Óleo de palma e biodiesel no Brasil: impactos sobre a originação para alimentos

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Data
2022-12-15
Orientador(res)
Rocha, José Dilcio
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Resumo

A demanda por óleos vegetais aumentou consideravelmente ao longo das últimas décadas, a fim de atender necessidades alimentares de uma população em constante crescimento e também pela inserção destes produtos como matéria-prima na fabricação de combustíveis renováveis em substituição ao óleo diesel derivado do petróleo. Entre os óleos vegetais, o óleo de palma, devido a sua grande produtividade e versatilidade, se destaca como o de maior volume produzido e consumido no planeta. A energia gerada a partir de matéria-prima renovável é uma realidade e o popularmente conhecido óleo de dendê tem tido importante relevância neste tema. Produzir biodiesel a partir de diferentes matérias-primas, fortalecendo as potencialidades regionais é uma das principais diretrizes do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Ao mesmo tempo em que surge essa nova demanda para este insumo, a cadeia alimentar ganha um forte concorrente na aquisição desta matéria-prima. Este trabalho teve como objetivo analisar e compreender a evolução da produção e consumo dos óleos vegetais no mundo e, particularmente, no Brasil, a inserção do óleo de palma na matriz energética nacional e como isso pode impactar a originação deste produto para indústria de alimentos, que o utiliza como matéria-prima em seus processos. Buscou-se também compreender o Biodiesel, suas características, processos produtivos e o PNPB com seus marcos regulatórios e perspectivas. Também teve como objetivo criar uma base de dados estruturada do complexo dos óleos vegetais e sua relação com o biodiesel nacional para transformá-los em informações qualitativas, em especial do óleo de palma, para aprimoramento da tomada de decisão de compra deste produto. Para o desenvolvimento do trabalho, foram utilizados os métodos de pesquisa bibliográfica, pesquisa qualitativa e quantitativa, análise explicativa e descritiva dos dados. Foram utilizados dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), para o período safra de 1980 a 2022 e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o período de 2017 a 2022. No Brasil, a inserção do óleo de palma no ambiente de combustíveis renováveis está alterando a dinâmica de aquisição do produto pela indústria alimentícia, tornando essa tarefa mais desafiadora e complexa e isso vem sendo comprovado pelo incremento de seu uso e de importações nos últimos anos. A balança comercial nacional está negativa, mostrando que existe demanda para a aquisição e desenvolvimento da produção em solo nacional. Inúmeras oportunidades e desafios estão presentes no Brasil e precisam ainda ser equacionados. O país goza de grande potencial agrícola para a expansão do cultivo da palma de óleo, mas é imprescindível que se trabalhe no desenvolvimento tecnológico da cultura para que o crescimento da produção passe a se dar não só pelo aumento de área, mas também pelo incremento de produtividade. O PNPB tem ajudado a alavancar a produção e o uso de óleo de palma, além de cumprir seu papel de fortalecer potencialidades regionais. Instalações de indústrias produtoras de biodiesel no polo agrícola de palma de óleo é uma outra realidade já presente. Nos próximos anos possivelmente veremos a retomada dos aumentos das misturas do biodiesel no óleo diesel para combate aos efeitos climáticos e isso gerará uma robusta demanda por mais óleos vegetais e complexidade para os compradores da indústria alimentícia.


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