Manifestações de modelos de negócios sustentáveis no setor de saúde suplementar: dois estudos de caso de empresas brasileiras

Data
2023
Orientador(res)
Carvalho, André Pereira de
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Resumo

O segmento da saúde é crucial para o bem-estar da sociedade. Seu acesso ainda é marcado por desigualdades, representando um problema social, e a Covid-19 salientou ainda mais sua significância e conexão aos impactos do meio ambiente. O tema saúde foi contemplado pelo Pacto Global da ONU com um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) específico - ODS 3 - Saúde e Bem-estar -. Sob o ponto de vista econômico, e devido a uma multiplicidade de fatores, sua relevância para os países vem crescendo. No Brasil, os planos de saúde são os players da saúde suplementar que atuam na esfera privada e se configuram como pilares de sustentação do próprio sistema nacional de saúde. No quarto trimestre de 2022, esse segmento registrou o pior desempenho econômico-financeiro, desde 2001, quando do início do acompanhamento setorial. O aumento per capita dos gastos em saúde consta como tendência mundial e, assim, vem impulsionando a agenda de transformações, reestruturações e fusões/aquisições. Visto este pano de fundo, esta pesquisa procura investigar primordialmente como os desafios e oportunidades da sustentabilidade empresarial, em sua abordagem mais ampla, estão sendo aproveitados pelas empresas de saúde suplementar brasileiras, através da incorporação de modelos de negócio sustentáveis. De forma auxiliar, o estudo busca averiguar quais são as taxonomias de modelos de negócio sustentáveis implementadas; sob quais formatos empresariais e a partir de quais antecedentes e motivadores. A abordagem utilizada para o estudo foi a de Sustainable Business Models (SBMs) e suas manifestações, uma vez que o setor de saúde suplementar é composto por organizações possuidoras de diferentes modelos de negócio, mesmo que sujeitas à idêntica regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os modelos de negócios sustentáveis são aqueles que passam a integrar aspectos econômicos, sociais e ambientais (o tripé da sustentabilidade, do ingles “triple bottom line’’ - TBL) nos processos de criação e/ou captura de valor empresarial, respaldando a diversificação e a inovação, como forma de potencializar vantagem competitiva, a resiliência das organizações e a criação de valor aos stakeholders. A intensidade e o formato de implantação de cada pilar acabam acarretando variações nas tipologias de SBMs ou, ainda, propiciam a utilização combinada de um conjunto delas. De forma a responder às perguntas investigadas, foi elaborada uma pesquisa qualitativa, através de estudo de caso composto por duas operadoras da saúde suplementar brasileiras, protagonistas em relação à pauta de sustentabilidade e com modelos de negócios diferenciados. O trabalho identificou que o segmento incorpora as manifestações de modelos de negócio sustentáveis conectando os temas estratégicos e de sustentabilidade na sua gestão, operando com a combinação de quatro classificações em designs e intensidades diferenciadas, apoiado na diversificação de atuação, em parceria a ecossistemas de inovação e startups, motivado pelo potencial de mercado relativo à sustentabilidade, pelo nível de confiança percebido nas empresas, pelos avanços tecnológicos de dados e na área da saúde e pelas questões ambientais. As limitações da pesquisa se referem à impossibilidade de alcançar mais empresas e ao levantamento de dados primários restrito a um respondente por caso e pertencentes às áreas de sustentabilidade. Sob o ponto de vista gerencial, como o momento é relevante e desafiador, é necessária uma visão integrada, em cooperação com os stakeholders, de forma a expandir ganhos na cadeia, almejando a entrega de valor e inclusão dos aspectos do TBL. A revisão da regulação vigente se faz necessária em conjunto com a viabilização de operações em negócios complementares, não regulados, para ganhar tração nas implementações de SBM. Por fim, as lideranças empresariais são fundamentais na condução da mudança cultural, abarcando uma visão mais holística e seu dever de stewardship.


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