Uma análise sobre os desafios percebidos e benefícios esperados na implementação das Normas IFRS S1 e S2 no contexto brasileiro
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Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar os principais desafios percebidos e benefícios esperados na implementação das normas IFRS S1 e S2 no contexto brasileiro, recentemente endossadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central do Brasil (BACEN). A pesquisa parte do debate teórico sobre reportes corporativos de sustentabilidade, materialidade financeira e perspectivas de materialidade, à luz do movimento internacional de padronização dos reportes ESG. O estudo adota uma abordagem qualitativa de natureza exploratória, baseada na realização de entrevistas semiestruturadas realizadas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 com um conjunto selecionado de profissionais com atuação direta no processo de implementação das normas IFRS S1 e S2, pertencentes a quatro perfis distintos: empresas de capital aberto, consultorias, auditorias independentes e investidores. A análise é complementada pela triangulação dos achados da consulta pública conduzida pela CVM em 2025. Os resultados indicam convergência entre os entrevistados quanto aos desafios e benefícios associados à adoção das normas. Entre os principais desafios destacam-se: i) a mudança cultural e o engajamento da liderança, ii) as dificuldades na mensuração e quantificação financeira de riscos e impactos de sustentabilidade, iii) os desafios operacionais, bem como a iv) complexidade das normas e do calendário de implementação. Em contrapartida, os benefícios esperados concentram-se em: i) melhoria da gestão integrada de riscos, ii) aprimoramento da qualidade e da cobertura das informações quantitativas divulgadas, iii) no fortalecimento da imagem reputacional e do posicionamento de mercado, além de iv) avanços em governança corporativa. Conclui-se que a adoção das normas IFRS S1 e S2 no Brasil deve ser compreendida como um processo evolutivo, que envolve ajustes institucionais e culturais, mas apresenta potencial significativo para elevar o patamar do reporte de sustentabilidade corporativa no país.
