Finanças sustentáveis: uma análise comparativa da taxonomia da União Europeia e da taxonomia sustentável brasileira

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Data
2026-03-05

Orientador(res)

Felsberg, Annelise Vendramini

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As taxonomias sustentáveis consolidaram-se como instrumentos centrais das finanças sustentáveis, ao estabelecer critérios para classificar atividades econômicas alinhadas a objetivos ambientais e sociais. Ao coordenarem políticas públicas, regulação financeira e decisões privadas de investimento, orientam a alocação de capital em atividades econômicas sustentáveis. No contexto brasileiro, a TSB busca alinhar o sistema financeiro às metas climáticas e de desenvolvimento nacional, incorporando dimensões ambientais e socioeconômicas da transição justa. A iniciativa adapta referenciais internacionais às especificidades produtivas e regulatórias do país. Nesse cenário, torna-se relevante examinar o grau de convergência entre a TSB e modelos internacionais consolidados. Com efeito este trabalho compara a Taxonomia da UE e a TSB, identificando convergências e divergências quanto aos critérios de classificação, ao escopo dos objetivos e à racionalidade regulatória, bem como analisa de que forma essas diferenças podem potencialmente afetar o direcionamento de investimentos sustentáveis no Brasil. A metodologia adota abordagem qualitativa e comparativa, baseada em análise documental de marcos regulatórios e documentos institucionais, complementada por entrevistas semiestruturadas com especialistas envolvidos na formulação da TSB. Os resultados indicam que, embora compartilhem princípios metodológicos comuns — como lógica cumulativa de elegibilidade, uso de classificações econômicas oficiais e mitigação do greenwashing —, as taxonomias apresentam diferenças relevantes. A Taxonomia da UE caracteriza-se por foco predominantemente ambiental, elevada granularidade técnica e forte integração a regimes obrigatórios de reporte, enquanto a TSB incorpora objetivos socioeconômicos ao núcleo classificatório e adota desenho orientado à viabilidade operacional e à transição justa. A análise evidencia desafios relacionados a modelos binários, disponibilidade de dados, arranjos de governança e custos de implementação. O estudo contribui para o debate acadêmico e regulatório ao demonstrar como essas divergências influenciam a racionalidade regulatória e o direcionamento de investimentos sustentáveis no Brasil, oferecendo subsídios para discussões sobre harmonização e interoperabilidade entre jurisdições.

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