A perspectiva do paciente acerca da entrega de valor no transplante cardíaco: estudo em um hospital universitário

Data
2021-06
Orientador(res)
Ferreira Junior, Walter Cintra
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Resumo

O transplante cardíaco tem se mostrado uma terapia segura e cada vez mais indicada no tratamento da insuficiência cardíaca aguda, aumentando a expectativa e qualidade de vida dos pacientes. Com o aumento da prevalência da insuficiência cardíaca no Brasil, somente 1 quinto da necessidade por transplantes cardíacos é suprida no país, que sofre com uma rede transplantadora pouco capilarizada e constante pressão financeira. Ampliar o acesso ao transplante cardíaco é um desafio multidimensional, com questões relativas ao acesso, desenho da linha de cuidado da insuficiência cardíaca e avaliação dos custos, desfechos clínicos e resultados entregues em saúde. A partir da proposta da saúde baseada em valor, este estudo exploratório e descritivo objetivou identificar na literatura instrumentos para a avaliação de resultados em saúde reportados pelo paciente submetido ao transplante cardíaco, descrever e analisar a percepção de pacientes acerca de sua qualidade de vida relativa à saúde e sugerir planos de ação para a melhoria da assistência (clínica e psicológica) após o transplante. O estudo foi desenvolvido com base em revisão da literatura para identificar os instrumentos de avaliação de resultados reportados pelo paciente aplicáveis ao transplante cardíaco, base para a seleção de 5 instrumentos que foram aplicados em abordagem quanti-qualitativa, descritiva e retrospectiva numa coorte de 15 pacientes que realizaram o transplante cardíaco há pelo menos 1 ano, no contexto de um hospital público universitário brasileiro. Os resultados demonstraram que não há consenso na literatura acerca de instrumentos para avaliação de resultados em saúde reportados pelo paciente, uma vez que a revisão da bibliografia indicou diversos instrumentos desenvolvidos pelos institutos pesquisadores bem como o uso de uma combinação de instrumentos. A partir da aplicação dos instrumentos selecionados, a maioria dos pacientes (14 de 15) indicaram melhora em seu estado geral de saúde em comparação ao ano anterior, escores médios acima de 70 pontos nas dimensões de qualidade de vida “capacidade funcional”, “saúde mental”, “dor” e “aspectos sociais”. Como principais detratores da qualidade de vida, observouse uma carga considerável de sintomas reportados (média de 14) e de sintomas causadores de bastante ou muito incômodo (média de 5), bem como escores médios abaixo de 70 nas dimensões “vitalidade”, “limitação por aspectos físicos” e “limitação por aspectos emocionais”. A adesão ao plano terapêutico recomendado após o transplante indicou que mais que a metade dos pacientes questionados (8) aderem ao plano na maior parte do tempo, enquanto os restantes se dividem entre “alguma parte do tempo” (4) e “quase nunca” (3). Concluiu-se que o uso de instrumentos de avaliação de resultados em saúde reportados pelo paciente possibilita a identificação de oportunidades de melhoria da assistência clínica e psicológica após o transplante, o monitoramento sistemático de preditores de qualidade de vida neste grupo, a comparação de resultados em saúde sob a ótica do paciente entre diferentes centros transplantadores e, por fim, melhor informação ao paciente candidato à esta terapia.


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