Resíduos urbanos como fonte energética: o papel dos stakeholders na substituição da biomassa convencional

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Data
2025-11-24

Orientador(res)

Vasconcellos, Luís Henrique Rigato

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A crescente demanda por modelos produtivos alinhados à sustentabilidade e à economia circular tem pressionado o setor industrial a revisar suas estratégias ambientais, sociais e energéticas. Este estudo teve como objetivo compreender como os diferentes stakeholders influenciam a substituição da biomassa convencional por fontes energéticas oriundas dos resíduos sólidos urbanos (RSU) em empresas industriais que operam caldeiras. A investigação foi orientada pela Teoria dos Stakeholders, contemplando as dimensões mais recorrentes nas entrevistas: meio ambiente, colaboradores, cadeia de suprimentos, clientes e mercados, comunidades locais e órgãos públicos. A abordagem metodológica foi qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas com gestores de treze empresas do setor agroindustrial brasileiro. Os resultados indicam que a sustentabilidade é tratada de forma predominantemente reativa, com foco no atendimento a exigências legais e mercadológicas, sem integração com estratégias institucionais de longo prazo. Práticas como o uso de lavadores de gases ou a substituição parcial da lenha por resíduos agrícolas foram relatadas, mas de maneira pontual e sem monitoramento contínuo. Nenhuma empresa considerou o RSU como alternativa viável, revelando barreiras culturais, desconhecimento técnico e ausência de políticas públicas articuladas que favoreçam essa transição. Apesar disso, identificaram-se iniciativas socioambientais pontuais e potencial de engajamento dos colaboradores, que pode ser mobilizado por meio de processos formativos e de inovação. Conclui-se que a substituição da biomassa convencional por RSU depende da tomada de decisão de stakeholders estratégicos e da construção de estruturas de governança colaborativas, apoiadas por políticas públicas integradas e práticas organizacionais orientadas à economia circular.

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