imagens.


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