Ensaios sobre o mercado de trabalho brasileiro

Data
2023-05-05
Orientador(res)
Pereira, Luciene Torres de Mello
Ribeiro, Marcel Bertini
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Resumo

Esta tese é composta por dois ensaios de macroeconomia aplicada ao mercado de trabalho brasileiro. No primeiro, analisamos o efeito das recentes reformas do mercado de trabalho brasileiro sobre a mobilidade da mão-de-obra. A partir da ideia de que essa mudança reduziu o custo esperado de demissão, tanto por dispositivos diretos da legislação como pela redução de processos trabalhistas, verificamos se houve elevação do fluxo de entrada e saída do emprego. Testamos essa hipótese através de uma análise de diferenças-emdiferenças, que compara o tempo de duração no emprego do grupo de tratamento, afetado pela reforma (empregados no setor privado com carteira assinada) com um grupo de controle, não afetado diretamente pela reforma trabalhista (empregados sem carteira ou trabalhadores por conta-própria) antes e depois do periodo de vigência das novas regras trabalhistas. De forma surpreendente, e ao contrário do sugerido pela literatura, pode-se verificar que a reforma teve por efeito elevar a permanência no emprego de empregados formais, isto é, houve redução da mobilidade do emprego formal. No segundo ensaio, decompomos as principais variáveis do mercado de trabalho brasileiro entre cinco choques econômicos fundamentais: oferta, demanda e três choques originados no próprio mercado de trabalho - oferta de trabalho, barganha salarial e mismatch, a partir de um MF-BVAR. Para a identificação desses últimos três choques, construimos séries que descrevem fluxos de trabalhadores para dentro e fora do emprego: job finding rate e job separation rate, documentando que a primeira é altamente pró-cíclica, ao passo que a segunda é contracíclica, com a maior correlação ocorrendo com o hiato do produto defasado em um trimestre. Encontramos um grande papel de choques de oferta (tecnologia), embora os choques gerados no próprio mercado de trabalho tenham adquirido papel relevante, sobretudo a partir de 2016. O cálculo da correlação condicional mostra o papel relevante dos choques gerados no próprio mercado de trabalho para explicar a ciclicalidade das variáveis: o choque de mismatch tem grande contribuição para a correlação negativa entre a job finding rate e a taxa de desemprego. Por sua vez, os choques de demanda agregada parecem ter a maior contribuição para a contraciclicalidade observada da taxa de separação.


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