O arranjo funcional sempre funciona? O arquivo Mário Pedrosa e os limites da organização de arquivos pessoais
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Resumo
A presente dissertação tem como objetivo investigar os limites do modelo de arranjo funcional na organização de arquivos pessoais. Analisa como o entendimento de atividades enquanto função atrela-se a um determinado modelo de sujeito inscrito em uma tradição filosófica ocidental hegemônica, desembocando na construção e reprodução do “neossujeito” neoliberal. Apresenta, através de estudo de caso do Arquivo Mário Pedrosa, custodiado na Divisão de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional, como essa perspectiva pode estabelecer pontos de exclusão e criar cisões entre a trajetória do produtor e a representação documental de sua vida e obra. Conclui que a noção de “função” é insuficiente para refletir a multiplicidade de atividades humanas que extrapolam as esferas da produtividade, utilidade e desempenho. Propõe, à luz de abordagens decoloniais e de autoras como Hobbs (2016) e Douglas (2018), o redirecionamento do foco da funcionalidade e do caráter probatório para a noção de experiência humana como geradora de documentos, sugerindo novas possibilidades de organização que considerem contextos múltiplos, relações de afeto, sociabilidade e processos criativos não orientados por finalidades utilitárias.
