Memória e narrativa digital como estratégia de visibilidade e emancipação: a experiência do Coletivo Mulheres da Luz
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Resumo
Este estudo investiga como narrativas digitais contribuem para a produção de sentidos e para a visibilidade social e simbólica de mulheres em situação de prostituição. A memória é compreendida como construção coletiva, atravessada por disputas simbólicas em contextos de desigualdade de gênero, raça, classe e território. Embora possam reproduzir estereótipos, as narrativas digitais funcionam como instrumentos de resistência e reconstrução identitária, permitindo a emergência de vozes historicamente marginalizadas. A fundamentação teórica do estudo apoia-se em abordagens e conceitos relativos à memória e à história, tanto escrita quanto oral, às representações sociais e à construção da identidade, bem como aos meios de comunicação, à cultura digital e aos sistemas de poder. A partir dessas perspectivas, a pesquisa analisa a prostituição como fenômeno socialmente construído, atravessado por estigma e exclusão, e investiga como a cultura digital reconfigura a construção e o compartilhamento de memórias coletivas. A metodologia da pesquisa utilizada foi orientada pelas premissas de Luis Martino (2018), a partir de uma abordagem qualitativa. Foram realizadas quatro entrevistas semiestruturadas, conduzidas em encontros presenciais com uma das fundadoras do Coletivo Mulheres da Luz, mulheres atendidas pelo coletivo e a educadora do Programa de Inclusão Sociocultural (PISC) da Pinacoteca de São Paulo. Como produto, será produzido um episódio piloto de uma websérie documental, À luz da memória: Mulheres que resistem, com relatos audiovisuais das participantes, com o objetivo de valorizar trajetórias, ampliar a visibilidade simbólica dessas mulheres e inserir os resultados no debate acadêmico, com implicações para políticas públicas e instituições culturais.
