Essays in political economy

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Data
2021-06-23
Orientador(res)
Monte, Daniel
Nakaguma, Marcos Yamada
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Resumo

Esta tese é composta por dois ensaios - e uma seção de conclusões - independentes sobre economia política. Apesar de sua independência, acreditamos que as informações sejam complementares no que tange o principal problema analisado: a relação entre políticos e eleitores e os impactos no resultado das eleições. A eleição talvez seja a principal força que rege e disciplina a democracia. Não obstante, o produto de uma eleição pode não ser o ideal à maioria da sociedade. Então, entender as forças que alteram a natureza do resultado de uma eleição é fundamental para uma democracia saudável. Assim, no primeiro capítulo é feita uma análise do impacto da memória dos eleitores no comportamento dos políticos. Utilizando um modelo teórico de voto retrospectivo, em que eleitores premiam políticos com bom comportamento, permitindo que haja promessas de campanha críveis; mostramos que quanto menor a memória dos eleitores, menor é o alinhamento das políticas prometidas e praticadas com o eleitor mediano. No segundo capítulo analisamos diretamento o problema da polarização política e os impactos de gastos de campanha. Baseado no modelo de Kamada and Kojima [2014], incluímos o elemento de gastos de campanha na preferência dos eleitores. Nossa análise é baseada em uma economia cujos eleitores, em sua maioria, preferem plataformas políticas extremistas e há incerteza no processo de tomada de decisão de voto, ou seja, estudamos um modelo de voto probabilístico. A competição política se dá em apenas um período e os candidatos escolhem como distribuir seus orçamentos de campanha, o que afeta a plataforma política que eles irão implementar se eleitos. Ou seja, há uma conexão entre a distribuição de gastos com a plataforma política. Os eleitores nessa economia são impressionáveis, no sentido de que há uma preferência direta por gastos de campanha. O principal resultado do modelo é que, mesmo com uma competição política, se (i) os eleitores se preocupam em demasia apenas com sua plataforma política preferida, i.e., suas preferências são convexas com relação à plataforma política; (ii) pequenas mudanças nos gastos de campanha não afetam de forma significativa a percepção dos eleitores, i.e., suas preferências são côncavas com relação a gastos de campanha; e (iii) há uma incerteza na tomada de decisão dos eleitores, i.e., o voto é probabilístico; então há um equilíbrio polarizado. Além disso, é visto que há uma relação não monotônica entre a relevância dos gastos de campanha na preferência dos eleitores e a ocorrência do equilíbrio polarizado: quando a relevância dos gastos é nula, estamos no mesmo caso do modelo de Kamada and Kojima [2014]; e quando a relevância aumenta e a preferência dos eleitores é côncava com relação a esses gastos, o efeito que temos é que gastos de campanha aumentam a incerteza no modelo, o que favorece a polarização; entretanto, quando o gasto de campanha se torna muito relevante na tomada de decisão do eleitor, temos um modelo de disputa por votos semelhante a um leilão, cujos prêmios são os votos dos eleitores e o valor desses prêmios é o tamanho do eleitorado em cada ponto político. Neste caso, em equilíbrio, o perfil de gasto de cada candidato será proporcional ao tamanho do eleitorado em cada ponto e, dada a distribuição simétrica de eleitores que assumimos, o equilíbrio da plataforma política irá de encontro ao eleitor mediano.


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