Equilibrismo entre poderes: governabilidade e transformações no presidencialismo de coalizão

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Analisa a evolução dos mecanismos de governabilidade no presidencialismo de coalizão brasileiro, do pacto constituinte de 1988 ao cenário de estresse institucional da última década. Investiga se o modelo atravessa uma adaptação ou uma redefinição estrutural no equilíbrio entre os Poderes, avaliando a funcionalidade de instrumentos como poder de agenda, disciplina partidária e barganha orçamentária. A metodologia mista combina análise históricoinstitucional ao exame quantitativo de indicadores de sucesso legislativo, dominância do Executivo, alinhamento parlamentar, execução de emendas e judicializações entre 1989 e 2025. A fundação teórica ancora-se no conceito clássico de Abranches (1988), nas teses de governabilidade de Limongi e Figueiredo (1995; 1996; 1998; 2005), Amorim Neto (2000; 2002), Pereira e Mueller (2002; 2003), Pereira, Power e Rennó (2007), e nas análises contemporâneas de Melo (2016), Arguelhes e Ribeiro (2016; 2018), Zucco e Power (2024), Couto (2025), Couto, Arantes e Abrucio (2025) e Marona et al. (2025). Os achados demonstram que, embora o Executivo mantenha a dominância legislativa, houve queda nas taxas de sucesso, sobretudo em Medidas Provisórias, e elevação nos custos da governabilidade. Evidencia-se um Legislativo fortalecido pela impositividade das emendas, que reduziu o poder de negociação presidencial e conferiu maior autonomia orçamentária ao Congresso; e um Judiciário como ator central na arbitragem política. O estudo demonstra que o presidencialismo de coalizão brasileiro não colapsou, nem deve ser compreendido como um arranjo meramente transitório, mas redefiniu seus mecanismos de coordenação e aumentou seus custos políticos. Conclui-se que o modelo passa por uma transformação estrutural: de uma coordenação hierárquica para uma dinâmica transacional e conflituosa, marcada pela polarização ideológica, independência das lideranças parlamentares e judicialização, preservando a capacidade decisória sob elevada tensão, especialmente em governos minoritários. O trabalho apresenta-se como referencial para futuras investigações sobre a qualidade da democracia brasileira e o aprofundamento dos estudos sobre os limites da governabilidade em sistemas presidencialistas multipartidários sob estresse institucional.


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