Capitalismo de plataforma, (micro)finanças e a relação dialética entre controle e resistência no trabalho dos microempreendedores da Sulanca

dc.contributor.advisorDiniz, Eduardo Henrique
dc.contributor.advisorPozzebon, Marlei
dc.contributor.authorSiqueira, Érica Souza
dc.contributor.memberFontenelle, Isleide Arruda
dc.contributor.memberSilva, Francisco Carlos Lopes da
dc.contributor.memberAbilio, Ludmila Costhek
dc.contributor.unidadefgvEscolas::EAESPpor
dc.date.accessioned2020-03-20T21:19:16Z
dc.date.available2020-03-20T21:19:16Z
dc.date.issued2020-03-03
dc.description.abstractNessa tese busquei aproximar plataformas financeiras digitais, na figura das Fintechs Sociais, do conjunto de plataformas que procura centralizar o controle sobre o trabalho precário, ao mesmo tempo em que o mantém descentralizado, individualizado e fragmentado. Dessa forma, desenvolvo um modelo teórico que considera que, ao tomar microcrédito nas Fintechs Sociais, o trabalhador precário, na figura do microempreendedor, entra em uma relação de crédito-trabalho, a partir da qual o capital financeiro será valorizado. Uma vez estabelecida essa relação, um conjunto de mecanismos de controle é empreendido pelas Fintechs Sociais, por meio de suas plataformas digitais (componentes online e off-line), para que esse trabalhador se mantenha produzindo, pagando parcelas e renovando o empréstimo. Para construir esse modelo, realizei duas pesquisas com diferentes estratégias. A primeira, um estudo de caso instrumental com uma Fintech Social para entender quais são os mecanismos que visam a centralizar o controle sobre o trabalho e mantê-lo descentralizado, individualizado e fragmentado. A segunda, uma etnografia crítica e focada junto aos microempreendedores da Sulanca, que são trabalhadores do segundo maior polo de confecções do Brasil, localizado no agreste pernambucano, para entender como se organizam e resistem à centralização de controle sobre o seu trabalho. Para a interpretação dos dados coletados em ambas as pesquisas, utilizei o método da hermenêutica crítica. Os resultados apontam para mecanismos de controle: empreendedorismo, vigilância e centralização, agrupados no processo que denominei: Plataformização do Trabalho. Por outro lado, demonstro que, mesmo em face de um trabalho descentralizado e individualizado, existe uma organização coletiva, baseada em solidariedade, que reduz o sentimento de precariedade do trabalho e apresenta diversos mecanismos de resistência à sua plataformização. Esses mecanismos de resistência, identificação de classe, cooperação, invisibilidade, visibilidade e adaptação, compõem o processo que denominei: Descentralização Coletivamente Coordenada do Trabalho. A relação dialética entre controle e resistência, ou entre plataformização do trabalho e descentralização coletivamente coordenada do trabalho, está permeada de contradições. Essa pesquisa contribui para a literatura sobre financeirização, ao passo que mostra como o capitalista financeiro coloca seu capital em circulação e busca controlar ativamente a produção de valor. Também contribui para o programa de pesquisa relacionado à Labor Process Theory, porque o modelo de controle e resistência primeiramente trata de analisar uma nova forma de subsunção do trabalho que não aquele assalariado no chão de fábrica, ao mesmo tempo em que busca enxergar como trabalhadores não são agentes passivos diante do controle sobre seu trabalho e desenvolvem mecanismos de resistência, objetivos e subjetivos.por
dc.description.abstractIn this thesis I tried to bring digital financial platforms, in the figure of Social Fintechs, closer to the set of platforms that seek to centralize control over precarious work while keeping it decentralized, individualized and fragmented. In this way, I develop a theoretical model that considers that, when taking microcredit at Social Fintechs, the precarious worker (in the figure of the microentrepreneur) enters into a credit-labor relationship, from which the financial capital will extract surplus value. Once this relationship has been established, a set of control mechanisms is undertaken by Social Fintechs, through its digital platforms (online and offline components), so that this worker keeps producing, paying installments and renewing the loan. To build this model I conducted two studies with different strategies. The first one, an instrumental case study, with one Social Fintech to understand what are the mechanisms that aim to centralize control over labor and keep it decentralized, individualized, fragmented. The second one, a critical and focused ethnography, with the microentrepreneurs of Sulanca, who are workers in the second largest garment industry in Brazil, located in the countryside of Pernambuco state. The aim of the second study was to understand how microentrepreneurs organize and resist the centralization of control over their labor. For the interpretation of collected data, in both studies, I used the critical hermeneutic method. The results point to control mechanisms (entrepreneurship, surveillance and centralization) that are grouped in the process that I called Labor Platformization. On the other hand, I show that even in the face of decentralized and individualized work, there is a collective organization, based on solidarity, which reduces the feeling of precarity and presents several mechanisms of resistance to its platformization. These resistance mechanisms (class identification, cooperation, invisibility, visibility and adaptation) make up what I called the Collectively Coordinated Process of Decentralization of Labor. The dialectical relationship between control and resistance, or between labor platformization and collectively coordinated process of decentralization of work is permeated by contradictions. This research contributes to literature on financialization, while showing how the financial capitalist puts his capital in circulation and seeks to actively control the production of value. It also contributes to the research program related to the “Labor Process Theory”, since the control and resistance model developed here primarily seeks to analyze a new form of labor subsumption, other than waged workers on the factory floor, at the same time it seeks to demonstrate how workers in the face of control over their labor develop mechanisms of resistance, objective and subjective.eng
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/10438/28920
dc.language.isopor
dc.rights.accessRightsopenAccesseng
dc.subjectSocial fintecheng
dc.subjectDigital platfformeng
dc.subjectLabor precarityeng
dc.subjectMicrocrediteng
dc.subjectFintechs sociaispor
dc.subjectPlataformas digitaispor
dc.subjectTrabalho precáriopor
dc.subjectLPTpor
dc.subjectMicrocréditopor
dc.subject.areaAdministração de empresaspor
dc.subject.bibliodataFinanças - Aspectos sociaispor
dc.subject.bibliodataIndústria de serviços financeiros - Inovações tecnológicaspor
dc.subject.bibliodataTecnologia da informaçãopor
dc.subject.bibliodataEmprego precáriopor
dc.subject.bibliodataTeoria do trabalho como base do valorpor
dc.subject.bibliodataMicrofinançaspor
dc.titleCapitalismo de plataforma, (micro)finanças e a relação dialética entre controle e resistência no trabalho dos microempreendedores da Sulancapor
dc.typeThesiseng
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