Engajamento no trabalho e presença psicológica no serviço público: o caso da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional

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Data
2020-09-30
Orientador(res)
Gaetani, Francisco
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Resumo

Objetivo – Nesta pesquisa empírica buscamos entender de que modo circunstâncias de natureza ambientais, organizacionais e políticas afetam a disposição dos servidores públicos para empregarem e expressarem suas essências no desempenho de papeis de trabalho. Metodologia – Na pesquisa, desenvolvemos um estudo de caso com procuradores, membros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), coletando os dados primários por meio de entrevistas guiadas mediante um roteiro semiestruturado projetado com base naqueles que foram utilizados no estudo de Kahn (1990). Depois de transcritas as entrevistas, os dados coletados foram submetidos à análise de conteúdo, tendo sido tratados pelo método e pela técnica da categorização, conforme descritos por Bardin (2011). Para categorizar os dados e realizar as inferências, foram adotadas as seguintes posturas frente aos dados coletados: a) o indivíduo no papel foi a unidade de análise; b) o foco foram os momentos específicos nos quais ocorreram as experiências e os comportamentos dos indivíduos no papel; e c) a PGFN foi tomada como o contexto no qual diversos fatores moldam, mas sem determinar, as escolhas e os comportamentos individuais. Resultados – Dessa maneira, constatamos que a significância do papel de trabalho, seguida pela significância das funções ocupacionais e pelas interações de trabalho são os fatores que mais influenciam a disposição dos procuradores da Fazenda Nacional para empregarem e expressarem suas essências no desempenho de papeis de trabalho. Limitações – A principal limitação desta pesquisa está ligada à impossibilidade de nos aprofundarmos no exame dos fatores individuais que permeiam a dinâmica da presença psicológica: modelos da essência no papel, segurança, coragem e desenvolvimento adulto. Dois motivos justificaram essa limitação: a falta de experiência do pesquisador na prática da psicologia clínica e a ausência de recursos para contratação de um consultor externo que pudesse supri-la. Contribuições práticas – A partir desses resultados, as organizações do serviço público e especialmente a PGFN podem, seguindo recomendações da OECD (2016, p. 15), se empenhar na implementação de uma cultura de liderança que, por intermédio da gestão dos níveis de engajamento, promova a presença psicológica dos servidores públicos no trabalho. Contribuições sociais – Na medida em que se entende que o engajamento, diferentemente da motivação para o trabalho, é antes de tudo um sintoma manifestado sob a forma de presença psicológica (Kahn, 1992, p. 342), o empenho em promovê- lo resulta não em uma mera orientação produtiva, mas sim numa postura de satisfação com o trabalho que contribui para a emancipação do ser humano. Originalidade – Ao realizar uma busca no Google Scholar com o termo “presença psicológica” ente aspas, verificamos que o presente estudo é o primeiro trabalho acadêmico a abordar este tema na literatura nacional e, consequentemente, no contexto do serviço público brasileiro.


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