Criobiópsia transbrônquica e biópsia pulmonar cirúrgica em doenças pulmonares intersticiais: uma análise de custo-efetividade

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Data
2025-08-08

Orientador(res)

Vecina Neto, Gonzalo

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As doenças pulmonares intersticiais (DPIs) constituem um grupo heterogêneo de patologias, marcadas pela sobreposição de achados clínicos, radiológicos e funcionais; seu diagnóstico se ancora na discussão multidisciplinar e, quando persiste a incerteza, a avaliação histopatológica torna-se crucial, pois cada subtipo carrega implicações prognósticas e terapêuticas distintas. A biópsia pulmonar cirúrgica (BPC), embora seja considerada o padrão-ouro com alto rendimento diagnóstico, apresenta custos elevados e morbimortalidade significativa, o que a torna inviável para muitos pacientes. Apesar disso, no Sistema Único de Saúde (SUS), a BPC é o método de referência disponível, ao lado da biópsia transbrônquica convencional por pinça, que, por sua vez, tem papel limitado na investigação das DPIs devido ao seu modesto rendimento diagnóstico. Nesse contexto, a criobiópsia transbrônquica (CBTB) vem se consolidando como uma alternativa menos invasiva que preserva bom desempenho diagnóstico, contudo, apesar de seu amplo reconhecimento internacional, a técnica não está incorporada ao SUS, sendo, portanto, subutilizada no Brasil. Este estudo teve como objetivo avaliar a custo-efetividade da CBTB em comparação à BPC no diagnóstico de DPIs na perspectiva do SUS. Foi realizada uma avaliação econômica por meio de um modelo de árvore de decisão, comparando três estratégias diagnósticas distintas em uma coorte hipotética de 100 pacientes: CBTB de forma isolada (E1); BPC como procedimento único (E2) ou uma estratégia escalonada, que tem início com a CBTB e recorre à BPC apenas nos casos inconclusivos (E3). A análise de dados do SUS para a BPC revelou mortalidade de 6,8% e permanência hospitalar média de 9,7 dias, valores que superam os reportados na literatura internacional. O custo médio dos procedimentos, estimado por microcusteio, foi de R$ 5.623,34 para a CBTB e R$ 22.855,94 para a BPC (incluindo internação). A análise econômica demonstrou que a estratégia escalonada é mais custo-efetiva, sendo dominante sobre a BPC isolada, por apresentar simultaneamente maior efetividade (97 vs. 88 diagnósticos) e menor custo total (R$ 966.463,00 vs. R$ 2.285.594,00), achados corroborados pelas análises de sensibilidade. Ao combinar um desempenho diagnóstico satisfatório com um perfil de segurança e custos mais favoráveis, a CBTB se destaca como uma alternativa que oferece menor risco ao paciente e permite o uso mais racional dos recursos hospitalares. Portanto, a ampliação do acesso a essa tecnologia representa um passo fundamental para modernizar a abordagem diagnóstica das DPIs no Brasil, alinhando a prática nacional às melhores evidências internacionais.

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