As mulheres que sobreviveram ao deserto: avós e a transmissão da armenidade na diáspora Armênia no Brasil

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História, Política e Bens Culturais

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Esta tese analisa a transmissão, reelaboração e ressignificação da armenidade entre gerações de mulheres descendentes de sobreviventes do genocídio armênio no Brasil. A pesquisa compreende a armenidade como um conjunto situado de práticas socioculturais, afetos, memórias e referências simbólicas pelas quais indivíduos e grupos se reconhecem como parte de uma comunidade de origem. A hipótese sustentada situa a armenidade no campo da mediação cotidiana, protagonizada majoritariamente por mulheres, afastando-a da noção de uma identidade herdada e imutável. As avós destacam-se como figuras estruturantes nessa rede, articulando a memória familiar, as práticas culturais e o pertencimento, ao mesmo tempo em que conferem sentido aos silêncios deixados pela violência genocida, pelo exílio e pelas lacunas documentais. Metodologicamente, o estudo é de natureza qualitativa, fundamentado na história oral e de vida. O corpus compreende 35 entrevistas em profundidade, realizadas entre 2023 e 2024. O processamento dos dados contou com o apoio do modelo Whisper para transcrição e do software ATLAS.ti para a codificação (inicial, focused e axial). A triangulação metodológica integrou o trabalho de campo a acervos digitais (FamilySearch e Sistema de Informações do Arquivo Nacional - SIAN) e coleções documentais familiares, permitindo a reconstrução de trajetórias fragmentadas. A análise articula contribuições dos estudos de genocídio, memória, gênero, diáspora e arquivologia crítica. Os resultados revelam o papel central das mulheres e avós na transmissão intergeracional, preservando repertórios culturais por meio de práticas domésticas, religiosas, narrativas e afetivas. A tese contribui para os debates sobre memória e gênero ao demonstrar a viabilidade de integrar narrativas orais, arquivos digitais e análise qualitativa assistida por inteligência artificial no estudo de comunidades migrantes cujas trajetórias foram atravessadas pelo deslocamento forçado e pela perda documental.


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