Pagamentos instantâneos e inclusão financeira: limites e desigualdades territoriais no caso do Pix

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Data
2026-02-27

Orientador(res)

Diniz, Eduardo Henrique

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Esta dissertação investiga a relação entre pagamentos instantâneos e inclusão financeira, questionando a noção recorrente de que inovações em pagamentos seriam intrinsecamente inclusivas. O trabalho articula três movimentos complementares. Primeiro, realiza uma revisão da literatura acadêmica e prática sobre pagamentos instantâneos e inclusão financeira, evidenciando a fragmentação do campo e propondo um framework integrativo que organiza dimensões centrais do debate, como a atuação estatal, os agentes de mercado, os mecanismos de coordenação e interoperabilidade, as escolhas de desenho institucional e os padrões de uso. Em seguida, desenvolve um ensaio teórico que problematiza interpretações tecnodeterministas, argumentando que atributos técnicos como velocidade, baixo custo e disponibilidade contínua são condições habilitadoras, mas não suficientes para garantir inclusão financeira efetiva. Por fim, a dissertação apresenta uma análise empírica descritiva dos padrões territoriais de uso do Pix nos municípios brasileiros, examinando sua relação com conectividade e renda. Os resultados evidenciam uma incorporação territorialmente desigual do sistema, incluindo combinações não lineares entre uso intensivo e contextos estruturalmente desfavoráveis, bem como situações inversas. Em conjunto, os achados sustentam que os efeitos inclusivos dos pagamentos instantâneos dependem de mediações institucionais, sociais e territoriais, reforçando a compreensão da inclusão financeira como um processo contingente e não como resultado automático da inovação tecnológica.

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