A percepção do Pix segundo a ótica de moradores de comunidade: o caso Jardim Esperança

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Data
2025-12-10

Orientador(res)

Joia, Luiz Antonio

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Objetivo: Investigar como os fatores percebidos pelos moradores do Jardim Esperança, no município de Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro — dificuldade de uso do Pix, confiança e segurança percebidas, e satisfação com o desempenho do sistema — explicam o uso atual e a intenção de continuidade de uso do Pix como meio de pagamento. Metodologia: Estudo de caso único, explanatório, com abordagem mista. Coleta via survey, com questões fechadas e uma aberta, aplicada à moradores do Jardim Esperança. Procedimentos de limpeza e codificação dos dados coletados, análises descritivas (frequências, médias, correlações), e interpretação qualitativa da reposta à pergunta aberta. Testes por correspondência de padrões e proposições teóricas; protocolo de confiabilidade. Referencial ancorado em inclusão financeira, inovação (Pix) e modelos de aceitação/continuidade de uso. Resultados: Os resultados mostram que o Pix está incorporado ao cotidiano local dos moradores do bairro Jardim Esperança, sobretudo para compras no comércio, transferências e pagamento de contas, com redução do uso de dinheiro em espécie. A satisfação média dos usuários com o Pix foi alta (notas igual ou superior a 8), e 24 de 27 respondentes declararam intenção de continuar usando o sistema. Foram testadas três hipóteses. A Hipótese 1 relacionando a dificuldade de utilização do Pix influenciando negativamente a satisfação do usuário com o sistema. A Hipótese 2 relacionando a percepção de confiança dos usuários com o Pix influenciando positivamente na satisfação deles. E a Hipótese 3 relacionando a satisfação do usuário com o Pix influenciando positivamente sua intenção de uso contínuo do sistema. As Hipóteses 2 e 3 foram confirmadas: a confiança/segurança percebida associa-se positivamente à satisfação, e a satisfação prediz a intenção de uso continuado. Já Hipótese 1 não se confirmou: a dificuldade percebida não reduziu a satisfação. As respostas abertas reforçam “facilidade”, “agilidade”, “sem custo”, “segurança” e “recebimento na hora” como atributos centrais; barreiras como baixo letramento digital e conectividade existem, mas raramente levam ao abandono. Benefícios estruturais e institucionais do Pix (rapidez, liquidez imediata, gratuidade, ampla aceitação e arquitetura estatal) sugerem neutralizar dificuldades operacionais e sustentam a intenção de continuidade entre os moradores. Limitações: Delimitação a um único território (estudo de caso) reduz a generalização externa; triangulação prejudicada pela análise de dados restrita aos dados da survey; risco de viés de resposta/ seleção; possível sub-representação de grupos com menor escolaridade ou acesso digital; e restrições de tempo/recursos. Contribuições para políticas públicas: O estudo contribui para a agenda de inclusão financeira digital ao indicar que, em periferias, a confiança/segurança percebidas e a satisfação são alavancas da continuidade de uso do Pix, enquanto a dificuldade percebida tende a perder força quando o sistema entrega alto valor prático (gratuidade, rapidez e ampla aceitação). Com base nisso, pode servir para orientar ações coordenadas entre municípios, Banco Central, bancos e fintechs, visando: (i) fortalecer educação digital/financeira e prevenção a golpes com apoio aos usuários do sistema e linguagem cada vez mais acessível; (ii) aprimorar comunicação pública de segurança e “boas práticas” de uso; e (iii) melhorar usabilidade/acessibilidade dos aplicativos (fluxos mais simples, confirmações, limites e alertas), além de mitigar fricções de conectividade onde possível. Originalidade: Este estudo é original porque investiga o Pix não em números nacionais ou em usuários já plenamente bancarizados, mas dentro de um território periférico específico — o Jardim Esperança — tratado aqui como unidade analítica central e não apenas como “contexto”. Além disso, em vez de analisar apenas a adoção inicial, o trabalho busca explicar a continuidade de uso do Pix a partir de fatores como facilidade/dificuldade de uso, confiança, segurança percebida e satisfação - testando esses determinantes clássicos de aceitação tecnológica em um ambiente de alta informalidade econômica e baixa bancarização. Por fim, a pesquisa integra um estudo de caso à análise do Pix como infraestrutura pública de inclusão financeira, regulada pelo Banco Central do Brasil, articulando política pública, uso cotidiano e percepção do usuário, o que é uma combinação ainda pouco explorada na literatura.

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