Sertão à beira-mar: o espaço das secas na Exposição Internacional do Centenário da Independência

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Data
2021-09-22
Orientador(res)
Oliveira, Lúcia Lippi
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Resumo

A proximidade dos cem anos de vida política independente e a onda nacionalista que envolveu a sociedade brasileira no pós-guerra levaram o poder público a organizar um grande evento que assumiu proporções internacionais e transformou a paisagem da cidade do Rio de Janeiro. Um dos acontecimentos menos lembrados do movimentado ano de 1922, a Exposição Internacional do Centenário da Independência é geralmente analisada em função de ter sido um marco das reformas urbanas na capital republicana. Menos explorados são a forma como as demais unidades federativas foram incluídas no discurso nacional difundido pela Exposição ou, ainda, o fato de que o Executivo federal, maior organizador do evento, era ocupado à época por Epitácio Pessoa, um político paraibano que se equilibrava entre os grandes salões da diplomacia, os meandros da política nacional e a manutenção da ordem oligárquica em um dos estados atendidos pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, uma agência governamental prioritária em sua agenda política. Por meio da análise documental de publicações da Exposição, como o Relatório dos Trabalhos, o Guia Oficial e o Livro de Ouro, bem como de periódicos da imprensa carioca e registros biográficos de Epitácio Pessoa, esta dissertação investiga o lugar reservado ao sertão semiárido na Exposição do Centenário, e a posição estratégica dessa representação para mediar as dimensões interna e externa da ação presidencial. Apoiando-se no capital externo e tentando fortalecer o Executivo federal no jogo político da Primeira República, Pessoa apostou em uma comemoração do Centenário em grande estilo, na qual o espaço e o homem sertanejos foram tipificados como objetos de um processo de modernização nacional que, promovendo a integração do sertão semiárido, contribuiria para a integração do Brasil ao sistema internacional. Além de legitimar a aspiração brasileira ao status de nação moderna, esse projeto gerava negócios lucrativos para uma rede de agentes privados nacionais e estrangeiros, e reforçava o papel do Executivo federal como articulador da intervenção pública no espaço das secas.


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