A heterogeneidade de gerações tem relação de causalidade com os conflitos existentes e recorrentes no ambiente empresarial atual

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Data
2022-02-16
Orientador(res)
Migueles, Carmen Pires
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Resumo

Objetivo - Este estudo tem como objetivo geral identificar se a heterogeneidade de gerações pode ser um dos fatores de conflitos no ambiente empresarial em um uma empresa de consultoria sob a percepção dos indivíduos e categorizar as principais causas dos conflitos para que as percepções individuais convirjam para uma visão coletiva. Metodologia – O presente trabalho é fruto de uma pesquisa qualitativa realizada em uma única organização do setor de serviços. A organização objeto dessa análise presta serviços na área de auditoria e consultoria e tem, hoje, aproximadamente 800 funcionários, dos quais 25 foram entrevistados para esse trabalho. Foram realizadas as entrevistas com perguntas abertas tratando as informações coletadas para chegarmos a explorar o sentido da mensagem, e não apenas apreender como esta é transmitida através da análise de discurso. Entrevistas semiestruturadas com 4 diferentes gerações que atualmente coexistem no mercado de trabalho sendo as gerações baby boomer, X, Y (Millennials) e Z (Next), reforçando que efetuou-se uma subdivisão em relação geração Y para que se compreendesse que há um contexto histórico importante que justifica essa segregação com referência aos nativos digitais (Y-30) e os não nativos digitais (Y+30). A perspectiva de análise se insere no campo da sociologia através da análise de discurso com base na perspectiva de pesquisadores como (ORLANDI, 2001; SERRANO, 2012). Utilizou-se a vertente de análise sócio-histórica proposta por Arsenault (2004); Lyons e Kuron (2014), nos pareceu mais adequada dado que a contextualização de análise de discurso com vertente sociológica aparece como chave para a compreensão dos dados nas entrevistas, revelando que o contexto tem um papel fundamental na configuração das diferenças geracionais, através de narrativas ideológicas como sugere (ORLANDI, 2001). Resultados – Com base na análise de como a língua é produzida e interpretada em dado contexto em que se considera tanto o emissor quanto o receptor da mensagem, além do contexto no qual o discurso está inserido e de como esse discurso é compartilhado socialmente entre as comunidades sociais, e o denominador comum para a ação, a interação, o discurso e as práticas sociais e profissionais através da análise de discurso, os dados foram reunidos em cortes geracionais, segregados em dados da auto percepção de cada geração e pela percepção transversal das gerações baby boomer e X em relação às gerações Z, Y-30 e Y+30. Após a organização dos dados brutos por gerações, foi feita uma análise de discurso sobre os dados coletados com o objetivo de analisar e interpretar os discursos, com base no roteiro proposto por Serrano (2012), onde propõe que a análise ocorra em três níveis. Num nível mais básico, atenta-se para o que está manifesto no texto, ignorando, muitas vezes, o que está implícito. Como a ênfase está na palavra, fez-se uso de ferramentas de análise como a análise de frequência, de correlações; ou focada em temas, utilizando codificações, ordenamento e comparações, por meio de uma análise de conteúdo, conforme sugerido por (BARDIN, 2016). Em um segundo nível sugerido por Serrano (2012), buscou-se identificar as maneiras de falar dos entrevistados, as relações de poder e como essas se relacionam com o objeto de estudo. E em um terceiro nível objetivou-se analisar, a partir de que sentido o discurso foi construído, em que lógica se formou e qual a relação de poder existente. Nesse contexto de análise observouse a recorrência e correlações de causas implícita ou explicitamente descritas em todas as gerações pesquisadas, as quais, sugeriram que pudessem representar as principais causas propulsoras de conflitos como a hierarquia, a comunicação, a falta de confiança, e a relação com avanços tecnológicos, entre outros menos citados. Dessa forma, houve o aprofundamento da análise das causas com maior recorrência e correlação entre as gerações. Quanto a recorrência causal de avanços tecnológicos, foi verificado que se tratava de um fator de mitigação de conflitos geracionais, quanto a sua utilização, tanto pelas gerações mais experientes quanto pelas gerações mais novas inclusive quanto ao alto conhecimento dos nativos digitais em novas ferramentas tecnológicas. No entanto, apesar de concordarem que as gerações Z e Y-30, têm maior facilidade com novas ferramentas tecnológicas, a percepção das gerações baby boomer e X quanto a expectativa da qualidade e tratamento dos dados gerados por essas gerações foram descritos como de baixa qualidade e falta de profundidade de análise o que gerava frustração por parte das gerações baby boomer e X, o que sugere uma certa ideologia sócio histórica por parte dessas gerações no contexto de que as narrativas remetem ao ponto de análise do ponto de vista do locutor tão somente rebuscando um conotação pessoal e em um contexto pré-digital, conforme verificado nos textos de ORLANDI (2009). Limitações – O tempo foi um fator determinante para a limitação da abrangência da pesquisa em estudo de caso único no Brasil. Outro fator foi a limitação de recursos, o que não permitiu uma universalização das conclusões e apresentação de alternativas mais abrangentes para mitigação de conflitos gerados pela heterogeneidade geracional. Em relação à coleta dos dados a limitação se deu em razão das entrevistas terem sido feitas de forma virtual em razão da pandemia da COVID-19 que impossibilitou que todas as entrevistas ocorressem de forma presencial. Contribuições práticas – Com base nesses resultados os gestores e líderes poderão identificar a relação de causalidade entre os conflitos existentes no ambiente empresarial e a heterogeneidade geracional e endereçar essas causas e distinguir os propulsores e mitigadores de conflitos, trabalhando em ferramentas para que possam gerenciar os conflitos, transformando essa energia em favor das organizações auxiliando os gestores da alta administração e no nível intermediário a desmistificar e direcionar as questões geracionais. Contribuições sociais – Identificar e gerenciar os conflitos geracionais não apenas nas empresas de serviços, mas nas demais empresas de diversas áreas a fim de atenuar questões como absenteísmo, rotatividade de equipes, desenvolvimento de soft skills para a liderança e retenção de talentos. Originalidade – Apesar de existirem diversos estudos e autores que já escreveram sobre o tema de heterogeneidade de gerações e conflitos existentes, esse estudo buscou focar na análise de discurso dos indivíduos e na correlação de poder que um grupo ou indivíduo exercia sobre o outro. Outra percepção que se buscou foi a de contextualizar em que ambiente o discurso era propagado e para qual público ele era direcionado. Apesar da análise de discurso nos levar à percepção do indivíduo ou grupo geracional a análise foi feita na perspectiva dos impactos dessas percepções para a organização e como esses conflitos impactariam a empresa e os gestores.


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