Covid, classes econômicas e o caminho do meio: crônica da crise até agosto de 2020

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2020-10
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Resumo

Levantamento de classes econômicas brasileiras realizado a partir de dados factuais coletados durante a pandemia mostra que o número de pobres no Brasil (renda domiciliar per capita até ½ salário mínimo) caiu 15 milhões entre 2019 e agosto de 2020. Uma queda de 23,7%, ritmo muito superior ao observado em momentos de boom social no Brasil, como nos períodos seguintes ao lançamento dos planos de estabilização como o Cruzado em 1986 e o Real em 1994, atingindo os menores níveis da série histórica com um estoque de 50 milhões de pobres. Já os estratos mais abastados com renda acima de dois salários mínimos per capita perderam 4,8 milhões de pessoas em plena pandemia. Ambos os movimentos, aliados ao crescimento populacional do período (1,6 milhões), impulsionam o contingente intermediário compreendido entre os dois intervalos. O miolo da distribuição de renda tupiniquim cresceu em cerca de 21,5 milhões de pessoas, quase meia população Argentina. A queda simultânea no topo e na base da distribuição populacional se deve a combinação dos efeitos econômicos deletérios da pandemia à adoção de amplas medidas para mitigar os seus efeitos, como a concessão do Auxílio Emergencial (AE) e o Benefício Emergencial (BEm) trabalhista. As taxas de redução de pobreza no Nordeste (-30.4%) e Norte (-27.5%), regiões que possuem maiores parcelas do público-alvo do Auxílio Emergencial, foram superiores às demais.


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