Um estudo empírico sobre a validade de medidas de criação de valor para análise dos retornos das ações no mercado brasileiro

Data
2002-05-08
Orientador(res)
Eid Júnior, William
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Resumo

O presente trabalho estuda o arcabouço teórico dos diferentes indicadores de criação de valor para os acionistas e avalia a relevância e eficácia dessas métricas como reais indicadores de geração de valor. Foram escolhidas para este trabalho cinco medidas de geração de valor que englobam métodos tradicionais e métodos modernos de avaliação: RR (Retorno Residual), RRA (Retomo Residual Ajustado), ROE (Return on Equity), ROI (Return on Investment) e LAJIDA (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização ou EBITDA). A geração de valor para o acionista foi quantificada pela variável RT (Retorno Total) definida como sendo a variação do preço da ação mais seu fluxo de dividendos. O poder de previsão é analisado através de medidas estatísticas, que visam avaliar o conteúdo informacional das medidas de criação de valor em termos absolutos, relativos e incrementais, seguindo metodologia utilizada por BIDDLE, BOWEN & W ALLACE (1997) e CHEN & DODD (1997,1998) para o mercado de capitais norte-americano. Para tanto, são realizadas análises de correlação e diversas regressões: lineares, múltiplas e forward regressions. Diversas análises de sensibilidade também são desenvolvidas, incluindo variações no cálculo do custo de capital, retirada de outliers, defasagens temporais, ajuste da variável dependente pelo índice de mercado e análise de subgrupos anuais e qüinqüenais. A amostra foi composta por 88 empresas com ações negociadas na Bovespa, examinadas ao longo de 10 anos, de janeiro de 1990 a dezembro de 1999, gerando uma matriz com aproximadamente 880 observações. Os resultados apresentam baixas correlações entre os indicadores de valor e o retorno total das ações, sendo que as diversas regressões efetuadas geram R2 reduzidos, como os resultados apresentados nos trabalhos utilizados como referência. Nas regressões lineares o LAJIDA apresenta-se como o melhor indicador e nas regressões múltiplas otimiza-se a explicação do RT ao utilizar ROI, LAJIDA e RRA em conjunto. Conclui-se que o mercado de capitais parece não utilizar de forma imperativa os indicadores de valor como ferramenta de previsão, possivelmente, porque eles mostram a realidade passada, enquanto o mercado busca explicações nas expectativas futuras. Mesmo assim, esses indicadores de valor são importantes, como ferramenta de gestão, para direcionar as atitudes dos administradores das companhias na linha da criação de valor para os acionistas.


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