Choques de política monetária e alocação de portfólio: evidências da indústria de fundos multimercado no Brasil
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Resumo
Este trabalho investiga o impacto de choques não antecipados de política monetária sobre a alocação de portfólio e a tomada de risco da indústria de fundos multimercado no Brasil. Utilizando dados de contratos futuros de taxa de Depósito Interbancário (DI), identificam-se as surpresas monetárias em torno das reuniões do Comitê de Política Monetária (COPOM) no período de 2016 a 2025. O efeito dinâmico desses choques sobre a alocação média do mercado é estimado por meio do método de Projeções Locais (Jordà, 2005). Os resultados empíricos revelam que um choque contracionista induz uma dinâmica de realocação de carteiras que se desdobra em dois estágios. No curtíssimo prazo, os gestores reagem com um movimento tático de fuga para liquidez (flight to liquidity), elevando rapidamente as posições em caixa e operações compromissadas. No médio prazo, observa-se uma redução persistente e substancial da exposição a investimentos no exterior, consistente com um processo de repatriação de capital. Simultaneamente, os recursos são gradualmente realocados para ativos domésticos de maior rendimento esperado, evidenciado pelo aumento consistente e tardio na exposição a títulos públicos, debêntures e ações. A robustez das estimações é confirmada mediante o controle por inércia de portfólio e persistência dos choques. As evidências corroboram a importância da gestão ativa institucional no canal de tomada de risco e na transmissão da política monetária para os preços dos ativos no Brasil.
