Robôs, redes sociais e política no Brasil: interferências de perfis automatizados e atores políticos no debate eleitoral brasileiro

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2018
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Ação de robôs em redes sociais, além do já comprovado impacto em países como França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, vem interferindo em contextos políticos da América Latina, de forma regular, há alguns anos. A atuação de perfis automatizados no Twitter já foi identificada, no Brasil, no compartilhamento de mensagens das campanhas dos principais candidatos a presidente em 2014, Aécio Neves, Marina Silva e Dilma Rousseff. Neste levantamento, com base em dados de outubro a dezembro de 2017, foram identificadas menções feitas por contas de Argentina e Venezuela em interação com os perfis oficiais dos principais atores políticos brasileiros — seja por retuítes, replies (respostas a postagens) ou menções aos perfis — e associadas a partidos e figuras políticas, alinhados à esquerda, desses países. As contas, que estão ativas e podem ser utilizadas em qualquer momento, tem como data de última postagem o 18 de dezembro de 2017. Em 2014, apurou-se a presença de robôs com indícios de origem russa atuando junto às contas das candidaturas à Presidência. Nos dois momentos já estudados do debate político no país, identificaram-se distintas evidências de interferência estrangeira, a partir da configuração de redes de robôs organizadas segundo padrões específicos — por isso, foram aplicados métodos independentes para mapear as origens e propriedades das contas automatizadas em cada um dos períodos de análise. A presença contínua de redes de robôs associados a diversos posicionamentos políticos, de diferentes países e grupos partidários, evidencia a relevância da constante verificação por ações digitais externas sobre os debates orgânicos de cada sociedade na web. Essa preocupação é imperativa, em especial, para contextos eleitorais, quando o uso de perfis automatizados pode interferir ativamente no processo democrático. Em continuidade com a criação de redes artificiais de dispersão de conteúdos, causa preocupação o impacto potencial de uso dessas redes para a promoção de notícias falsas e informações imprecisas ou danosas sobre candidatos e agendas políticas.


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