Comunicação feminista: estratégias na luta por direitos reprodutivos
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Data
2025-06-30
Autores
Orientador(res)
Farah, Marta
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Resumo
Esta pesquisa investiga o papel do jornalismo feminista e sem fins lucrativos na luta pelo aborto legal no Brasil, analisando as estratégias adotadas por organizações feministas no Brasil, no período recente. São analisadas as estratégias de quatro organizações: Revista AzMina, Portal Catarinas, Gênero e Número e Nós, Mulheres de Periferia. Por meio de um estudo de caso coletivo, a pesquisa identifica como as iniciativas de comunicação dessas organizações diferem do jornalismo tradicional, recorrendo a novas formas de divulgação de conteúdos e de interação com seu público, sendo pioneiras no uso de redes sociais para promoverem a disseminação de informações sobre direitos reprodutivos, desafiando enquadramentos estigmatizantes. A pergunta central que orienta a investigação é: quais as estratégias de comunicação adotadas por organizações jornalísticas feministas para influenciar o debate e as políticas públicas sobre o aborto? Destaca-se o caráter exploratório desta investigação, uma vez que não foram identificados estudos anteriores que analisem especificamente a intersecção entre jornalismo feminista sem fins lucrativos e seu papel nas políticas públicas sobre aborto no Brasil.A abordagem teórica mobiliza uma perspectiva crítica do modelo de múltiplos fluxos de John Kingdon para demonstrar como esses veículos atuam para influenciar a formulação de políticas públicas, dialogando com Nancy Fraser e seu conceito de "contrapúblicos subalternos", destacando como essas organizações ampliam vozes marginalizadas. A análise também se baseia na epistemologia feminista, que valoriza perspectivas situadas e interseccionais na construção do conhecimento. Os achados revelam que essas organizações utilizam narrativas pessoais para humanizar o debate sobre o aborto e gerar empatia, além de adotarem uma cultura de colaboração que contrasta com a lógica competitiva do jornalismo tradicional. Este estudo contribui para o entendimento das novas dinâmicas do ativismo feminista e sua influência na agenda pública, oferecendo subsídios tanto teóricos quanto práticos para comunicadores e ativistas.
